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Sysadvance: de spin-off universitária a empresa global

A Sysadvance atravessa uma fase de forte crescimento internacional, após um percurso de mais de duas décadas iniciado como spin-off da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, através da capacidade de transformar tecnologia desenvolvida internamente em produtos para mercados exigentes.

Instalações da Sysadvance, onde o grupo desenvolve soluções tecnológicas para as áreas industrial, médica e de energia, destinadas a mercados internacionais.
Instalações da Sysadvance, onde o grupo desenvolve soluções tecnológicas para as áreas industrial, médica e de energia, destinadas a mercados internacionais. D.R.
28 de Setembro de 2026 às 14:00
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“2025 foi um ano de continuação de forte crescimento da Sysadvance, tendência que se manifestava desde 2023. O volume de negócios consolidado cresceu de 43 milhões de euros em 2024 para 71 milhões em 2025, com uma intensidade de exportações de 93%. Foi, assim, um ano de excelente performance, por via do crescimento internacional do grupo”, afirma José Vale Machado, presidente da Sysadvance, empresa que na edição de 2025 foi a vencedora do Prémio Revelação dos Prémios Exportação & Internacionalização, organizados pelo Novo Banco e o Negócios, em parceria com a Iberinform.

Para 2026, a prioridade passa por consolidar esta trajetória, num contexto internacional que o responsável considera marcado por “múltiplas incertezas”.

Criada há 22 anos, a empresa começou a sua internacionalização com a criação e qualificação de uma rede de distribuidores e agentes que chegou a cerca de 71 países. Esta estratégia permitiu à Sysadvance crescer, mas revelou também limitações à medida que a dimensão dos projetos aumentou. “Esta estratégia de internacionalização permitiu à Sysadvance crescer até uma dimensão próxima de 15 milhões de euros. No entanto, esta mesma estratégia não permite o contacto direto com os seus principais clientes, o que passou a constituir uma debilidade estratégica”, explica José Vale Machado.

Mercados estratégicos

A resposta foi avançar para operações próprias em mercados considerados estratégicos. Em 2022, abriu a filial de Vancouver, no Canadá, que, no primeiro ano, duplicou vendas e hoje representa quase metade da faturação. O Brasil, onde a empresa já estava presente desde 2005, passou também a contar, em 2025, com uma estrutura própria, devido à complexidade e ao grau de regulação do mercado, tal como a Letónia.

Hoje, o grupo tem cerca de 150 colaboradores distribuídos pelas quatro unidades. A dimensão relativamente compacta da estrutura é compensada pela estandardização dos produtos e pela utilização de sistemas de informação integrados. “A empresa tem conseguido uma evolução favorável internacionalmente, com a estrutura de colaboradores compacta, recorrendo a uma forte estandardização dos seus produtos e sistemas de informação”, explica o presidente.

O próximo desafio está, contudo, nas pessoas. “Para a Sysadvance, o principal desafio é consolidar a sua presença nos mercados internacionais, nas três áreas de negócio industrial, médico e de energia. A consolidação dessa posição requer esforços consideráveis na contratação de recursos humanos com valências específicas, nem sempre disponíveis”, afirma José Vale Machado.

A criação da holding

A empresa está a reforçar recursos comerciais em vários mercados, nomeadamente na Polónia, Espanha, Itália e no Reino Unido, enquanto acompanha a evolução do mercado indiano e, ao mesmo tempo, procura aprofundar a sua capacidade tecnológica. Em 2023 foi constituída a holding Global Gas Solutions Holdings, SGPS, que hoje agrega todos os negócios da Sysadvance. Além das vantagens organizacionais para a gestão multinacional, pode ser um “veículo para a captação de capital para o financiamento da expansão do grupo, quer internacionalmente, quer em outras áreas, como o investimento em unidades próprias para Own&Operate de biometano, como no caso da Sysadvance Bioenergy, que se encontra a desenvolver dois projetos de raiz de biometano na zona da Póvoa”, afirma José Vale Machado.

Nascida em 2002 da iniciativa de dois antigos doutorandos da Universidade do Porto, José Vale Machado e Paulo Taveira, a Sysadvance tinha como ambição transferir para o mercado tecnologia desenvolvida no espaço universitário. “O sonho era realizar a transferência de tecnologia latente em espaço universitário para o mercado, em tecnologias e produtos de elevado valor acrescentado. Penso que esse sonho se tornou hoje realidade”, conclui José Vale Machado.

