Ver melhor e sem ir ao hospital

O Núcleo de Oftalmologia de Almada do Hospital Garcia de Orta conta com 15 médicos e implicou um investimento de 30 mil euros. O trabalho desenvolvido por este núcleo faz dele um dos candidatos ao prémios Saúde Sustentável.
Ver melhor e sem ir ao hospital
Mariline Alves
João Barbosa 02 de outubro de 2018 às 12:00

O objectivo do Núcleo de Oftalmologia de Almada (NOA - criado em Junho de 2016) é o de rastreio de diversos problemas oculares, permitindo serem intervencionados atempadamente. Pretende-se ainda aliviar a carga psicológica relativa ao ambiente hospitalar, visto as consultas realizarem-se fora do Hospital Garcia de Orta (HGO).

 

"Temos um espírito inquieto e dinâmico e identificámos uma necessidade no Serviço Nacional de Saúde", diz Nuno Campos, director do NOA. A ideia foi a de juntar, numa mesma estrutura física, a parte assistencial curativa clássica da consulta da Oftalmologia, com uma dimensão mais pedagógica. "Quisemos, no mesmo espaço físico, juntar o rastreio, com o diagnóstico e o tratamento, realizados de forma integrada e feito por nós, no NOA e no Centro de Responsabilidade de Oftalmologia do HGO" acrescenta Nuno Campos.

 

O rastreio relacionado com a diabetes, em adultos, iniciou-se em Maio de 2017, tal como a primeira consulta pediátrica. O rastreio pediátrico será em Outubro de 2018. Tanto adultos quanto crianças chegam ao NOA indicados pelos médicos de família.

 

Criado o conceito, a equipa de oftalmologia do HGO estabeleceu que o serviço se realiza fora do HGO, «para evitar a carga dramática da ida aos hospitais, muito sentida pelos doentes», explica Nuno Campos. Esta é uma questão muito sensível para as crianças.

 

Quando há situações complexas, que impliquem ida ao HGO, "os doentes já trazem a informação completa, sendo logo marcada a consulta de subespecialidade, o que melhora a eficiência e a rentabilidade do processo", prossegue o médico.

 

O NOA conta com 15 médicos e implicou um investimento de cerca de 30 mil euros. Nuno Campos considera haver uma redução de custos muito significativa.

 

A diabetes deve ser identificada cedo

 

Mafalda Pereira, responsável pela área da diabetes, informa que o rastreio é realizado através dum equipamento que fotografa os olhos. "Não é necessário fazer a dilatação pupilar, não interferindo na visão dos doentes".

 

As imagens são carregadas e encaminhadas para o Centro de Leitura Automático da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que utiliza um programa de leitura desenvolvido na Universidade de Coimbra.

 

O software (Retmarker) analisa as fotografias e elimina as dos casos saudáveis. A taxa de recusa ronda os 50%, informa Mafalda Pereira. As fotografias dos casos positivos são vistas, manualmente, pelos médicos.

 

O equipamento permite identificar também casos de glaucoma, trombose venosa, retinopatias e degenerescências maculares. Os resultados obtidos na leitura manual são encaminhados para o médico de família.

 

"Ganhámos muitos doentes novos, com este rastreio. O propósito é diagnosticar doentes que não tenham estado incluídos noutros rastreios", informa Mafalda Pereira. "O objectivo é que os doentes cheguem ao serviço de oftalmologia, numa fase inicial da doença, para prevenir lesões tardias e a cegueira".

 

A situação geográfica do NOA tem um aspecto importante: proximidade. O argumento da falta de tempo esbate-se. "Para o rastreio, é muito importante a proximidade do trabalho ou da residência, precisamente para não perturbar as rotinas das pessoas", explica Mafalda Pereira.

 

Detectar os problemas na infância

 

O problema mais referenciado nas consultas de oftalmologia pediátrica, é o da ametropia. Seguem-se as alterações alérgicas, o estrabismo e outras alterações do equilíbrio binocular.

 

"Ver mais, crescer melhor" é o projecto que irá acontecer na área de influência do HGO. "O principal objectivo é a exclusão da ambliopia - o chamado olho preguiçoso - que é muito prevalecente e que tem resultados óptimos, desde que o diagnóstico tenha sido realizado cedo" diz Ana Vide Escada, responsável pela oftalmologia pediátrica do HGO.

Mais serviço, menos custos

O rastreio ocular está a ser realizado de modo inovador no Hospital Garcia de Orta, em Almada. Clínicos, desta unidade de saúde, criaram o Núcleo de Oftalmologia de Almada (NOA), que permite fazer o diagnóstico sem necessidade do cidadão ter de se deslocar à infra-estrutura principal.

 

Uma das vantagens apontadas é o de retirar carga psicológica que, muitas vezes, implica a deslocação a um hospital. Esta é uma situação particularmente importante no caso das crianças. A localização do NOA tem uma importância funcional, pois pretende combater o muito habitual entrave à deslocação: a falta de tempo. Assim, foi instalar-se em local próximo das zonas residenciais e laborais de Almada.

 

Os pacientes com situações mais complexas são canalizados para o hospital. As informações, da sua situação particular, obtidas através do NOA, constam já do processo. Esse factor permite uma melhor e rápida avaliação.

A figura: Nuno Campos, director do NOA

Nuno Campos é director do Centro de Responsabilidade de Oftalmologia do Hospital Garcia de Orta (HGO) e do departamento de cirurgia implanto-refractiva. É responsável do Banco de Olhos e Transplantações desta unidade de Almada. Dirige igualmente o Núcleo de Oftalmologia de Almada (NOA) e é coordenador da urgência oftalmológica de Almada-Seixal.

 

Ana Vide Escada é responsável pela Unidade de Oftalmologia Pediátrica e de Estrabismo, do Centro de Responsabilidade de Oftalmologia do HGO. É responsável pelo rastreio e despiste da ambliopia no distrito de Setúbal.

 

Ana Mafalda Pereira é a responsável pela unidade de retina médica e pela consulta de diabetes ocular do Centro Responsabilidade de Oftalmologia. Responde igualmente pelo rastreio da diabetes das unidades de saúde de Almada e do Seixal.





 




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