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João Cortez Lobão 09 de Outubro de 2020 às 17:15

A fileira do azeite não parou…

Adoptaram-se medidas de protecção dos colaboradores e encontraram-se soluções para logísticas mais difíceis. Uma atitude que é aliás habitual no setor: construtiva, flexível, ágil para se adaptar às exigências da qualidade e da ética.

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No contexto difícil da presente pandemia, o sector olivicultor português continuou a investir, não tendo sido interrompidas as novas plantações, reforçando assim a sua capacidade como exportador líquido de azeite.

 

Portugal é apontado como exemplo no mundo por se ter sabido reinventar com rigor e inovação e por ter percorrido o caminho iniciado neste século de contribuir para o sólido aumento de produção e divulgação de produtos agrícolas de qualidade dentro e fora do país.

 

No início do século XX tínhamos no Alentejo uma mancha de cerca de 40 mil hectares de olival e, em todo o Portugal, produziam-se 30 mil toneladas de azeite. Hoje, acrescentaram-se mais 15 mil hectares de olival ao Alentejo, e Portugal já produz anualmente cerca de 5 vezes essa quantidade de azeite — somos mais eficientes, criámos milhares de empregos diretos e indiretos, os montes alentejanos deixaram de estar abandonados, e, sobretudo, aproveitaram-se valências, reteve-se talento e atraíram-se para o interior jovens com competências técnicas e tecnológicas.

 

A natureza agradece o uso sustentável dos recursos, a redução dos produtos químicos, a utilização cuidadosa da água, o total aproveitamento de todo o processo... e isso traduz-se num regresso da fauna autóctone e em resultados repetidamente positivos da sanidade dos solos.

 

Somos hoje, provavelmente, o país do mundo com a mais alta percentagem de produção de azeite de primeira categoria.

 

A história repete-se – desde o Império Romano que o azeite da Lusitânia era o mais caro e servia sobretudo para delícia das elites de Roma – o restante servia para todas as outras aplicações: iluminação, desporto, guerra etc. Hoje, os principais embaladores italianos fazem verdadeiras esperas à porta dos lagares nacionais para adquirir o néctar produzido pelos nossos modernos olivais. 

 

No desaire económico que assolou a maior parte das economias em resultado da pandemia covid-19, em Portugal os produtores de azeite não fecharam as portas nem entraram em lay-off. Adoptaram-se medidas de protecção dos colaboradores e encontraram-se soluções para logísticas mais difíceis. Uma atitude que é aliás habitual no setor: construtiva, flexível, ágil para se adaptar às exigências da qualidade e da ética.

 

Certo é que a produção de azeite tem ajudado a fixar e a atrair pessoas para o interior do nosso país, criando uma geração de empresários agrícolas…

 

Posto isto, não é difícil concluir que é prioritário apostar na agricultura, focando-se em mantê-la competitiva num mundo onde só sobrevive quem criar valor, tiver qualidade e preço que permita a todos acesso a esses bens. 

 

Manter a autonomia estratégica alimentar de Portugal é isso mesmo: acarinhar quem faz bem, incentivar quem faz sacrifícios para que possamos ser melhores, não empecilhar quem acrescenta valor na economia, nas pessoas, na sociedade.

 

Críticos sempre os houve e sempre haverá. Nas empresas só se aceitam críticas de quem sabe fazer melhor. Na sociedade também deveria ser assim. Nós continuamos a trabalhar, a cada ano, para nos superarmos e para devolver mais bem-estar e mais valias à comunidade onde estamos inseridos, procurando o respeito de quem no terreno percebe dos assuntos.

 

A bem de todos.

 

A bem de Portugal.

 

Proprietário da Herdade de Maria da Guarda, em Serpa

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

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