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Bernardo Salgado Nogueira 21 de Outubro de 2013 às 00:01

Os Cérebros e as Gaiolas Douradas

A grandiosidade da História de Portugal atinge o seu apogeu na era dos Descobrimentos, quando nos lançámos à conquista sem receios. Pensemos então neste êxodo como a nova era dos Descobrimentos, onde caravelas e astrolábios são substituídos por aviões e diplomas por usar

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As estatísticas não deixam lugar para dúvidas, estamos a viver uma das maiores vagas de emigração de que há memória. Contudo, ao contrário do que vimos brilhantemente representado no filme "A Gaiola Dourada", esta vaga de emigrantes leva consigo uma miríade de recém-licenciados altamente qualificados. De facto, já em 2011, faziam parte do fluxo de emigrantes, cerca de 40% dos finalistas da "Nova School of Business and Economics" que haviam sido colocados em empregos ou estágios fora de Portugal, número este que não tem parado de aumentar desde então. 


Foi com o espanto de quem não está habituado a ver peças jornalísticas sobre Portugal numa das publicações mais conceituadas do mundo, que me deparei com uma grande reportagem no "Financial Times" sobre esta temática da fuga de cérebros em Portugal. O que mais me espantou no artigo foi o sentimento de desalento que transmite sobre estes portugueses que se estão a lançar em busca de uma vida melhor e do tão desejado retorno pelo investimento em anos de educação e em horas de trabalho.

Na minha opinião, não podemos olhar para esta situação com o negativismo de um "Velho do Restelo" porque, se pararmos para pensar, vemos que a grandiosidade da História de Portugal atinge o seu apogeu na era dos Descobrimentos, quando nos lançámos à conquista sem receios. Pensemos então neste êxodo como a nova era dos Descobrimentos, onde caravelas e astrolábios são substituídos por aviões e diplomas por usar.

A verdade é que é tempo de partir porque, inevitavelmente, Portugal é neste momento uma economia que não gera emprego suficiente para a mão-de-obra disponível, uma realidade que traz graves consequências para os gerações mais adultas, mas não para nós jovens. Nós jovens fazemos parte da chamada Geração Y, esta casta que foi criada em pleno processo de globalização, que aprendeu Inglês na escola e que, em muitos casos, teve a bênção de poder estudar fora em algum momento da sua vida. Por todas estas razões estou confiante que esta é uma geração de gente preparada para enfrentar o desafio da emigração com ânimo e não com desalento.

"Vou ter a minha casa em Portugal?" perguntava Maria Ribeiro, a personagem interpretada por Rita Blanco, num estado de êxtase de quem vê real e próximo o tão desejado regresso a Portugal. É nesta mesma vontade de regressar que reside o ponto chave do sucesso deste movimento demográfico a que prefiro apelidar de fuga temporária de cérebros. Se estes que agora partem puderem um dia voltar, mais aptos e conhecedores da realidade externa, para um Portugal sustentável, não haverão gaiolas douradas ou propostas milionárias que os impeçam de voltar às origens e criar valor no país que os criou.

Resta então, durante os próximos anos e aproveitando as importantes remessas dos emigrantes, trabalharmos juntos por um país com as contas equilibradas, capaz de se financiar a si mesmo e com mais e melhores oportunidades para que, esta promissora geração venha um dia mais tarde a contribuir para um Portugal melhor.

Vice-Presidente Nova Investment Club

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