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Henrique Novas de Oliveira 20 de Março de 2020 às 19:17

Energia renovável é lucrativa sem subsídios governamentais?

Enquanto os objetivos de neutralidade carbónica são semelhantes entre os países da Europa, os custos dos projetos e preços de energia variam significativamente. Será que os interesses de todos estão alinhados?

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O Acordo de Paris, assinado por 194 países e pela União Europeia, tem como principal objetivo limitar o aumento da temperatura média global do planeta a 2ºC, assim fazer esforços para evitar impactos catastróficas das alterações climáticas. Apesar dos objetivos serem similares entre os países europeus, as condições necessárias para a evolução da geração de energia renovável são bem distintas.

 

Algumas das principais considerações para o desenvolvimento de um projeto de energia renovável e que pesam consideravelmente na taxa interna de retorno exigida pelos investidores são a análise das fontes de energia (padrões de vento, irradiação solar etc.), os preços de energia, regulação ambiental, riscos geopolíticos, bem como outros fatores que variam consideravelmente entre os membros da UE.

 

No entanto os custos de geração de energia renovável têm vindo a diminuir nos últimos anos, sendo que em 2015, através de um estudo realizado pela Bloomberg NEF, concluiu-se que em alguns países a produção de energia eólica e solar tinha um custo inferior ao dos tradicionais combustíveis fósseis. E de acordo com um relatório de 2018 da Agencia Internacional de Energia Renovável, mesmo sem subsídios, a energia renovável é maioritariamente mais económica do que outras fontes de geração de energia. Contudo, apesar do Acordo de Paris ter sido assinado há aproximadamente 4 anos e os custos serem consideravelmente menores, a pergunta de muitos investidores e autoridades Europeias é se a energia renovável é realmente lucrativa sem os subsídios governamentais.

 

Além da questão ética de combater as mudanças climáticas, uma grande vantagem das energias renováveis é que, por exemplo, quando os ventos sopram, a energia é gerada de forma gratuita, uma vez que os custos estão associados principalmente com a instalação e manutenção das tecnologias. Um estudo recente de Valentin Bertsch e Valeria Di Cosmo utiliza modelos sofisticados para simular o mercado Europeu de eletricidade em 2030, e sob as suas premissas, o estudo conclui que em países costeiros do sul da Europa a lucratividade de projetos eólicos e solar fotovoltaicos é relativamente alta.

 

Independentemente de uma resposta conclusiva, a União Europeia traçou metas ambiciosas para geração de energia renovável até 2030. Tendo em conta estes mesmos objetivos, Portugal pretende ter 80% de geração de eletricidade provindos de fontes renováveis. Em janeiro deste ano, a Iberdrola anunciou um investimento de 200 milhões de euros em novos projetos eólicos na região do Alto Tâmega, podendo fornecer energia limpa a mais de 800 mil clientes em Portugal impulsionando o uso de energias verdes em Portugal, que em 2019 foi de 51%.

 

A K2 Management está presente em Portugal após a aquisição, em setembro de 2018, da Cruz Atcheson Consulting Engineers – uma consultora especializada em energias renováveis em ambiente marinho. Em entrevista exclusiva com João Cruz, cofundador da Cruz Atcheson e principal responsável pelo escritório de Lisboa, comentou que "ao longo do últimos 15 anos, a nossa experiencia assenta quase exclusivamente em projetos fora de Portugal. Neste tempo, verificamos uma mudança radical no perfil dos custos, do investidor e da matriz do projeto. Para contextualizar um exemplo recente, os últimos leilões para projetos de energia eólica offshore no Reino Unido têm como meta remunerações inferiores ao preço de mercado, o que significa um melhor ‘negócio’ para os consumidores. É portanto expectável que em Portugal e noutros países a mesma tendência se venha a verificar".

 

Com um preço de eletricidade inferior à média da UE, custos de desenvolvimento acessíveis e maior lucratividade nos projetos quando comparados aos seus pares europeus, é espectável que Portugal continue entre os líderes europeus no combate às mudanças climáticas, chegando cada vez mais perto dos seus objetivos definidos no Acordo de Paris.

 

Membro do Nova Investment Club

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