O regresso dos “achadores”
Os "achadores", ou seja, os indivíduos que "acham" coisas sobre temas em que não detêm qualquer tipo de conhecimento estruturado, estão de volta à actualidade nacional.
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A presença nas redes sociais, em que emitem opiniões, sobre todos os temas da actualidade, intensificou-se.
Participam no maior número possível de webinars, estão, permanentemente, online, sempre a "acharem" qualquer coisa, sobre qualquer tema.
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A situação actual, de completa ou quase completa inactividade, e a convicção de que dominam o ciberespaço criaram as condições ideais para a multiplicação dos "achadores".
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Confundem informação com conhecimento, passam horas à frente dum ecrã, saltando de site para site, e emitindo, permanentemente, opiniões, completamente inúteis e incorrectas.
Na maior parte dos casos, o anonimato ajuda à libertação das frustrações e à manifestação da ignorância dos "achadores".
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Recusam-se a ler um texto académico, com conhecimento estruturado sobre os temas em análise, preferindo, preguiçosamente, a leitura de textos superficiais, que retiram da net.
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São os alunos dedicados da universidade da mediocridade.
No momento presente, os temas sobre os quais a maioria destes ignorantes "acha" coisas são a pandemia e a economia.
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Em relação à primeira, partilham vigorosamente opiniões de outros "achadores" sobre medicamentos milagrosos, vacinas, formas de controlar a pandemia, vitórias e derrotas dos vários países, sem caracterizarem a sua envolvente social, cultural e económica.
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No âmbito da economia, o país assiste, estupefacto, ao surgimento dum número incomensurável de especialistas nesta área.
Indivíduos que nunca dirigiram uma empresa, nem fazem ideia do que isso é, apresentam soluções para o desenvolvimento empresarial do país e para a saída da crise actual.
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Há um factor comum nas soluções destes "achadores": envolvem sempre a injecção de milhares de milhões de euros do Estado, de preferência, a fundo perdido.
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Sem identificarem o modo de recuperação desse dinheiro, que sairá dos bolsos dos contribuintes.
Incluindo o que virá da União Europeia.
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Existe, aliás, um leilão sobre este número, com cada novo especialista que se pronuncia, a aumentar o volume de dinheiro que o Estado deve disponibilizar.
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Já ouvimos propostas de mil, cinco mil, dez mil, quinze mil milhões de euros.
Não para modernizar a nossa administração pública e as nossas empresas, com novos investimentos em inovação e tecnologia, que melhorem o nosso posicionamento competitivo actual, mas para manter a situação actual, com as mesmas ineficiências, o mesmo desajustamento fiscal e laboral e a mesma baixa produtividade.
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Sem qualquer referência a programas de inovação, modernização tecnológica e novos modelos de gestão que nos aproximem dos modelos mais competitivos da Europa.
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Ficando o país, no pós-pandemia, pior do que estava, sem qualquer ajustamento estrutural da sua economia.
Quando se deita dinheiro para cima dos problemas, o dinheiro desaparece e os problemas mantêm-se.
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Mas, alegremo-nos, a festa continua, os "achadores" estão de volta.
Gestor de Empresas
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Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico
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