Mariana Matos: “O azeite é sempre melhor mais novo”
“Não há um azeite, mas mil azeites diferentes, porque como é um produto natural, pode diferir de ano para ano, o que é a riqueza do azeite”, afirmou Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, no videocast “Agricultura no Feminino”, uma iniciativa no âmbito do Prémio Nacional de Agricultura, promovido pelo BPI, pela Medialivre, e que conta com o apoio do Ministério da Agricultura e Pescas e da PwC.
“Os azeites que têm no rótulo a designação de ‘virgem extra’ significam que são 100% sumo de azeitona, de extração natural, sem nenhum aditivo, e são azeites de qualidade superior porque não têm nenhum defeito organolético”, refere Mariana Matos. Explica que a classificação do azeite é determinada por uma prova organolética obrigatória do produto por uma câmara de provadores, que utiliza uma escala de 1 a 10. É feita com base num método científico trabalhado ao nível do Conselho Oleícola Internacional para que os resultados sejam coerentes e harmonizados, mas “não deixa de ter alguma subjetividade”, como admite Mariana Matos.
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Se tiver uma classificação até 3,5 nas provas e as características químicas corretas, é considerado como “azeite virgem”. Este ligeiro defeito organolético pode ter a ver com a qualidade da azeitona ou o estado de maturação, por exemplo. Mariana Matos acrescenta que “se o azeite for para cozinhar, este defeito organolético não tem relevância absolutamente nenhuma, tem excelente qualidade e contém os benefícios nutricionais do azeite”.
Azeite de excelência
Existe ainda o “azeite lampante”, denominação associada aos tempos em que este azeite era usado nas lamparinas para iluminação, porque não era bom para a cozinha, pois tinha defeitos químicos e organoléticos. “Este azeite não pode ser vendido ao público diretamente, tem de ir para uma refinadora para serem removidos os defeitos, e obtém-se um produto que é azeite refinado, que também não pode ser vendido ao consumidor final. Este azeite refinado tem de ser loteado com azeite virgem e virgem extra, dando origem à categoria de ‘azeite’, que contém azeite refinado e azeite virgem”, refere Mariana Matos.
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Esta prova organolética obrigatória tem como objetivo garantir a qualidade do azeite e a sua segurança alimentar. Para Mariana Matos, fraude alimentar é “vender como azeite outro óleo, ou uma mistura com outros óleos. Isso é fraude porque se está a enganar o consumidor, o que felizmente ocorre muito pouco”. Depois existem situações que são confundidas com fraude, mas que não o são. Mariana Matos dá o exemplo de um painel de provadores que considera que um azeite que está etiquetado como azeite extra tem um “pequeno defeito e por isso não devia ter a etiqueta. Mas isto não é fraude, mas sim ausência de características para ser azeite extra”.
Mariana Matos lembra que “o azeite é sempre melhor mais novo e tem um prazo de validade de 12 a 18 meses, mas não é definido por lei, o prazo de validade é da responsabilidade do embalador, que pode definir que é dois anos, e o meu colega pode definir que é seis meses”. As variedades e a sua maturação, a passagem do tempo, as oxidações, que são aceleradas pela temperatura e pela luz, degradam o produto, “o que leva depois ao aparecimento do ranço, porque, em certas condições, todas as gorduras se degradam química e organoleticamente”. Mariana Matos acrescenta que “às vezes, nas ações de fiscalização, detetam o que consideram, grosso modo, como fraude, mas que decorre da desclassificação organolética que, muitas vezes, decorre das condições de conservação”.
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Associação patronal
A Casa do Azeite é uma associação patronal privada que representa e dá apoio às empresas e marcas de azeite presentes no mercado português e que exportam para mais de 70 países. Participa nos principais fóruns de discussão e regulamentação mundial, como a Comissão Europeia e o Conselho Oleícola Internacional e, em Portugal, junto do Ministério da Agricultura, da Economia e dos Negócios Estrangeiros.
Mariana Matos foi a protagonista do último episódio do videocast “Agricultura no Feminino”, uma iniciativa no âmbito do Prémio Nacional de Agricultura, promovido pelo BPI e pela Medialivre, com o apoio do Ministério da Agricultura e Pescas e da PwC. Este projeto visa destacar a agricultura no feminino, as mulheres que se dedicam a esta área fundamental da sociedade, abordando também a sustentabilidade e a inovação, temas essenciais na atualidade e nesta edição do prémio, que destaca o papel das mulheres no setor agrícola.
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