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Brisa, inovação responsável num setor crítico

Pragmatismo e fiabilidade são essenciais numa atividade baseada em infraestruturas críticas. Na Brisa, a inovação avança com responsabilidade, transformando a mobilidade sem comprometer a segurança e a continuidade do serviço.

22 de Janeiro de 2026 às 15:00
Ana Almeida Simões espera ver projetos “cada vez mais maduros, colaborativos e orientados para o impacto”, reforçando o PNI enquanto catalisador da inovação em Portugal.
Ana Almeida Simões espera ver projetos “cada vez mais maduros, colaborativos e orientados para o impacto”, reforçando o PNI enquanto catalisador da inovação em Portugal. Sérgio Lemos
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“No Grupo Brisa, a inovação integra-se de forma pragmática e responsável”, disse ao Negócios Ana Almeida Simões, administradora da Via Verde. Trabalhando em infraestruturas críticas a inovação não pode ser dissociada de princípios fundamentais. Tem de estar sempre alinhada com segurança, fiabilidade e continuidade do serviço, o que implica uma abordagem cautelosa, mas não conservadora. Inovar, nas suas palavras, passa por “testar, aprender e evoluir, mantendo sempre o foco em resolver problemas reais e gerar valor sustentável”.

Essa abordagem está refletida numa estratégia de inovação estruturada em quatro grandes verticais, diretamente ligadas às prioridades estratégicas do grupo. Segurança rodoviária; sustentabilidade e transição energética; mobilidade autónoma e conectada; e mobilidade urbana e smart cities. De acordo com Ana Almeida Simões, esta organização permite concentrar esforços onde a inovação pode gerar maior impacto, sem nunca comprometer a natureza crítica das infraestruturas.

No domínio da segurança rodoviária, a responsável explica que a inovação é orientada para a proteção dos clientes e dos trabalhadores, bem como para a melhoria contínua das condições da infraestrutura, recorrendo a “tecnologia, dados e novos modelos de monitorização e prevenção”. O objetivo passa por antecipar riscos e reforçar a segurança de forma sistemática, integrando soluções tecnológicas nos processos de gestão e operação.

Na área da sustentabilidade e transição energética, a inovação surge como elemento central para cumprir os objetivos de descarbonização e liderar a evolução do setor para novos modelos energéticos. Ana Almeida Simões aponta como exemplo “o desenvolvimento de hubs de carregamento rápido, como o recentemente inaugurado na A5, que vão além da simples infraestrutura física ao integrarem soluções inovadoras ao nível da gestão energética, da experiência do utilizador e da integração com o ecossistema de mobilidade elétrica”.

O desafio da mobilidade autónoma

No eixo da mobilidade autónoma e conectada, a administradora da Via Verde refere que a Brisa está a preparar um futuro cada vez mais próximo, no qual os veículos circulam de forma autónoma e conectada. Nesse contexto, têm realizados testes de comunicação entre os veículos e o centro operacional do grupo, reforçando “capacidades críticas para a segurança, a eficiência e a gestão inteligente da infraestrutura”.

A segurança nunca é negociável e a inovação só faz sentido quando reforça, e nunca compromete, a fiabilidade dos sistemas. Ana Almeida Simões Administradora da Via Verde

É na área da mobilidade urbana e smart cities que a inovação se cruza de forma mais direta com a Via Verde. Segundo Ana Almeida Simões, a inovação materializa-se num verdadeiro cluster de soluções digitais que procuram simplificar a vida dos utilizadores em contexto urbano. Através da app Via Verde, têm vindo a ser integradas funcionalidades como o Parking Buddy, que “utiliza machine learning para antecipar a disponibilidade de estacionamento”, bem como soluções de pagamento de transportes públicos, scooters e outras formas de micromobilidade.

De forma transversal, a tecnologia está a transformar a mobilidade e a experiência do utilizador. A responsável afirma que essa transformação está a tornar a mobilidade “mais fluida, personalizada e previsível, através de sistemas de pagamento mais simples, informação em tempo real, automação e serviços digitais.” O objetivo é “reduzir fricção, aumentar conveniência e apoiar decisões mais informadas”.

