“O ethos, a sua natureza, o seu carácter e a sua alma são a fonte de todas as possibilidades e são os valores associados a estes princípios morais e éticos que nos fazem uma comunidade empresarial de trabalhadores”, afirma José Teixeira, presidente do Grupo DST. Entre esses valores estão o gosto de fazer bem, o saber prático e a importância atribuída à ética e à responsabilidade.
Segundo o presidente do Grupo DST, esta cultura empresarial radica na herança deixada pelo fundador, Domingos da Silva Teixeira, que nos anos 1940, em Braga, iniciou os negócios com a extração de pedra para a construção do Estádio 1.º de Maio. Desde 2010, o Grupo DST é liderado por José Teixeira, filho do fundador, engenheiro civil, que assumiu a presidência à morte do pai e partilha a gestão com os irmãos Hernâni, Joaquim e Avelino. Revela ainda que “a próxima geração já está no grupo, em funções de altíssima responsabilidade”.
Democracia empresarial
A escassez de trabalhadores qualificados, particularmente na construção e engenharia, é um dos maiores desafios do crescimento. A resposta da DST passa por uma política de formação que atravessa diferentes níveis de qualificação. O grupo tem CTeSP, mestrados e doutoramentos e criou a Escola Industrial DST para jovens do ensino secundário.
“É em momentos de stress e de escassez que o conhecimento e a democracia empresarial dão provas de serem o nutriente do crescimento sustentável”, diz José Teixeira. “Temos formação em toda a cadeia de valor do trabalho”, diz José Teixeira. A empresa procura também alterar o perfil tradicional do sector, nomeadamente através da entrada de mais mulheres em funções que anteriormente eram predominantemente masculinas. A participação dos trabalhadores é outra dimensão desta cultura empresarial. José Teixeira defende uma organização que não se limite a exigir obediência e diz que a participação trouxe “mais entendimento, mais cooperação e compreensão”. Alguns trabalhadores já são accionistas da empresa e a intenção é continuar a aprofundar esse caminho. Além disso a empresa paga mais que a concorrência, “fazemos muito mais festas. No nosso grupo de empresas temos muito tempo de cigarra”.
A cultura e a inovação
A cultura, por sua vez, é apresentada como um instrumento de inovação. Na DST há formação em filosofia, retórica e história da arte, bem como leitura durante o horário de trabalho. Para o presidente do grupo, estes elementos têm reflexos concretos na capacidade criativa da organização. “Mede-se pela quantidade de ideias que aparecem na nossa caixa de inovação, pela nossa faturação, pelo nosso EBITDA, pela diversidade de negócios que temos, pela complexidade e originalidade de negócios que temos. Só com a física, a matemática e a química não conseguiríamos trabalhadores tão livres, tão emancipados e criativos”, considerou José Teixeira.
A DST tem um capital de risco que se liga directamente ao modelo de inovação do grupo, e que apoia start-ups, investe em patentes e procura transformar conhecimento interno em novos negócios. “Existe um comité para avaliar os projectos e é esse comité quem decide também as spin-offs que temos criado a partir do “saber das multidões” nas nossas empresas”, explica José Teixeira. É neste cruzamento entre empresa, pessoas, conhecimento e cultura que José Teixeira coloca também o MUZEU, investimento de 40 milhões de euros inaugurado em 2026.