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Ana Paula Martins: “Aprendemos com este prémio que a saúde sustentável não é uma miragem”

Para Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, o prémio pode este ano fazer o reconhecimento do que “foram boas práticas, liderança e encontros com o futuro” na resposta da Saúde à covid-19.

Filipe S. Fernandes 08 de Julho de 2020 às 15:00
Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos. Inês Gomes Lourenço
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"O contexto da pandemia em que decorre a edição do Prémio Saúde Sustentável 2020 não deixaria que este ficasse alheio ao enorme desafio que enfrenta toda a sociedade", considera José Mendes Ribeiro, economista na área da Saúde, autor do livro "Saúde Digital" e membro do júri desde a primeira edição. Maria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde, e um dos membros mais antigos do júri, referiu que "é natural que num ano marcado, de forma avassaladora, pela covid-19 o júri tenha pretendido identificar projetos que se tenham destacado em termos de reinvenção eficaz de luta contra um inimigo tão perigoso e tão desconhecido".

Por sua vez, Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, referiu que os sistemas de saúde, o tecido científico, empresarial, social, os agentes políticos, a sociedade, tiveram de se organizar "de forma absolutamente nova e muito rápida para responder a um desafio que na história das atuais gerações é fundamentalmente diferente de tudo o que até agora vivemos".

Garantir resposta

O que mobilizou profissionais, cientistas, universidades, o SNS e as unidades de saúde que prestam serviços de saúde nos setores social e privado foi "garantir que havia resposta à covid-19 e a toda a atividade assistencial não covid, reprogramando-a". Esta edição do Prémio Saúde Sustentável "destina-se a fazer esse reconhecimento, e do que foram boas práticas, liderança, encontros com o futuro", acrescentou Ana Paula Martins.

Como diz José Mendes Ribeiro, o júri tem "a sincera expectativa de que identificar e dar visibilidade às inúmeras iniciativas que as instituições portuguesas do setor da saúde têm desenvolvido no âmbito da covid-19 possa constituir um bom estímulo à partilha das melhores práticas e experiências e, em simultâneo, conferir o público reconhecimento pelo trabalho de milhares de profissionais e de instituições que se empenham todos os dias em gerar um contributo relevante para toda a comunidade".

Para Ana Paula Martins, o Prémio Saúde Sustentável tem aspetos "muito interessantes e inovadores" e é "muito dinâmico". Explica que "ano após ano, o júri refresca conceitos, introduz transformações decorrentes de aprendizagens que se fizeram na edição anterior e esta dimensão de transformação do próprio prémio adequa-o, por regulamento, à vertiginosa transformação que os sistemas de saúde estão a viver".

Por outro lado, o "pitch", com os candidatos mais pontuados, permite ouvi-los, e "é da maior importância na compreensão e respetiva valorização dos projetos". Na sua opinião a diversidade na composição do júri "promove debates muito profundos sobre as candidaturas, o que integra visões e experiências diversas promovendo a justiça e o equilíbrio na avaliação dos projetos".

Transformação digital

"Há uma evolução notável no conteúdo dos projetos ao longo dos anos", refere José Mendes Ribeiro na sua análise. Destaca na evolução do prémio, "a orientação para o serviço ao cliente, a inovação dos processos, o foco na qualidade clínica e mais recentemente o aparecimento de muitas iniciativas no âmbito da transformação digital".

Na sua opinião, o propósito deste prémio tem sido alcançado de muitas formas. "Deu visibilidade a projetos muito interessantes na área hospitalar, nos cuidados primários e nos cuidados continuados. Mostrou diversas iniciativas transversais na área da eficiência e da sustentabilidade que estimulou diversas instituições a fazerem mais e melhor. Revelou personalidades singulares com contributos muito valiosos para a saúde portuguesa", concluiu José Mendes Ribeiro.

