EUA recomendam o azeite como gordura líquida saudável
“Há azeite a ser produzido no Brasil, na África do Sul e na Austrália, dentro dos paralelos 35 e 45 dos hemisférios norte e sul”, embora a bacia mediterrânica represente 98% da produção mundial de azeite, revela Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, no videocast “Agricultura no Feminino”, uma iniciativa no âmbito do Prémio Nacional de Agricultura, promovido pelo BPI e pela Medialivre, e que conta com o apoio do Ministério da Agricultura e Pescas e da PwC. Mariana Matos refere que “atualmente produz-se muito pouco azeite no Brasil, mas de muito boa qualidade, e também se pode produzir azeite de má qualidade na região mediterrânica”.
Portugal está no epicentro da região mediterrânica ou de influência mediterrânica e, portanto, o azeite sempre fez parte dos produtos exportados pelo país e pelos povos à volta do Mediterrâneo. A secretária-geral da Casa do Azeite salientou ainda que o grande motor do desenvolvimento do azeite foi a construção da barragem do Alqueva, que permitiu o acesso à água e “um salto tecnológico extraordinário”, mostrando que, com as alterações climáticas, é importante “a boa gestão da água”.
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Segundo Mariana Matos, “há alguma diferenciação de terroir, porque a formação da azeitona está relacionada com a latitude, com a rega, com os solos e as condições climáticas. Mas a principal diferenciaação dos azeites está nas variedades, nos blends e nas harmonizações que geram azeites mais complexos e ricos”. Acrescentou que “azeite, em árabe, quer dizer sumo de azeitona, e, como em qualquer sumo de fruta, é a fruta que faz a diferença”. Explicou que, como no vinho, existem variedades tradicionais, como as portuguesas galega, cobrançosa ou cordovil. Por sua vez, a arbequina produz-se em várias geografias.
O impacto climático
Mariana Matos salientou o desafio e o impacto das alterações climáticas para o olival, referindo que “cada vez mais o azeite passa a ser cultivado em latitudes mais altas e as condições climáticas afetam de forma extraordinária o valor do produto”. Recordou o aumento de preços que ocorreu ao longo de 2023, em consequência de uma seca que durou três anos. Adianta que “felizmente já choveu e as últimas campanhas foram relativamente normais e o preço está mais ou menos estável”.
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Mariana Matos salientou que o azeite é reconhecido como um produto de excelência, não só nos países mediterrâneos, mas também a nível internacional. Recentemente foi publicada uma nova pirâmide alimentar nos Estados Unidos e, nas recomendações para a alimentação, o azeite aparece, pela primeira vez, como a única gordura líquida recomendada. Salienta que os Estados Unidos são o segundo maior consumidor mundial de azeite e esta recomendação abre “perspetivas de crescimento muito grandes”. Assinala, contudo, que “o azeite representa apenas 2% do consumo mundial de gorduras líquidas, o que mostra o potencial de crescimento para o azeite.”
Uma visão feminina do azeite
Engenheira agrónoma, Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, está no setor desde 1999 e considera que, apesar de o setor oleícola ser muito tradicional, “quando entrou já havia muitas mulheres, mas desde então, multiplicaram-se”. Para além da diversidade, salienta a renovação geracional, a formação académica e a inovação. “Gostamos de associar esta entrada das mulheres em toda a cadeia de valor a uma renovação que houve no setor, não só a nível de marketing e de imagem, mas também ao nível dos painéis de prova, onde há muitas mulheres excelentes”, refere Mariana Matos. Sublinha ainda que surgiram “novas produtoras também, com novas ideias e uma revitalização do setor. Temos projetos muito interessantes e muitos deles liderados por mulheres, ligados ao olivoturismo, por exemplo”.
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