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Como está o imobiliário a comportar-se?

Comprar casa é uma vontade da maioria dos portugueses. Mas há um desfasamento entre o preço dos imóveis em carteira e o valor que a procura está disposta a pagar nas cidades. A periferia é a única opção.

Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 21 de Setembro de 2017 às 13:00
Inês Gomes Lourenço
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Há tradições em Portugal que parecem não ceder. Ser dono de uma casa é uma delas. "Há uma clara cultura de proprietário em Portugal", diz o CEO da Century 21, Ricardo Sousa, assente em estudos da agência imobiliária, durante a terceira edição do "Observatório: o imobiliário em Portugal", que teve lugar na manhã do passado dia 14 de Setembro.

A recente crise trouxe novas tendências mas não mudou essa vontade de comprar casa – sobretudo porque o crédito à habitação está mais fácil e começa a sair mais em conta face ao arrendamento, embora na periferia das grandes cidades. Apesar da ideia de que os "millenials" estão mais desapegados da compra de casa, há apenas "um adiamento da tomada de decisão", diz o especialista perante o auditório do Teatro Thalia, em Lisboa.

Para a Century 21, há um "problema" com a habitação que tem de ser debatido porque o poder de compra da maioria das famílias portuguesas não suporta os preços do mercado imobiliário nas zonas centrais das maiores cidades nacionais, onde trabalham e estudam os membros dessas mesmas famílias.

"Há uma clara cultura de proprietário em Portugal." ricardo sousa, CEO da Century 21 em Portugal e Espanha

"A aposta em Portugal numa lógica de ‘lifestyle’, que é muito atractiva, tem de ser complementada com uma parte empresarial, que só é possível com famílias", justifica Ricardo Sousa.

Para confirmar esse desfasamento no mercado português, a Century 21 já tinha revelado a diferença entre os valores em média dos imóveis que estão na sua carteira e os valores que estão a ter procura nessas mesmas áreas.

Em Lisboa, há casas disponíveis, em média, pelos 395 mil euros. Contudo, os compradores estão à procura de imóveis pelos 184 mil euros. No Porto, a oferta ronda os 235 mil euros mas a procura tende a não ultrapassar os 112 mil na hora de comprar.

 A diferença é ainda mais notória em Cascais. Aqui, a média dos imóveis oferecidos pela carteira da Century 21 atinge os 419 mil. Por sua vez, a maioria da procura em Cascais está a rondar os 142 mil euros.

Entre Janeiro e Junho, a nível nacional, foram registadas 3.561 operações de venda pela Century 21, mais 19%. Em sentido contrário, contraindo 9%, está o arrendamento, com 1.168 operações. Na venda, o valor médio caiu 11% para os 142 mil euros, predominando moradias T2 e T3. Já o valor da renda subiu 10% para os 680 euros.

O perfil típico do comprador aponta para alguém entre os 36 e os 45 anos, com um agregado familiar de duas pessoas. A maioria possui licenciatura e contratos efectivos de trabalho.

Já no mês passado, na apresentação dos seus resultados, a Century 21 alertava que a maior dinâmica das  transacções imobiliárias se fez sentir nas zonas periféricas das cidades, onde o crédito à habitação teve maior influência e o valor médio dos imóveis está mais ajustado ao rendimento médio das famílias portuguesas. 

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