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O hospital das inovações e as “caixas-fortes” de idosos

Em Ovar, o hospital criou em parceria uma escala de risco para se preparar para os diversos cenários possíveis. Em Espinho-Gaia, criou uma estratégia de proteção dos mais vulneráveis à pandemia.

Filipe S. Fernandes 07 de Dezembro de 2020 às 15:00
Luís Miguel Ferreira, presidente do Hospital Francisco Zagalo, em Ovar
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Replicabilidade
O hospital das inovações organizacionais

A pandemia foi particularmente severa no concelho de Ovar, tendo obrigado mesmo a que se decretasse uma cerca sanitária. Esta pandemia trouxe novas necessidades, por isso foi desenvolvido um projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, por um consórcio do qual fez parte a Winning e o Centro de investigação em Saúde Cintesis (da Universidade do Porto).

É um projeto que visa antecipar cenários em contexto de pandemia no sentido de serem tomadas determinadas ações concretas para atacar um cenário que eventualmente possa ocorrer. Na prática, criou uma escala de risco hospitalar e definiu planos de contingência a aplicar consoante o comportamento evolutivo da epidemia de covid-19 para o Hospital Dr. Francisco Zagalo-Ovar, através de uma ferramenta preditiva, capaz de antecipar cenários de risco para o hospital, possibilitando a adoção de decisões e medidas concretas.

Como refere o presidente do Hospital Dr. Francisco Zagalo - Ovar, Luís Miguel Ferreira, "esta experiência duríssima que atravessámos teve enorme impacto em toda a organização que perdurará, estou certo, para sempre. E, pelo meio, ainda conseguimos que o nosso hospital fosse o primeiro hospital do país a utilizar o sistema lançado pela SPMS - RSE Live - para a realização de teleconsultas".

Pretende é definir um conjunto de planos de contingência com medidas concretas com vista a antecipar determinados cenários que nos obrigam a tomar determinadas medidas de gestão que possam atenuar esses impactos. Vai ser uma ferramenta muito importante a ser replicada noutras instituições de saúde, que outros serviços mais significativos como, por exemplo, cuidados intensivos e cuidados intermédios e que podem com esta ferramenta antecipar cenários de impacto forte na carteira de serviços que são prestados no contexto do SNS e que assim podem ser melhorados e otimizados recursos.

Mas os caminhos da inovação não são novos pelos corredores do Hospital Dr. Francisco Zagalo-Ovar. Em 2019 já tinha sido premiado pelo "projeto HOSP: Hospital de Ovar sem Papel" que, num curto espaço de tempo, gerou grandes transformações na forma como as pessoas trabalham, como os processos fluem, bem como a organização, o acesso e o tratamento da informação que são gerados num hospital dos mais pequenos no contexto do SNS. "No contexto do SNS, estamos hoje no topo do indicador ‘receitas sem papel’ totalmente desmaterializadas e gastamos menos 45% do papel que gastávamos antes do projeto", explicou Luís Ferreira.

Projeto Escala De Risco COVID
Entidade Hospital Dr. Francisco Zagalo - Ovar


Integração de cuidados
"Caixas-fortes" de idosos com comunicação

Neste contexto de pandemia de covid-19, os idosos são um grupo de particular vulnerabilidade, com um maior risco de doença grave ou de letalidade. Este projeto de intervenção "Outbreak-free homes" surgiu como uma necessidade de resposta à população mais vulnerável em contexto da pandemia, nomeadamente aos idosos institucionalizados, não só pelo impacto da doença, mas também pela dificuldade da aplicação das medidas de prevenção como o distanciamento social, e o uso de equipamento de proteção individual.

"Os principais objetivos eram prevenir a covid-19 nestes utentes, bem como surtos nestes estabelecimentos, e ter uma intervenção rápida após a identificação de um caso suspeito. Para tal, existiu uma resposta integrada de quase todas as Unidades Funcionais do ACES Espinho/Gaia, mas também de parceiros da comunidade como os próprios estabelecimentos, a Segurança Social, as câmaras municipais e Proteção Civil de Vila Nova de Gaia e Espinho, com o apoio contínuo do Departamento de Saúde Pública e da ARS Norte", refere João Vasco Santos, médico interno de Saúde Pública na Unidade de Saúde Pública - ACES Grande Porto VIII - Espinho/Gaia.