  Principais marcos da Sysadvance
2003: As primeiras vendas de geradores de Azoto em Portugal
2005: As primeiras exportações para Espanha e Brasil.
2012: A certificação como produtores de dispositivos médicos pela SGS.
2016: O arranque das primeiras unidades Methagen em 2016 em Portugal e EUA aumentou a diferenciação.
2018: A primeira unidade de purificação de biogás de aterro em França.
2020: Certificação e produção do primeiro e único ventilador de cuidados intensivos português, SYSVent, que foi desenvolvido e certificado em 11 meses, durante a pandemia do COVID-19.
2022: Abertura da filial em Vancouver (Canadá)
2025: Abertura das filiais no Brasil e na Letónia.

 

Biometano, gases críticos e tecnologia para novos mercados

A Sysadvance começou com a venda em Portugal dos primeiros geradores de azoto, em 2003, e evoluiu para uma empresa mundial nas áreas industrial, médica e energética.

A divisão de energia, sobretudo através das soluções de purificação de biogás para produção de biometano, foi responsável por cerca de 60% da faturação em 2025 e tem sido a área de maior crescimento do grupo nos últimos cinco anos. Mas, como salienta José Vale Machado, “a empresa tem feito investimentos importantes no marketing, além da criação de estruturas internacionais para vendas e serviços de apoio às divisões industrial e médica. Nesse contexto, estas duas áreas praticamente irão duplicar a sua faturação durante o ano de 2026”.

A empresa utiliza tecnologia de adsorção por variação de pressão (PSA/VPSA), aplicada à geração e purificação de gases como azoto, oxigénio, biometano, hélio e hidrogénio. Segundo José Vale Machado, a tecnologia distingue-se pela capacidade de separar moléculas através das características dos materiais utilizados no processo.

O desenvolvimento tecnológico está no DNA fundacional da Sysadvance. José Vale Machado, Presidente da Sysadvance

“Esta tecnologia, ‘embalada’ em produtos da Sysadvance, tem conseguido uma penetração forte em mercados industriais exigentes, ou em meios de operação difíceis, como as centrais de biogás, com resultados robustos e eficientes”, refere José Vale Machado. Acrescenta que “o desenvolvimento tecnológico está no DNA fundacional da Sysadvance”, que conta com dez doutorados e uma equipa de 30 pessoas dedicada ao desenvolvimento de tecnologia e produto, no qual investiu, em 2025, 866 mil euros.

Biometano e hélio

O biometano tornou-se uma das áreas mais relevantes. José Vale Machado considera que a tecnologia tem uma dupla vantagem ambiental porque permite valorizar resíduos orgânicos através do tratamento controlado e evita a emissão de metano resultante de processos de degradação biológica não controlados. “Este gás é 80 vezes mais potente que o CO22 como gás de efeito de estufa. Assim, o biometano tem tido uma expansão acelerada, estando agora a chegar a países na América Latina e na Índia”, observa José Vale Machado.

Segundo o líder da Sysadvance, países como França, Alemanha, Itália e Reino Unido já têm um número significativo de unidades de produção de biometano, destinado quer à mobilidade quer à injeção nas redes de gás. Em Portugal, apesar da existência de regulamentação para a injeção na rede, existem obstáculos ao desenvolvimento do setor, como os longos processos de licenciamento e a ausência de incentivos ao investimento. Apesar disso, a empresa está a avançar também para o modelo de produção própria através da Sysadvance Bioenergy.

A empresa procura novas oportunidades em gases de maior valor acrescentado, como é o caso do hélio, que “é um gás amplamente utilizado na indústria e noutros setores, com custos significativos. A título de exemplo, 1 m3 de azoto tem um custo aproximado de 0,80 euros, enquanto o mesmo volume de hélio pode custar entre 17 euros e 30 euros”, demonstra José Vale Machado. O seu elevado custo torna particularmente relevante a recuperação e purificação, num conjunto de setores que vai muito além da indústria aeroespacial. “O hélio é um gás raro e caro, mas fundamental para uma série de aplicações industriais, nos setores automóvel, ar condicionado, eletrónica e telecomunicações, entre muitos outros.

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