Num setor onde a fiabilidade operacional é determinante, equilibrar inovação e segurança é uma preocupação permanente. Segundo Ana Almeida Simões, “a inovação é introduzida de forma faseada, muitas vezes através de pilotos e provas de conceito, sempre com validação técnica e operacional rigorosa”. A regra é clara. “A segurança nunca é negociável e a inovação só faz sentido quando reforça, e nunca compromete, a fiabilidade dos sistemas.”

Os dados e a inteligência artificial assumem, neste contexto, um papel estruturante. A administradora da Via Verde sublinha que estas tecnologias são fundamentais para “antecipar padrões, otimizar operações e apoiar decisões em tempo real, permitindo melhorar a gestão do tráfego, a manutenção das infraestruturas e a eficiência global dos sistemas de mobilidade.”

Programa de ideação interno

Promover a inovação internamente numa organização de grande dimensão exige também mecanismos próprios. Ana Almeida Simões explica que criar ligações faz parte do ADN do Grupo Brisa, mas que a inovação precisa muitas vezes de ser gerada de forma estruturada, “como se de um laboratório se tratasse”. Para isso, é necessário criar espaço, oportunidades de envolvimento e ligação direta ao negócio. O grupo dispõe de um programa interno de ideação que promove a partilha de ideias entre colaboradores e desenvolve iniciativas de capacitação, como formação em ferramentas de inteligência artificial e talks temáticas.

A inovação é igualmente impulsionada através de parcerias externas. A responsável refere o trabalho desenvolvido com entidades do ecossistema de startups e com instituições académicas como a Nova e o IST, que permitem abordar temas estratégicos e operacionais em equipas multidisciplinares, envolvendo colaboradores, startups e estudantes. A este modelo junta-se uma rede de embaixadores internos, que facilita a ligação às unidades de negócio e ajuda a garantir que as equipas se focam nos desafios concretos lançados pela organização. “A inovação nasce do trabalho de equipas multidisciplinares, que abraçam desafios concretos, que colaboram com parceiros externos e que bebem de uma cultura que valoriza aprendizagem e experimentação, sem perder o foco na execução”.

A associação da Brisa ao Prémio Nacional de Inovação enquadra-se nesta visão. Ana Almeida Simões afirma que essa ligação reflete o compromisso do grupo com a promoção da inovação em Portugal, “não apenas como motor de competitividade, mas como alavanca de impacto positivo na sociedade”. O PNI é visto como uma plataforma relevante para reconhecer talento, fomentar a colaboração entre diferentes atores do ecossistema e dar visibilidade a projetos com impacto real.

A inovação nasce do trabalho de equipas multidisciplinares, que abraçam desafios concretos, que colaboram com parceiros externos e que bebem de uma cultura que valoriza aprendizagem e experimentação, sem perder o foco na execução. Ana Almeida Simões Administradora da Via Verde

Esse papel ganha particular relevância num momento em que é necessário repensar a forma como as empresas se relacionam com as comunidades, o espaço público, as cidades e os territórios. Na leitura da administradora da Via Verde, esta é uma área central para responder a desafios estruturais como a coesão territorial, a sustentabilidade e a qualidade de vida, valorizando projetos que colocam a inovação ao serviço de uma mobilidade mais integrada, inclusiva e orientada para o futuro.

Ana Almeida Simões antecipa, no futuro da mobilidade, sistemas cada vez mais conectados e inteligentes, capazes de integrar infraestruturas físicas e tecnologia digital. Esses sistemas permitirão “comunicação mais eficaz entre carros e infraestrutura e uma gestão mais eficiente, sustentável e segura da mobilidade”. Os dados e a inteligência artificial continuarão a ter um papel central, ajudando a antecipar padrões de utilização, otimizar operações e melhorar a experiência do utilizador em tempo real.

Apesar do talento e da capacidade técnica existentes em Portugal, persistem desafios na inovação ligada a infraestruturas e mobilidade, nomeadamente ao nível da escala, da integração entre sistemas, da regulação e da velocidade de adoção. O desafio, conclui, “passa por transformar esse potencial em impacto consistente.”

Para esta nova edição do Prémio Nacional de Inovação, a expectativa da Brisa é ver projetos “cada vez mais maduros, colaborativos e orientados a impacto, reforçando o prémio como ponto de encontro entre empresas, startups, academia e setor público e como catalisador da inovação em Portugal.”

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