No BPI, a inovação é hoje encarada como um elemento estrutural da execução da estratégia e não como um exercício autónomo ou meramente tecnológico. Ao Negócios, Afonso Eça, administrador executivo do banco, explica tratar-se sobretudo de um meio para atingir um objetivo muito concreto. “A inovação é um instrumento central de execução da estratégia do BPI. É um meio que temos para atingir um fim, servir melhor os nossos clientes.”
Essa visão tem-se vindo a aprofundar nos últimos anos, acompanhando a própria evolução do banco. Se numa fase inicial a prioridade esteve mais centrada na digitalização de canais e processos, o enfoque atual é, segundo este executivo, claramente mais abrangente. O responsável explica que “o foco tem evoluído de uma lógica mais centrada em ‘digitalização’ – canais, processos, migração de serviços – para uma abordagem cada vez mais transversal”, orientada para melhorar a experiência do cliente, aumentar a eficiência operacional e reforçar a qualidade dos processos de decisão.
No BPI, o impacto da inovação é, explica Afonso Eça, medido sobretudo pelos efeitos práticos que produz no dia a dia. A redução dos tempos de resposta no crédito à habitação é um exemplo concreto dessa abordagem. “Quando diminuímos os tempos de resposta, sabemos que estamos a aumentar os níveis de satisfação com a qualidade de serviço”, sublinha Afonso Eça. O mesmo raciocínio aplica-se à redução de fricções em processos críticos, ao aumento da eficiência operacional e à capacidade de apoiar decisões mais rápidas e mais informadas.
Adequação às soluções de financiamento
No segmento empresarial, esse impacto traduz-se numa maior adequação das soluções de financiamento e numa resposta mais célere às necessidades das empresas. Segundo o administrador executivo, a inovação permite também “fazer um acompanhamento mais próximo das diferentes fases de crescimento”. Já no caso dos clientes particulares, o efeito é sentido sobretudo na relação com o banco, que se quer cada vez mais simples, conveniente e segura.
A transformação estrutural que atravessa o setor financeiro coloca a inovação num lugar ainda mais central. Para Afonso Eça, a diversidade de serviços de um banco universal como o BPI aumenta a pressão competitiva, não apenas face a outros bancos, mas também perante novos intervenientes especializados. “Esse contexto traz maior responsabilidade para continuar a inovar, dada a necessidade constante de adaptação do negócio, dos processos e das próprias equipas”, afirma.
Entre as áreas onde a inovação é hoje mais crítica, o responsável destaca a simplificação da experiência do cliente, mas também o uso responsável da tecnologia. “A inovação é particularmente crítica na utilização responsável de dados e da inteligência artificial para melhorar a decisão e a prevenção de fraude”, refere. A esse esforço soma-se o investimento contínuo no “reforço da cibersegurança e da resiliência operacional”.
Internamente, a inovação é trabalhada através de uma “articulação clara entre tecnologia, pessoas e governação”, com projetos desenvolvidos por equipas multidisciplinares que envolvem, desde o início, áreas de negócio, inovação, tecnologia, risco e compliance. Esta abordagem permite, diz a entidade, garantir soluções robustas, seguras e escaláveis, num processo que descreve como contínuo, de adaptação e validação.
Em paralelo, o banco tem investido na capacitação das equipas e na atração de talento, promovendo uma cultura em que a inovação faz parte do quotidiano. Esse trabalho é sempre orientado, sublinha este responsável, por critérios de rigor, responsabilidade e criação de valor.
O (importante) papel das parcerias
Também as parcerias com o ecossistema externo assumem um papel relevante nesta estratégia. Para o administrador executivo, a colaboração com empresas, universidades e parceiros tecnológicos permite acelerar o acesso a conhecimento especializado e a soluções emergentes. “Facilita a experimentação, a validação em contexto real e a resposta a vários desafios complexos”, resume.
É também neste enquadramento que se insere a ligação do BPI ao Prémio Nacional de Inovação. Afonso Eça explica que esta associação reflete o compromisso do banco com a promoção de uma economia mais competitiva. “Queremos continuar a contribuir ativamente para um ecossistema que reconhece a inovação aplicada, com capacidade de gerar crescimento sustentável”, afirma, sublinhando ainda a importância de reforçar a proximidade com as empresas.
Quando olha para o futuro da economia portuguesa, o responsável aponta para projetos que consigam combinar inovação com impacto real. Na sua perspetiva, são particularmente relevantes iniciativas que reforcem a produtividade e tenham capacidade de escala. “É importante que os projetos mostrem uma orientação clara para o mercado, modelos sustentáveis e que contribuam para uma economia mais internacional e competitiva”, afirma.
Apesar da evolução positiva registada nos últimos anos, persistem desafios no financiamento da inovação em Portugal. Afonso Eça reconhece que “muitas empresas enfrentam dificuldades em aceder a capital num contexto mais inicial de risco elevado e de resultados ainda em consolidação”. Acresce, no seu entender, a complexidade das candidaturas a alguns instrumentos de financiamento, que podem ser exigentes para empresas de menor dimensão. “Do lado do BPI, temos procurado apoiar o crescimento dos empresários que ousam fazer diferente, simplificar o acesso a fundos europeus e, no fundo, contribuir para sermos uma economia cada vez mais centrada na inovação”.
A maturidade das empresas portuguesas neste domínio tem vindo a crescer, embora de forma desigual. Existem organizações onde a inovação está plenamente integrada na estratégia e na gestão diária, enquanto noutras surge ainda de forma mais pontual. Para Afonso Eça, a maturidade consolida-se quando “a inovação deixa de ser um projeto isolado e passa a ser uma capacidade contínua”, sustentada pela gestão, com investimento consistente e métricas claras de desempenho.
A mensagem final dirigida às empresas que ponderam candidatar-se ao Prémio Nacional de Inovação é de estímulo, mas também de exigência. “Queremos avaliar projetos que resolvam problemas concretos e com impacto mensurável”, afirma. Mais do que a ideia, conta a clareza do modelo, a utilização responsável da tecnologia e a visão de crescimento sustentável. A candidatura, conclui, deve ser encarada como uma oportunidade de reflexão, de visibilidade e de criação de contactos determinantes para a próxima fase de desenvolvimento.