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Helena Garrido Helenagarrido@negocios.pt 20 de Fevereiro de 2015 às 21:21

O último drama grego

Os investidores financeiros é que tiveram razão ao actuarem com optimismo, indiferentes às ameaças que iam surgindo no espaço público sobre a Grécia. A Zona Euro viveu mais um dos seus dramas em cima do precipício.

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Tudo acabou bem mais uma vez. Com mais umas quantas facadas na confiança sobre o futuro do euro com danos inevitáveis na recuperação do investimento que cria valor e empregos.  Mas com a certeza que esta pode ser a última oportunidade da Grécia.

 

O Eurogrupo aceitou estender o empréstimo da Grécia por mais quatro meses e a partir de agora, ao que parece, vai deixar de se falar em troika, memorando e programa. É todo um novo vocabulário que nasce da crise grega.  Vamos ter de esperar mais uns dias para perceber o que mais mudou, para saber se o abalo grego deu aos líderes da Zona Euro bom senso para começarem a adaptar a política económica aos problemas que enfrentamos agora, a ameaça de deflação.

 

A Grécia conseguiu quatro meses sem um novo resgate e, aparentemente – é preciso perceber ainda – sem um programa cautelar. Basicamente parece ter obtido o tal apoio financeiro de transição que queria desistindo dando aos credores dois meses – terá quatro meses e não seis meses como desejava.

 

É preciso ainda esperar para fazer um balanço final do que conseguiu a Grécia com a pedrada que lançou para o charco em que se estava a transformar a Zona Euro. Mas, para já, ficou demonstrado que não é assim tão fácil atirar um país para fora do euro.  Nem para o rejeitado nem para quem quer expulsar.

 

É compreensível que países como Portugal, Espanha e Irlanda se sintam bastante irritados com o que se passou. Mas não é racional.  Todos irão ganhar com o que fez a Grécia e com o que conseguiu o novo governo grego. E os gregos têm ainda um longo caminho a percorrer até chegarem ao sítio onde nós já estamos. O problema está nos efeitos que as conquistas de Atenas podem ter no quadro de incentivos da construção do euro.

 

Para a Grécia esta é sem dúvida a última oportunidade. Se o Governo grego falhar desta vez, dificilmente voltaremos a ver o mesmo apoio. Um novo drama grego promete ser uma tragédia para o euro.

 

Agora é tempo de esperar para perceber melhor o que de facto está em cima da mesa do governo grego. Para compreender se há uma renovada Zona Euro.

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