Augusto Moita de Deus
Augusto Moita de Deus 07 de março de 2018 às 20:18

Edison ou Tesla?

Elon Musk é com mérito o actual supremo guru da tecnologia. Tal como Edison no passado, ele é o responsável por vários projectos associados às tecnologias disruptivas: veja-se a SpaceX, o sistema Hyperloop ou a Tesla Motors.

Musk de forma inteligente tem colocado os seus ovos de Colombo em diferentes cestas, mas é legítimo perguntar: no final o que será Musk? Um Edison ou um Tesla?

 

Falemos então de electricidade. Normalmente não pensamos muito nessa maravilha técnica que é o controlo do campo electromagnético, seja para a transmissão de informação, que é o que ocorre nos nossos telemóveis e computadores, seja para transportar energia. Neste último caso, é relevante falar de dois pioneiros: Edison e Tesla. No final do século XIX, deu-se a chamada Guerra das Correntes: de um lado, Edison (e a sua companhia homónima) defendia ferozmente a corrente contínua e, do outro lado, a Westinghouse Company, onde Tesla deixou uma contribuição fundamental, lutava pela corrente alterna. Quem ganhou? A corrente alterna. E quem ficou rico e famoso? Edison. A sua empresa aliás deu origem à gigante General Electric. O que dizer de Tesla? Morreu praticamente na penúria. Historicamente, ter razão em termos de tecnologia não é garantia de sucesso.

 

Voltemos agora a Elon Musk e ao seu… Tesla. Musk não desiste do seu sonho eléctrico. Mas é um sonho que por enquanto é um pesadelo: vejam-se os prejuízos astronómicos (2,2 biliões de dólares) recentemente divulgados. Nada que uma campanha publicitária de dimensões astronáuticas não acabe por diluir: o envio dum Tesla para o espaço é de facto um anúncio ainda mais espectacular - e caro, mas os investidores da SpaceX não se importam - do que os famosos anúncios do Super Bowl.

 

De volta à Terra, parece certo que Musk tem razão: o futuro é eléctrico. Até a gigante PSA liderada pelo português Carlos Tavares já está a avançar nessa direcção, quiçá após uma hesitação inicial. E a investigação em baterias, em que a portuguesa Maria Helena Braga é figura de proa, mais ano menos ano deverá dar origem o prémio Nobel.

 

Quem ganhará então a nova Guerra da Electricidade? A Tesla Motors? Ou as gigantes Volkswagen, General Motors ou Nissan, que têm um parque industrial muito superior? Ao previsivelmente vingar com uma ideia que de início não era a deles, podem esses gigantes vir a ser os Thomas Edisons da mobilidade eléctrica? E - por muito que simpatizemos com ele - se o seu sonho ruir, pode Elon Musk transformar-se no Nikola Tesla dos carros eléctricos? O futuro o dirá.

 

Professor do Instituto Superior Técnico

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