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A recuperação da atividade assistencial é o maior desafio pós-pandemia

A resposta a este desafio sem precedentes depende da capacidade de Portugal reforçar o seu investimento em saúde.

Filipe S. Fernandes 04 de Junho de 2021 às 13:00
Muitas cirurgias foram adiadas devido à pandemia de covid-19. Agora é preciso retomar o processo. Pedro Catarino
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O sistema de saúde, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde, tem desafios imediatos porque "é necessário assegurar a resposta a todos os doentes que não obtiveram acesso a cuidados de saúde", diz Alexandre Lourenço, presidente da APAH - Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.

Eurico Castro Alves, presidente da Comissão Organizadora da Convenção Nacional da Saúde, considera que depois do duro embate dos últimos meses, e a consequente paragem da atividade assistencial da saúde, nada ficará como antes na sociedade e nas organizações da saúde.

"A recuperação da atividade assistencial vai ser longa e difícil e considero que este será o maior desafio no período pós-pandemia. Os sistemas de saúde têm de estar preparados para superar os desafios e as exigências dos próximos meses", sublinha Eurico Castro Alves.

Também Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, sublinhou que "no curto prazo, vamos ser confrontados com o impacto do adiamento de vários atos em saúde, com o diagnóstico tardio de algumas doenças, como já se assiste na área do cancro, mas também com a recuperação de cirurgias e de muitos outros cuidados que foram adiados, seja por incapacidade dos serviços de saúde ou por privação dos utentes face aos receios de exposição ao vírus".

Desafio sem precedentes

A resposta a este desafio sem precedentes depende da capacidade de Portugal reforçar o seu investimento em saúde. Mas, como refere Eurico Castro Alves, "teremos também de colocar todos os agentes da saúde, do setor público, privado e social, a falar a uma só voz, partir do diálogo para construir soluções e traçar um plano para recuperar os tratamentos, os diagnósticos e os atos clínicos subitamente interrompidos".

Quando se compara 2020 com 2019, verifica-se a redução de 170 mil mulheres com rastreio atualizado de cancro da mama, 140 mil para o cancro do colo do útero, e 125 mil cidadãos para o cancro do cólon e reto. "É certo que se prevê alargar os rastreios oncológicos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas neste momento exigem-se respostas imediatas para estes portugueses. Para os que perderam milhões de consultas hospitalares e nos centros de saúde, para os mais de cem mil que perderam a sua cirurgia, para todos aqueles que já não conseguimos atender em tempo útil", reitera Alexandre Lourenço.

"Os números são dramáticos, mas não nos podemos esquecer deles", refere Eurico Castro Alves e enuncia: menos 11 milhões de atos presenciais nos cuidados primários; menos 3 milhões de atos presenciais nos hospitais; pelo menos, menos 126 mil cirurgias; menos 2 milhões de episódios de urgência; menos 25 milhões de exames.

Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, considera que "a ciência revelou todo o seu esplendor durante todo este período, dando uma resposta concreta, rápida e segura a uma emergência em saúde pública. Nos tratamentos, nas vacinas, na testagem. Houve um trabalho em rede, como nunca assistimos, verdadeiramente multicêntrico, global, que permitiu encurtar caminhos sem comprometer a segurança dos processos e dos cuidados prestados. A médio-longo prazo teremos de aproveitar todos estes ensinamentos, sob pena de sermos obrigados a adotar novos hábitos e rotinas sociais que nos afastam, que repelem afetos e que retiram sentido à nossa vivência em sociedade".


As candidaturas e as categorias

As candidaturas à 10.ª edição do Prémio Saúde Sustentável estão abertas até 30 de junho de 2021, e podem ser feitas em https://premiosaudesustentavel.negocios.pt/. Qualquer entidade que preste cuidados de saúde em Portugal, quer pública quer privada, individual, coletiva ou do setor social, pode e é convidada a participar no Prémio Saúde Sustentável, podendo candidatar-se até três das cinco categorias. Entre os principais critérios de análise e avaliação das candidaturas estão fatores que vão desde a satisfação dos utentes e/ou experiência do cidadão, os ganhos em saúde, a pluralidade institucional e multidisciplinar, até à eficiência, à replicabilidade e à sustentabilidade ambiental.

Categorias:
n Cuidados de Saúde Centrados no Cidadão
n Inovação e Transformação Digital
n Integração de Cuidados
n Promoção da Saúde e Prevenção da doença
n Sustentabilidade Económica e Financeira

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