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O valor dos dados e o peso das perceções

Que saúde queremos, que modelo de saúde, que sistema de saúde, que SNS pretendemos?

Filipe S. Fernandes 10 de Novembro de 2021 às 17:00
Diogo Serras Lopes, secretário de Estado da Saúde Mariline Alves
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"É essencial que a discussão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) seja assente em boa informação e análise de dados concretos e não em soundbites dependentes da espuma dos dias", disse Diogo Serras Lopes, secretário de Estado da Saúde. "Sabemos que não conseguimos gerir o que não conseguimos medir. Por isso, é importante conseguir indicadores objetivos mensuráveis cujo entendimento seja partilhado por todos."

Diogo Serras Lopes voltou a uma pergunta - "qual é o valor que têm os factos face a opiniões e imagens que ganham ou vão ganhando espaço na mente das pessoas? - para depois desfiar números. "Em 2021, temos menos um milhão de episódios de urgência do que tivemos em 2019, mas este número pode pouquíssimo face à imagem de uma urgência cheia ou que experimente uma dificuldade pontual por uma razão específica."

Prosseguiu nas suas inquietações sobre o peso das perceções e o valor dos números e dos dados. Foram mais oito mil cirurgias de janeiro a setembro de 2021 face a 2019, ano de produção recorde no SNS. O número de operados em cirurgia oncológica está a aumentar e a média de tempo de espera está a diminuir face ao mesmo ano e o retomar e alargar a rastreios de cancro de mama, cólon ou reto.

Problemas e desafios

Os cuidados de saúde primários estão a fazer mais três milhões de consultas médicas além dos cinco mil milhões de euros que se prevê investir em recursos humanos em 2022, "um investimento que, aliás, está a crescer a um ritmo de 10% face ao ano de 2020 e tem registado crescimentos significativos em todos os anos anteriores ou ainda os 86% de população com vacinação completa conseguidos pelo SNS em nove meses, o que nos coloca na posição de sermos o país com melhor taxa de vacinação do mundo", referiu Diogo Serras Lopes.

O secretário de Estado da Saúde reconheceu que existem muitos problemas, e que há muitos desafios. "Sabemos que a saúde lida com algumas das mais poderosas empresas do mundo bem como alguns setores com mais poder na nossa sociedade. Sabemos também que há uma carga emocional quando se fala em saúde. É difícil e por vezes corajoso tomar opções neste enquadramento, é necessário fazer escolhas e das suas consequências muito poucas têm só coisas boas", disse Diogo Serras Lopes.

Referindo-se ao futuro do SNS e do sistema de saúde, diz que "a ausência de uma escolha é uma escolha em si mesma". Diogo Serras Lopes acrescentou que "a saúde sustentável tem de ser pensada e decidida independentemente das ondas mediáticas e de interesses que fazendo parte do sistema não são nem podem ser o principal foco e ainda menos sujeita a tais conjunturas".

Diogo Serras Lopes concluiu que "tem de ser construída de forma transparente e atenta minimizando a importância e os interesses específicos face à utilidade de todos sempre com o foco no essencial, nos utentes, no combate à desigualdade de acesso, na saúde de todos e de cada um de nós".

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