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Hospital de Braga também cuida das visitas

A instituição, que foi inaugurada em 2011, começou, desde logo, a implementar certificações de qualidade e gestão de risco em várias áreas. Um dos objectivos é facilitar a vida a quem visita familiares e amigos.

30 de Junho de 2015 às 10:06
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À entrada do novo Hospital de Braga há uma praça a que os funcionários chamam "ágora", uma zona de convívio não só para quem vai visitar familiares e amigos, mas também para os colaboradores que acabaram por ter direito a uma pequena mercearia no espaço, para comprar pão e outras coisas de que precisam no final de um longo dia de trabalho. Lojas de roupa e mesmo um cabeleireiro ajudam a dar vida à praça, que recebe os visitantes desde que foi inaugurada a unidade, em 2011. Algumas destas iniciativas resultaram de sugestões dos colaboradores.

Um edifício construído de raiz acabou por ajudar à tarefa que Célia Rosa leva a cabo todos os dias no hospital. A economista lidera a equipa que implementa a política de qualidade e gestão do risco na unidade, partindo das exigências do contrato de gestão, visto que o hospital é uma parceria público-privada (PPP), da responsabilidade da José de Mello, incluindo ainda uma entidade que gere o edifício. "No contrato de gestão temos uma cláusula que diz que precisamos de ter um sistema de acreditação montado", afirmou Célia Rosa. Isso implica "levantar e inscrever os processos e provar a articulação, com evidências, entre os serviços hospitalares, assim como obter uma certificação ambiental. E atrás desta obrigação, nós iniciámos em Maio de 2011 o processo de acreditação do hospital completo".

As medidas que ajudam a promover a sustentabilidade e qualidade do hospital são tão simples como imagens coladas do aspecto que uma sala arrumada deve ter, fitas vermelhas a marcar áreas por onde passam produtos perigosos, ou colocar as camas nos quartos de forma a evitar ao máximo as infecções cruzadas.

"Fizemos coisas simples, quando viemos para aqui, como verificar toda a componente de segurança contra incêndios, evacuação...", referiu Célia Rosa. O hospital tratou ainda de outra componente crítica que foi a emergência médica, também para quem só está de visita. "Se se sentir mal aqui neste momento, nós temos uma equipa intra-hospitalar que em três minutos garante o suporte de vida da pessoa que se sente mal nas nossas instalações. Não estou a falar do doente internado, mas das outras pessoas que vêm cá", referiu a mesma responsável.

Outro dos projectos acarinhados no hospital é o enfermeiro de referência. Elisabete Pinheiro, enfermeira-chefe de ortopedia, trabalha há 23 anos em Braga e explicou para que serve esta função. "O enfermeiro de referência é a chave de toda a articulação em equipas multidisciplinares. Começa antes do internamento, onde temos já uma consulta de enfermagem de preparação do doente, e depois esse enfermeiro é a articulação com todas as vertentes", referiu. Elisabete Pinheiro alertou ainda para o facto de que "a família nem sempre tem condições" para tratar dos doentes.

Hospital de Braga também cuida das visitas

O Hospital de Braga aposta na qualidade e na implementação de medidas de sustentabilidade, que permitam reduzir infecções, a taxa de uso de antibióticos e tornar o espaço mais simpático para quem tem de visitar doentes na instituição. 

Hospital de Braga também cuida das visitas

Os profissionais estão preparados para dar formação às famílias e trabalham também em estreita colaboração com os centros de saúde, uma das medidas que o hospital tem promovido. "Isto culminou recentemente na entrega de um manual para os serviços de saúde. São protocolos que definem como é que um doente sai de uma especialidade do hospital e é seguido pelo seu médico de família. Divulgámos e fizemos este trabalho em conjunto com os centros de saúde de Braga", ressalvou Célia Rosa.

Mas afinal como é que se controla e mede a implementação deste sistema de qualidade? Célia Rosa explicou que existem "diversas fontes de informação dos indicadores, como também uma plataforma de registo de eventos adversos. Tudo o que é uma ocorrência, relacionada com uma falha de identificação, com um incêndio, uma situação de queda de um doente ou algo que aconteça a um colaborador, pode ser declarado com o nome do profissional ou de forma anónima. Já temos uma cultura de declaração de mais de mil eventos declarados de forma espontânea e 25% são médicos", salientou a responsável.

Célia Rosa diz que as poupanças mais evidentes são, por exemplo, no consumo de antibióticos que é evitado com a redução da taxa de infecção.

O Hospital de Braga tem 2.400 trabalhadores, dos quais 736 são enfermeiros. Num dia, há mais de 1.500 consultas, 11.738 exames e análises e 85 cirurgias.

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