João Vasco Santos, médico interno na unidade de Saúde Pública - ACES Grande Porto VIII - Espinho/Gaia

Segundo João Vasco Santos, criou-se "um canal de comunicação rápido e efetivo" entre estes estabelecimentos e a Unidade de Saúde Pública e ACES Espinho/Gaia, permitindo também uma resposta e intervenção rápida. Revela que têm sido várias intervenções, incluindo o auxílio e acompanhamento da operacionalização de visitas dos familiares, a formação em prevenção e o controlo de infeção de todos os profissionais das estruturas residenciais para pessoas idosas, denominados "lares", e dos acolhimentos familiares para pessoas idosas, as "casas de acolhimento". Salientou ainda "a transição digital do sistema de informação entre profissionais, utentes, e estabelecimentos".

"O balanço tem sido positivo e temos trabalhado diariamente para o melhorar, apesar de o contexto atual com um aumento significativo dos casos confirmados de covid-19 na nossa área geográfica ser uma pressão contínua para os estabelecimentos de apoio social a pessoas idosas", refere João Vasco Santos.

Atualmente, o projeto mantém-se com uma comunicação contínua com todos os estabelecimentos de apoio social a pessoas idosas, porque num momento de enorme pressão da propagação de infeção é essencial prevenir a entrada da infeção nos estabelecimentos.

"Sentimos que o projeto tem sido essencial para conseguirmos esta prevenção mas também gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para sensibilizar todos os profissionais destes estabelecimentos da importância do reconhecimento dos sintomas sugestivos de chovida por parte dos profissionais e de uma imediata atuação", considerou João Vasco Santos. "Trabalhar com a autoridade de saúde este ano tem sido um grande desafio… Um organismo que nos era distante passou a ser mais um elemento da equipa, que está próximo, sempre do outro lado do telefone e tem sido uma experiência verdadeiramente positiva", disse Sara Ramos, diretora-geral da Santa Casa da Misericórdia de Espinho.

Em conclusão, para João Vasco Santos, com "a ACES Espinho/Gaia, nomeadamente com a execução do projeto "Outbreak-free homes" e com o Programa de Vigilância Sanitária destes estabelecimentos criado no contexto deste projeto, temos feito todos os esforços para que estas sejam as "caixas-fortes" da nossa área geográfica e que estes idosos consigam superar connosco este inusitado desafio, mantendo a comunicação com os que lhes são mais queridos".

Projeto - "Outbreak-free homes" - Intervenção em Estabelecimentos de Apoio Social a Pessoas Idosas durante a pandemia covid-19
Entidade - Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Grande Porto VIII - Espinho/Gaia)

Boas práticas na pandemia A 9.ª edição do Prémio Saúde Sustentável é uma iniciativa do Jornal de Negócios e da Sanofi, com o Alto Patrocínio da Presidência da República, que este ano, por decisão unânime do júri, foi dedicada à partilha das boas práticas em contexto de covid-19, com o objetivo de reconhecer e distinguir projetos ou instituições que se destacaram na luta contra a pandemia que enfrentamos. Entre as quais estão dois casos exemplares em Ovar e em Espinho-Gaia. 

JÚRI DO PSS 2020


l Jorge Sampaio

Presidente do júri

 

l André Veríssimo 

Diretor, Jornal de Negócios

 

l Adalberto Campos Fernandes

Ex-ministro da Saúde

 

l Francisco Del Val

General Manager Sanofi Portugal, GM da Unidade de Negócios Sanofi Genzyme

l Alexandre Lourenço

Presidente, Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares

 

l Ana Paula Martins

Bastonária, Ordem dos Farmacêuticos

 

l António Couto dos Santos

Ex-ministro da Educação

 

l Francisco Ramos

Professor Associado da Escola Nacional de Saúde Pública

l Heitor Costa

Diretor executivo, Apifarma

 

l José Luís Biscaia

Médico de família, diretor executivo AceS BM

 

l José Mendes Ribeiro

Economista, ISEG

 

l Julien Perelman

Coordenador da Estrutura de Missão para a Sustentabilidade do Programa Orçamental da Saúde

l Manuel Lemos

Presidente da União das Misericórdias Portuguesas

 

l Maria Antónia Almeida Santos

Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde

 

l Maria de Belém Roseira

Ex-ministra da Saúde

 

l Maria do Céu Machado

Professora catedrática jubilada da Faculdade de Medicina (Universidade de Lisboa)

 

l Miguel Guimarães

Bastonário da Ordem dos Médicos

 

l Paulo Cleto Duarte

Presidente da Associação Nacional das Farmácias

 

l Ricardo Baptista Leite

Médico e deputado da Assembleia da República

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