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Delfim Rodrigues, o advogado com paixão pela saúde

O júri do Prémio Saúde Sustentável reconheceu a sua carreira de mais de quatro décadas na gestão da saúde e o contributo que deu para a sustentabilidade da saúde em Portugal.

Filipe S. Fernandes 28 de Outubro de 2022 às 17:30
A presidente do júri do Prémio Saúde Sustentável, Maria de Belém Roseira, entrega o Prémio Personalidade 2022 a Delfim Rodrigues Mariline Alves
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"Foi reconhecido em 1985 pelos Estados Unidos, pelo Presidente Ronald Reagan, e, em abril de 2015, recebeu a medalha grau ouro, por serviços distintos prestados à saúde. Agora, o júri do Prémio Saúde Sustentável (PSS) está a dar o verdadeiro reconhecimento, porque medalhas de ouro do Ministério da Saúde há muitas personalidades que as têm, mas do júri do PSS só há onze", disse Maria de Belém Roseira, presidente do júri, no seu elogio a Delfim Rodrigues, a quem foi atribuído o Prémio Personalidade 2022 pelo júri do Prémio Saúde Sustentável, uma iniciativa da Sanofi e do Jornal de Negócios. A sua última missão foi-lhe dada em 2018 por Adalberto Campos Fernandes, então ministro da Saúde, que o nomeou responsável pela implementação e dinamização das Unidades de Hospitalização Domiciliária nos estabelecimentos hospitalares do Serviço Nacional de Saúde. Até 31 de agosto de 2022 tinham sido tratados em hospitalização domiciliária mais de 20 mil doentes, o que equivale à construção de um hospital de 330 a 350 camas, que teria custado uns 300 milhões de euros, refere Delfim Rodrigues.

Entre a sua vasta experiência de gestão em hospitais públicos, privados, na administração pública na saúde, contam-se a participação no planeamento e construção de 15 hospitais públicos, de clínicas e hospitais privados e ainda projetos em áreas como "nursing home" e "assisted living care". A hospitalização domiciliária abrange hoje 39 unidades funcionais hospitalares do SNS. Segundo Delfim Rodrigues, o grupo privado CUF "adotou os mesmos cânones do SNS para a sua atividade privada e está a fazer hospitalização domiciliária."

Uma carreira na saúde

Nascido a 5 de janeiro de 1954, licenciou-se em Direito e foi advogado entre 1975 e 78, mas sempre teve o fascínio da saúde. Decidiu fazer uma pós-graduação em Administração Hospitalar. Em 1980, tornou-se administrador hospitalar nos Hospitais Civis de Lisboa, que geriam os sete hospitais existentes em Lisboa, e começou no Hospital de São José. Na altura, a grande preocupação da gestão e da organização dos serviços de saúde era a logística primária. Era uma atividade relativamente rudimentar porque os administradores hospitalares eram confrontados com autorizações de despesa que era urgente e inadiável e, portanto, não era planeada, e que já tinha sido realizada". Em 1984, tornou-se administrador no Hospital de Guimarães. Entre 1985 e 1987, estudou saúde pública na University of Minnesota ao abrigo de uma Fulbright atribuída a Delfim Pereira Neto Rodrigues, integrada no programa de estudos não graduados Hubert H. Humphrey North-South Fellowship Program. Em 1987, por concurso público internacional foi designado representante da Europa do Sul no Programa "Hubert Humphrey" do Fulbright. Estagiou em diversos hospitais e outros organismos de saúde e empresas dos Estados Unidos e Canadá. Pelas atividades desenvolvidas, foi galardoado pelo Presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. No seu regresso a Portugal, foi diretor regional do Norte das Instalações e Equipamentos da Saúde, diretor-geral dos Hospitais em 1990, diretor-geral de Saúde (1993-1994), presidente da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, esteve na gestão do grupo Gália e de hospitais como o British Hospital, BH XXI, Centro Hospitalar do Alto Ave e presidiu o Hospital da Senhora da Oliveira, Guimarães.
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