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Pedro Coelho: “A inovação é uma responsabilidade”

Inovar deixou de ser apenas uma resposta tecnológica para se afirmar como um compromisso estratégico, assume Pedro Coelho, diretor-geral da HP Portugal, empresa na qual a inovação é pensada como responsabilidade empresarial, capaz de ligar desempenho, sustentabilidade e novas formas de trabalhar.

14:00
Pedro Coelho reconhece que a inovação é hoje um pilar estratégico da empresa.
Pedro Coelho reconhece que a inovação é hoje um pilar estratégico da empresa. DR
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Pedro Coelho reconhece que a inovação é hoje um pilar estratégico da empresa.

A inovação deixou de ser apenas um vetor tecnológico para assumir um papel estruturante na forma como a HP se posiciona e toma decisões, disse ao Negócios Pedro Coelho, diretor-geral da HP Portugal. Nesta tecnológica, a missão inovação passou a ser entendida como “o alicerce da visão que orienta toda a organização” e não como um fim em si mesma. Passou a ser encarada, mais do que tudo, como “uma responsabilidade”. É através dela que a empresa procura criar soluções “mais inteligentes, mais humanas e mais sustentáveis”, capazes de responder às exigências do presente sem perder de vista o impacto no futuro.

Essa visão orienta o compromisso da empresa em desenvolver soluções capazes de melhorar a experiência de trabalho, reforçar a competitividade das organizações e contribuir para um futuro em que progresso económico e responsabilidade ambiental coexistem. Um exemplo recente dessa abordagem é o trabalho desenvolvido em novos formatos de equipamento, como o EliteBoard, apresentado na CES 2026, que condensa um PC completo num teclado. Mais do que um lançamento emblemático, este dispositivo ilustra, nas palavras de Pedro Coelho, a intenção de “adaptar a tecnologia aos novos ritmos e espaços de trabalho, em vez de esperar que sejam as pessoas a adaptarem-se à tecnologia”.

Ao longo dos últimos anos, a forma como a HP integra a inovação nos seus produtos, serviços e modelos de negócio tem evoluído de forma clara. Segundo o diretor-geral da HP Portugal, a empresa deixou de trabalhar apenas no aperfeiçoamento de dispositivos para passar a desenhar “experiências completas, que combinam hardware, software, inteligência artificial, serviços geridos e modelos circulares”. A lógica mudou de uma simples atualização tecnológica para uma reinvenção contínua, incorporando capacidades preditivas, fluxos automatizados, ferramentas colaborativas e modelos flexíveis que ajudam os clientes a acompanhar o ritmo do mundo digital.

A inteligência artificial, os dados e a automação estão a ter um papel determinante nessa transformação, redefinindo a forma como a HP serve clientes empresariais e institucionais. Pedro Coelho explica que “a inovação já não se manifesta apenas nos novos dispositivos, mas também no suporte e na gestão das infraestruturas tecnológicas”. A funcionalidade de recuperação de equipamentos na Workforce Experience Platform responde, segundo o responsável, a “um problema real”, o tempo perdido com falhas críticas que exigem intervenção física dos técnicos. Ao permitir a recuperação remota mesmo quando o sistema não arranca, esta solução reduz custos e a dependência logística, sendo particularmente valorizada por empresas com grandes parques de equipamentos.

A inovação passou a ser entendida como o alicerce da visão que orienta toda a organização. Não existe inovação sem sustentabilidade. Pedro Coelho, Diretor-geral da HP Portugal

Em paralelo, a execução de inteligência artificial local nos dispositivos, como acontece nos modelos EliteBook X G2, reflete uma opção estratégica. Para Pedro Coelho, esta abordagem permite “diminuir a dependência da cloud”, tanto por razões de eficiência como de confidencialidade, uma preocupação crescente em setores sensíveis. A inovação passa, assim, por colocar inteligência mais perto do utilizador, reforçando segurança, desempenho e autonomia.

