Portugal a ver o Mundo subir
Foi um começo de ano auspicioso para a maior parte das Bolsas mundiais. Subidas fortes, entusiasmo e muitos investidores a ficarem perplexos sobre como podem os mercados accionistas terem um comportamento destes quando a crise continua a dominar o panorama de notícias em todo o mundo.
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É evidente que as Bolsas têm uma grande correlação com a Economia, mau seria se assim não fosse. Mas, na verdade, os mercados têm uma enorme capacidade de antecipação do que vai ser o futuro em termos micro e macroeconómicos. 2010 foi um ano bastante positivo para os principais mercados mundiais. É verdade que, em boa medida, isso se deveu à brutal liquidez que quer a Fed (Reserva Federal Norte-americana) quer o BCE (Banco Central Europeu) injectaram no mercado, mas dissociar essas subidas de uma perspectiva de recuperação económica é fecharmos os olhos só porque a realidade da crise nos afecta a percepção.
É claro que não foi por acaso que a Grécia liderou as perdas das Bolsas europeias e que Espanha e Portugal estiveram nesse infeliz pelotão da frente. Mas acreditem que, ainda se falará de crise nestes países, o desemprego estará altíssimo e a contestação social enorme quando o mercado arrancar e der sinais de um novo "Bull Market". Nessa altura, poucos acreditarão. Mas o mercado arrancará, indiferente a isso tudo.
Foi o que sucedeu no ano que há pouco terminou, por exemplo, nos Estados Unidos ou na Alemanha. O índice alemão, o DAX, teve um excelente ano, ganhando mais de 16% e, com este bom arranque, está agora muito perto do seu máximo histórico! O S&P, o grande barómetro da Bolsa norte-americana, valorizou mais de 10% e leva já quase dois anos de subida. Tem sido uma subida que tem passado ao lado da maior parte dos investidores receosos da crise e de um dos níveis de desemprego mais elevado dos últimos anos. Uma vez mais, a realidade tolda a percepção dos investidores.
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Até agora, não há qualquer sinal que esse "Bull Market" nos Estados Unidos tenha chegado ao fim. O mercado tem subido a um ritmo consistente, mas as subidas prolongam-se por semanas, perante o espanto dos investidores. E quando, finalmente, começam a aparecer mais investidores a acreditar no mercado, o mercado corrige violentamente durante alguns dias para arrefecer os ânimos. Veremos até quando dura esse padrão de um mercado que tem sido alimentado pelo cepticismo.
Mas voltemos a Portugal para olharmos para o gráfico do PSI. O primeiro sinal importante em termos de curto e médio prazo seria a quebra da linha de tendência descendente que podem observar no gráfico. Essa linha tem travado todos os ressaltos da Bolsa portuguesa ao longo do ano passado e uma ruptura, em alta, desta linha seria um interessante sinal de compra do mercado.
Mas o grande sinal do mercado será dado quando for quebrada a resistência de que falo há mais de 2 anos: Os 8900 pontos. Aquela zona tem sido por mim apelidada de "O tecto do nosso mercado" e aquela que eu defino como a fronteira entre o "Bear" e o "Bull Market". É provável que, no dia em que essa resistência for quebrada, em alta, o país continue mergulhado numa crise sem precedentes, uma grande percentagem da nossa população não tenha desemprego e continuemos na cauda da Europa. E por isso, é provável que a maioria não acredite nesse sinal. Um sinal para o mercado accionista e que antecipará uma recuperação económica. Nesse dia, espero manter a clarividência e disciplina que me faça dizer: "Temos mercado!"
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Infelizmente, esses dois sinais ainda não aconteceram e, por isso, mantenho as minhas reservas em relação ao nosso mercado. Não me dá prazer nenhum manter o pessimismo que mantive durante todo o ano passado, mas preciso que o mercado me dê os tais sinais. Mais do que sinais de força, precisamos dos compradores mostrarem que acreditam em Portugal. De palavras está o Inferno cheio. Coloquem dinheiro a sério no mercado e eu voltarei a dançar de braço dado com os touros.
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Analista Dif Brokers
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