Digitalização em Portugal é lenta

O estudo anual de benchmark elaborado pela IDC revela que 37% das organizações nacionais têm uma estratégia de transformação digital alinhada com a estratégia de negócio, enquanto nos Estados Unidos são 50% das empresas.
Digitalização em Portugal é lenta
Rui Pereira é co-fundador da Outsystems, um dos mais recentes unicórnios portugueses
Inês Gomes Lourenço
Filipe S. Fernandes 09 de novembro de 2018 às 11:04
Apesar da qualidade deste ano do Portugal Digital Awards ter superado em muito o que se observou no ano passado, temo que o progresso na digitalização na maioria das empresas nacionais seja ainda muito inicial, incremental face ao 'status quo' e acima de tudo de progressão lenta", alertou Rui Pereira, VP of Digital Transformation da Outsystems e membro do júri.

Esta situação pode ser a porta de entrada de uma concorrência mais ágil e rápida que consiga adaptar-se e responder melhor junto dos consumidores e clientes. O co-fundador da Outsystems, um dos mais recentes unicórnios portugueses e avaliado em mais de mil milhões de dólares, incentiva "os líderes nacionais a olhar de forma muito estratégica e comprometida com o caminho da transformação dos seus negócios nos novos cenários competitivos pela qual todas as indústrias estão a passar. É difícil ver a relva a crescer mas sem dúvida que cresce, cresce e só conseguimos dar por isso quando a temos de cortar. No caso das empresas poderá ser tarde de mais".

Gap digital

Gabriel Coimbra, Group Vice-President & Country Manager da IDC Portugal, concorda e refere que "ainda existe um grande gap entre a digitalização da economia nacional e a economia global, enquanto em Portugal prevemos em 2021 30% da economia nacional já esteja digitalizada, a nível global ultrapassará os 50%". Na sua opinião terá sido "impulsionada pelas novas ofertas digitais, pela digitalização das operações e das cadeias de valor, assim como pela integração entre os canais físicos e digitais".

Grande parte das organizações nacionais ainda não conseguirem compreender a transformação digital de forma transversal. Gabriel Coimbra
Group Vice-President & Country Manager da IDC Portugal

Este gap entre a economia mundial e a nacional deve-se sobretudo ao facto de "grande parte das organizações nacionais ainda não conseguirem compreender a transformação digital de forma transversal", refere Gabriel Coimbra. O que passa pela capacidade de repensar os processos, a experiência do ecossistema e o desenvolvimento de novos produtos e serviços com base nas tecnologias de 3ª Plataforma (soluções assentes em IoT, Inteligência Artificial, Impressão 3D, novos Interfaces Humanas/Digitais, Robótica e Blockchain) e com os Aceleradores de Inovação.

Para o responsável da IDC Portugal, os projectos digitais, de muitas organizações a nível nacional, são habitualmente processos isolados, que não estão alinhados com a estratégia de negócio e integrados num modelo que abranja toda a organização. "O estudo anual de benchmak elaborado pela IDC sobre o tema transformação digital ilustra isso mesmo, apenas 37% das organizações nacionais têm uma estratégia de transformação digital alinhada com a estratégia de negócio, versus quase 50% para as suas congéneres norte-americanas", concluiu Gabriel Coimbra.

Portugal Digital Awards: júri

Bernardo Rodo, presidente do IAB, Bruno Horta Soares, presidente da ISACA Lisbon Chapter e docente no Programa Digital Transformation da Católica Business School, Carlos Oliveira, ex-secretário do Empreendedorismo e presidente da Investbraga, Fernando Bação, professor Associado e Subdirector da NOVA IMS, Francisco Barbeira, presidente do CIO Council IDC, Gabriel Coimbra, country manager da IDC Portugal, Jorge da Silva Gabriel, administrador executivo da FLAD, José Tribolet, professor catedrático do Instituto Superior Técnico e presidente da Comissão Executiva do INESC, Pedro Afonso, administrador da Axians, André Verissimo, director do Jornal de Negócios, Rogério Carapuça, presidente do APDC, Rui Pereira, VP of Digital Transformation e co-fundador da Outsystems, e Rogério Campos Henriques, Fidelidade.

O balanço da 3ª edição

Para 3ª edição do Portugal Digital Awards, o formulário de candidatura foi consultado por mais de 1000 organizações, e foram recebidas mais de 300 candidaturas. A IDC validou 102 candidaturas, mais 20% do que a edição do ano passado.

"Este ano, para além de mais candidaturas, verificamos uma maior diversidade de sectores, com candidaturas de praticamente todos os sectores económicos", referiu Gabriel Coimbra, Group Vice President & Country Manager da IDC Portugal. A banca e os seguros foram os sectores mais representados, mas houve muitas candidaturas da saúde, retalho e indústria. Uma das surpresas de Rui Pereira, VP of Digital Transformation e co-fundador da Outsystems e membro do júri, foi "a presença forte da administração pública que claramente apresentou melhorias relevantes, em particular nos serviços partilhados para o cidadão e na área da saúde que me surpreendeu pela positiva".

A categoria com mais projetos foi a Best Digital Product & Customer Experience com mais de metade das candidaturas, seguida da Best Digital Process e Best Digital Strategic Tools. Os critérios utilizados para a avaliação dos vencedores tiveram em conta fundamentalmente duas variáveis, o grau de inovação do projecto e o impacto no negócio.

Para Rui Pereira, "o Portugal Digital Awards cresceu e tornou-se um adulto bem formado e com ambições. A exigência deste ano foi incrivelmente maior do que no passado ano, o júri entendeu que estava na hora de destacar e celebrar a exigência, a consistência e o progresso acumulado das empresas nos temas da digitalização e da transformação para os novos cenários competitivos mundiais".