Sustentabilidade é eixo fundamental

A sustentabilidade é outro eixo indissociável da inovação na HP. Para o responsável, “não existe inovação sem sustentabilidade”. A economia circular, a redução da pegada carbónica e o uso responsável de materiais influenciam o desenho de cada produto e o desenvolvimento de cada serviço. A tecnologia é entendida como um instrumento essencial nesta transição, desde a conceção com materiais reciclados à otimização energética, passando por modelos de reutilização e recolha que prolongam o ciclo de vida dos dispositivos. Inovar, explica, é “criar soluções que reduzam impacto e aumentem valor, simultaneamente”, numa abordagem consistente que procura desenvolver produtos capazes de durar mais tempo, consumir menos recursos e minimizar o impacto ambiental sem comprometer o desempenho.

As parcerias desempenham um papel central neste modelo. Pedro Coelho sublinha que nenhuma transformação acontece de forma isolada e que a HP construiu um ecossistema de inovação que envolve universidades, centros de investigação, startups, parceiros de canal e grandes organizações. Esta rede permite acelerar o desenvolvimento tecnológico, fomentar a experimentação e “multiplicar o impacto das soluções no mercado”. Ao colaborar com diferentes agentes, acrescenta, a empresa reforça a capacidade de antecipar tendências, escalar ideias e criar valor partilhado.

Promover uma cultura de inovação numa organização global e de grande escala exige, ainda assim, uma abordagem estruturada. Segundo o diretor-geral da HP Portugal, isso passa por cultivar uma cultura que valorize curiosidade, aprendizagem contínua e autonomia criativa. A empresa incentiva as equipas a testar, explorar e colaborar além de fronteiras, apoiada por programas internos que desafiam os colaboradores a propor soluções, desenvolver projetos e participar ativamente no futuro do negócio. Esta cultura é sustentada por uma missão clara: “inovar com propósito, com impacto e com responsabilidade”.

Na experiência da HP, os maiores desafios das empresas quando tentam inovar de forma estruturada não residem na falta de ideias. Para Pedro Coelho, o principal obstáculo está na dificuldade em transformar essas ideias em impacto real e sustentado. A dependência de sistemas antigos, a escassez de talento especializado, a necessidade de retorno rápido e a pressão do dia a dia limitam a capacidade de pensar e agir de forma transformadora. A inovação só acontece, sublinha, quando existe “visão estratégica, coragem para mudar e uma arquitetura tecnológica que permita escalar novas soluções

Evolução acelerada da IA

O responsável identifica, para os próximos anos, várias áreas particularmente promissoras para a aplicação de inovação tecnológica. A próxima década será marcada, na sua leitura, pela evolução acelerada da inteligência artificial aplicada ao trabalho híbrido, pela automação avançada de fluxos documentais, pelos modelos circulares, pela segurança digital integrada e pela expansão da computação de ponta. “Estes domínios têm potencial para transformar indústrias inteiras e abrem oportunidades significativas tanto para fornecedores de tecnologia como para organizações que procuram aumentar eficiência e resiliência”.

A associação da HP Portugal ao Prémio Nacional de Inovação insere-se nessa visão de impacto e compromisso com o ecossistema. Para Pedro Coelho, esta parceria representa uma oportunidade de “apoiar, reconhecer e amplificar o talento português”, reforçando o contributo da inovação para o desenvolvimento económico e tecnológico do país. Trata-se, afirma, de um gesto claro de reconhecimento das empresas que ousam liderar a transformação e assumir a inovação como diferencial estratégico.

O executivo assume que a inovação exige ambição, resiliência e visão de futuro. O conselho da HP é simples: “avancem”. “Aproveitem o prémio como uma plataforma para mostrar o vosso potencial, validar estratégias, atrair talento e inspirar o ecossistema empresarial. Portugal tem capacidade, criatividade e know-how para liderar em múltiplos setores, e este prémio é uma oportunidade para transformar essa capacidade em impacto reconhecido”.

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