10 de Junho vagal
Confesso que não ligo muito ao 10 de Junho. Acho que aquelas comemorações são para militares. Se no 13 de Junho contamos com marchas do povo, o 10 de Junho fica reservado para as marchas dos militares. É fácil distinguir umas das outras porque as marchas dos militares são pobrezitas. O orçamento é curto. Estou convencido que a marcha dos pára-quedistas não vencia a de Alfama. Nem à pancada.
A verdade é que não me sinto muito confortável com o 10 de Junho e com as marchas militares porque, no fundo, aquilo é o Presidente da República a apreciar homens - ai que giro, aquele capitão de fragata. Segurem-me que eu desmaio!
E as marchas populares, ao menos, variam de ano para ano, enquanto os militares andam há cem anos a desfilar o mesmo equipamento. O mais grave é que um desfile do Exército, no 10 de Junho, só nos causa insegurança porque percebemos como estamos mal equipados e quão vulneráveis somos. É uma má imagem que damos aos nossos inimigos. Podiam, pelo menos, ter feito uns carros alegóricos com mísseis de cartão canelado. Assim como está, o Dia de Portugal só serve para mostrar aos portugueses que, se ainda somos independentes é porque ninguém nos quer ocupar. Hoje em dia, Portugal é uma batata quente à beira-mar plantada, e ninguém pega nisto.
Este 10 de Junho fica marcado pelo desmaio do Presidente da República. Houve ali um momento em que o nosso PR viu um unicórnio rosa montado por uma negra nua, mas decidiu regressar. Gabo-lhe a paciência. O desmaio do Presidente veio acentuar a nossa falta de esperança. Porque, de certa forma, pode dizer-se que experimentaram desligar o Cavaco e voltar a ligá-lo, mas não adiantou: ele volta a ficar bloqueado naquela parte do consenso.
Lá passou mais um 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O nome é redundante. Se é de Portugal, é de Camões. Assim parece que o Camões era austríaco ou croata. Parece que estamos a excluí-lo. É o mesmo que inventar um Dia da Humanidade e do João César das Neves. Acho parvo destacar Camões. Não façam confusão, tenho uma grande admiração pelo Luís Vaz. No tempo dele não havia dicionários de rimas, nem era possível ligar para alguém a perguntar - o que é que rima com mostarda? Ele era bom mas, no episódio do Adamastor, vi-o rimar - cabelos - com - amarelos. Se fosse Emanuel, era mau, mas como é o Camões, é só honras. É como as condecorações, nem uma medalhita para as famílias dos bombeiros que morreram no Verão. Não são empreendedores, não apareceram no Financial Times, ficam a arder.
1 - Seguro pede a Cavaco para "agir" - mas só em finais de Setembro, porque agora já há muita gente de férias.
2 - A Polícia Judiciária está a investigar suspeitas de corrupção na atribuição de vistos Gold - estava tudo preocupado com o cadastro dos chineses que pedem vistos Gold quando, afinal, os bandidos são os responsáveis pelos vistos.
3 - "Juros do mercado já são inferiores aos da troika" - cancelem o cheque! Esqueçam. Está muito cara a ajuda da troika. Arranjamos mais barato noutro lado. Táxi!
4 - "O compositor Rodrigo Leão (a quem o Parlamento encomendou a composição original para o concerto dos 40 anos do 25 de Abril) foi agraciado com a Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique" - aposto que o Rodrigo Leão é representado pelo Jorge Mendes.
5 - Candidaturas de Fernando Seara e de Rui Alves foram rejeitadas. Mário Figueiredo concorre sozinho à presidência da Liga de Clubes - Faz lá melhor, Tó Zé Seguro! Será que se pode dizer que as eleições da Liga pariram um rato? Mete pipi, não sei se pode.
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