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Opinião
Jorge Marrão 14 de Outubro de 2020 às 18:14

A proletarização da sociedade

A corrupção política é feita para reduzir a independência da sociedade civil e manter o status quo. Os descontentes (quase toda a sociedade) concordam com os encantos dos políticos habilidosos que propalam retirar dos ricos para distribuir pelos pobres e remediados.

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A FRASE...

 

"...O nervo de que o país precisa para enfrentar o futuro, só existe neste Orçamento como um adorno de pechisbeque." 

 

Manuel Carvalho, Público, 13 de Outubro de 2020

 

A ANÁLISE...

 

Uma sociedade sem crescimento caminha invariavelmente para que as instituições públicas e privadas, e cada um de nós, fixem as suas posições de vantagem comparativa nas hierarquias sociais estabelecidas. Os interesses prevalecentes, sabendo do risco da mudança, dedicam-se à captura das instituições e das pessoas, assumindo, paralelamente, que cada uma tem um "preço": ao lhes ser vedado o acesso a poder e recursos, por não serem colaboracionistas com o regime de interesses instalados, os seus caminhos de progressão social e institucional estreitam-se. Ou aceitam ser "comprados", ou se revertem para as causas mais populistas antissistema, ou se abstêm de lutar pelos seus legítimos interesses, ou acomodam-se.

 

A corrupção política é feita para reduzir a independência da sociedade civil e manter o status quo. Os descontentes (quase toda a sociedade) concordam com os encantos dos políticos habilidosos que propalam retirar dos ricos para distribuir pelos pobres e remediados. Marchamos assim para a nossa proletarização e para a luta de classes sociais tão do agrado da esquerda radical e do socialismo do frentismo de esquerda. O analista político José Miguel Júdice defendeu numa estação televisiva a redução do IRS em 25% para os rendimentos do trabalho que oscilam entre 12 e 50 mil euros. O OE não teve coragem de acomodar este tipo de propostas.

 

Ao se concretizar dessa forma ou de outra, fortaleceria o poder das pessoas nesta classe de rendimentos que aspiraria assim a ser dona do produto do seu trabalho e a libertar-se do custo das obras do Estado (em linguagem macroeconómica, livravam-se do estímulo keynesiano do investimento e consumo públicos manobrados pela classe política governante) e poderia deste modo, na sua família, decidir sobre as "obras" que lhe interessavam: gastar em consumo, poupar ou investir em educação ou habitação, por exemplo. Os tostões que se distribuem agora são impostos futuros. É lamentável que os poderes da oposição, os sindicatos, as entidades representativas do empresariado, os funcionários públicos, os poderes mediáticos e a magistratura de influência do Presidente da República, cada um com as suas razões, se silenciem, e nalguns casos, compactuem com esta triste história. 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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