Luís Todo Bom 30 de Setembro de 2020 às 20:43

Como os líderes narcisistas destroem, por dentro, as organizações

Os narcisistas, afirma O’Reilly, “procuram exclusivamente a auto-satisfação, revelando falhas de carácter; julgam-se superiores e dispensados de cumprirem as mesmas regras e normas; actuam desonestamente para atingirem os seus objectivos".

A última revista da Escola de Gestão da Universidade de Stanford inclui um artigo de reflexão, do Professor Charles O’Reilly, sobre o tema “Como os Líderes Narcisistas destroem, por dentro, as Organizações”.

Neste artigo, o autor começa por afirmar que “há um conjunto de candidatos a lugares de liderança, que após entrevistas brilhantes, evidenciam, quando são contratados: arrogância em vez de confiança; são impulsivos e não arrojados; com falta de empatia, explorando os subordinados; ignorando os conselhos dos especialistas, que tratam com desprezo e hostilidade; exigindo, acima de tudo, lealdade pessoal. São, em conclusão, furiosos narcisistas”.

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O artigo prossegue com a interrogação: “ O que motiva estes líderes? Grandes feitos na sua empresa ou no país? Ou só o seu engrandecimento pessoal?”

No segundo caso, “que a investigação mostra ser mais frequente, os líderes narcisistas destroem as organizações”.

Os narcisistas, afirma O’Reilly, “procuram exclusivamente a auto-satisfação, revelando falhas de carácter; julgam-se superiores e dispensados de cumprirem as mesmas regras e normas; actuam desonestamente para atingirem os seus objectivos; sabem que estão a mentir, mas isso não os incomoda; não sentem vergonha”.

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E prossegue, “os narcisistas mudam as empresas e os países que lideram, do mesmo modo que a má moeda expulsa a boa moeda; as vozes divergentes são silenciadas; o servilismo e a adulação são premiados; o cinismo e a apatia corroem qualquer sentido duma cultura partilhada”.

“Quando atingem o poder, os narcisistas consolidam a sua posição, despedindo todos os que os desafiam.”

E as implicações mais graves situam-se ao nível da cultura das organizações, em que “criam uma cultura individualista, sem trabalho em equipa e sem integridade; e uma vez criada esta cultura, é muito difícil alterá-la, com consequências nocivas graves, a longo prazo, para as organizações”.

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O autor termina as suas reflexões, com as seguintes duas afirmações:

“Como se regem, fundamentalmente, pelos seus próprios interesses, ausência de empatia e são menos constrangidos por standards éticos, podem causar prejuízos tremendos, uma vez no poder, e podem mesmo colocar em risco as organizações que lideram” e “Atenção que estes indivíduos não vão mudar”.

Lemos este artigo, escrito por um dos melhores professores de estratégia, de base comportamental, que refere ainda algumas constatações preocupantes, que não refiro por limitações de espaço, e não conseguimos impedir-nos de associar estas variáveis do modelo a alguns líderes, políticos e empresariais nacionais.

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Prolixos, gostando de se ouvir, privilegiando o espectáculo em detrimento da reserva, com falhas de carácter nas crises, desleais e desresponsabilizando-se perante os seus pares e subordinados.

Que destruíram, e continuam a destruir, valor na sociedade portuguesa.

Não conseguimos impedir um calafrio, com as últimas palavras do autor:

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“Atenção que estes indivíduos não vão mudar.”

 

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