"É um prémio com um regulamento muitíssimo claro, com uma avaliação muito profunda com base em critérios previamente debatidos e estabelecidos, avaliações realizadas pelo júri com base num trabalho contínuo de uma equipa de acompanhamento muito competente, transparente no propósito, motivador pela inspiração que muitos projetos representam no ecossistema da saúde em Portugal. Aprendemos todos os anos através deste prémio que a saúde sustentável não é uma miragem. Saúde sustentável exige planeamento, método, liderança, mobilização e humildade, e, muito, muito trabalho", assinalou Ana Paula Martins.


Olhares sobre a pandemia


"A covid-19 apanhou-nos a todos de surpresa", assinala José Mendes Ribeiro. Por isso, "foi necessário focar toda a nossa estrutura de prestação de cuidados nessa prioridade absoluta. Foi o equivalente a entrar num cenário de guerra e dar a máxima prioridade a todas as urgências, colocando em segundo plano a atividade de rotina". O grande desafio que se vai colocar no futuro é "a recuperação dessa rotina".

"Temos de ser realistas e compreender que o nosso sistema de saúde, em particular o Serviço Nacional de Saúde, enfrentava já diversas fragilidades quer em termos de níveis de serviço (tempos de espera, referenciação para especialidades, cobertura de cuidados primários a toda a população) como em termos de financiamento e alocação de recursos técnicos e de meios de investimento".

Na perspetiva de Ana Paula Martins houve impactos diversos da covid-19 no sistema de saúde em Portugal mas há três que considera essenciais. O primeiro foi o "reforço inequívoco da capacidade de resposta do SNS para a covid-19, em áreas como a medicina intensiva, rede de equipas de saúde pública, e na criação da reserva estratégica nacional para responder a situações pandémicas infecciosas".

Foi o equivalente a entrar num cenário de guerra e dar a máxima prioridade a todas as urgências, pondo em segundo plano a atividade de rotina. José Mendes Ribeiro
Economista e autor do livro "Saúde Digital" 

O segundo é um impacto negativo "na atividade assistencial que teve de ser cancelada e que vai provocar falhas graves no acesso aos cuidados de saúde nos próximos anos, caso não haja um plano de recuperação excecional para este efeito". Diz que às listas de espera que o SNS já tinha e que estava de forma programada a tentar responder, "juntam-se agora dezenas de milhares de consultas, cirurgias, tratamentos adiados com potenciais impactos na sobrevivência e qualidade de vida dos portugueses".

Finalmente, segundo Ana Paula Martins, a "necessidade de regressar ao futuro, aproveitando este momento difícil e trágico para tantos como uma oportunidade única de concretizar alterações que há tantos anos se planeiam na saúde em Portugal e que nunca foi possível fazer acontecer". Numa última nota afirma que "neste contexto, este prémio pode acrescentar soluções, reconhecendo e valorizando planos de resposta que com eficácia, respondam às necessidades em saúde dos portugueses".


Júri do PSS 2020

Jorge Sampaio Presidente do júri

André Veríssimo Diretor, Jornal de Negócios 

Adalberto Campos Fernandes Ex-ministro da Saúde 

Francisco Del Val General Manager Sanofi Portugal, GM da Unidade de Negócios Sanofi Genzyme 

Alexandre Lourenço Presidente, Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares 

Ana Paula Martins Bastonária, Ordem dos Farmacêuticos 

António Couto dos Santos Ex-ministro da Educação 

Francisco Ramos Professor Associado da Escola Nacional de Saúde Pública 

Heitor Costa Diretor executivo, Apifarma

José Luís Biscaia Médico e professor, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra 

José Mendes Ribeiro Economista, ISEG 

Julien Perelman Coordenador da Estrutura de Missão para a Sustentabilidade do Programa Orçamental da Saúde 

Manuel Lemos Presidente da União das Misericórdias Portuguesas 

Maria Antónia Almeida Santos Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde 

Maria de Belém Roseira Ex-ministra da Saúde 

Maria do Céu Machado Professora Catedrática Jubilada da Faculdade de Medicina (Universidade de Lisboa) 

Miguel Guimarães Bastonário da Ordem dos Médicos 

Paulo Cleto Duarte Presidente da Associação Nacional das Farmácias 

Ricardo Baptista Leite Médico e Deputado da Assembleia da República



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