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Opinião
Manuel Falcão 20 de Novembro de 2015 às 10:11

A esquina do Rio

Daqui a uns anos, quando se fizer a História destes dias que vivemos em Portugal, talvez alguém revele qual foi o equivalente, no Palácio de Belém, nas sucessivas audiências que Cavaco Silva promoveu com banqueiros

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Seja o que fôr que os terroristas querem alcançar,de certeza que criar um mundo melhor não está entre os seus objectivos, já que aquilo que fazem é matar inocentes.
Salman Rushdie

Recreio
Daqui a uns anos, quando se fizer a História destes dias que vivemos em Portugal, talvez alguém revele qual foi o equivalente, no Palácio de Belém, nas sucessivas audiências que Cavaco Silva promoveu com banqueiros e outras corporações, ao enigma que a esfinge grega colocava aos viajantes: "Que criatura anda com quatro pernas pela manhã, duas pernas à tarde e três pernas ao anoitecer?" . O nosso sistema permite prazos dilatados para a tomada de decisões, quando os define - o que nem sempre é o caso.
Sabemos que a justiça é lenta, sabemos que o Parlamento é demorado, que a convocação de eleições tem prazos absurdos no mundo de hoje, que a justiça ignora o que é o tempo, e muito menos o tempo útil. O nosso Estado, de cima a baixo, por definição, prefere ignorar a existência desse anacrónico objecto que é um calendário. Não sei quem será que, na charada em que estamos metidos, fará o papel de Édipo na esfinge de Belém e decifrará o enigma. Na mitologia, quando Édipo acertou na resposta, a esfinge atirou-se de um precipício. O meu maior temor é que no caso português, a esfinge que temos escolha atirar o país para um precipício, salvando-se a ela própria. Quanto maior a demora, maior o precipício; quanto maior a indecisão, maior o risco. Nem quero pensar que a esfinge de Belém resolva ignorar as respostas para poder terminar o seu prazo de validade sem sobressalto.

Semanada
• A adopção gay vai ter a sua quinta votação no Parlamento  Cavaco Silva afirmou, sobre a situação actual, que esteve cinco meses em gestão quando foi primeiro-ministro; António Costa afirma não querer Governo de gestão  António Barreto disse que "quem tem de estar de acordo com o programa do governo é o Parlamento, não o Presidente da República"  Cavaco Silva afirmou, na Madeira, que não vê na crise política motivo para preocupações  no curto espaço que decorreu depois das promessas eleitorais verifica-se que a prometida devolução da sobretaxa caíu para 0%  José Sá Fernandes afirmou que "o futuro das cidades está nos candeeiros"  Porto, Setúbal e Aveiro lideram o ranking das cidades com maior número de burlas reportadas às autoridades policiais, um total de 20 mil em cinco anos, 72% das quais são praticadas por pessoas que se fazem passar por funcionários de serviços públicos  as burlas informáticas triplicaram nos últimos seis anos  há dez instituições privadas de ensino superior em risco de encerrar por falta de alunos - no total as privadas perderam dez mil alunos em três anos  no âmbito do programa Portugal 20/20 foram aprovados 21 projectos turísticos no valor de 45 milhões de euros  um dos grandes produtores mundiais de cenouras quer instalar-se em Odemira  o número de funcionários públicos aumentou pela primeira vez desde 2011  José Sócrates foi visitar Pinto da Costa ao Porto, em retribuição da visita que este último fez ao ex-primeiro ministro quando estava detido em Évora  o ex-ministro Miguel Macedo foi acusado de usar o seu cargo para favorecer amigos.

Dixit
É fundamental que haja um Governo que governe, rapidamente, porque há muita coisa parada.
Marcelo Rebelo de Sousa

Folhear
Da série de livros recentemente editados sobre o BES, o mais interessante é aquele que o historiador Luciano Amaral escreveu, e que foi agora editado pela D.Quixote: "Em Nome do Pai e do Filho… O Grupo Espírito Santo, da privatização à queda". Luciano Amaral especializou-se em História Económica Portuguesa do Século XX e lecciona na Nova School Of Business And Economics, em Lisboa. Fugindo à habitual ladaínha sobre os acontecimentos de 2014, este trabalho de Luciano Amaral optou por fazer o paralelo entre o a actividade do Grupo Espírito Santo, nos últimos 30 anos, com a evolução da economia portuguesa no mesmo período, e também com os outros grupos económicos portugueses. Muito para além da espuma dos dias mais recentes e da procura de episódios sensacionais, a abordagem é mais distanciada e, também, mais enquadrada - o início do livro parte da actividade como cambista na segunda metade do século XIX e percorre a expansão ocorrida durante o Estado Novo até à nacionalização de 1975. Mas o grosso do trabalho centra-se no período entre 1985 e 2014, entre o regresso das actividades do GES a Portugal na segunda metade dos anos 80, enquadrando-o no tempo, até ao seu colapso em 2014. Cheio de informação, este livro de Luciano Amaral relata o que aconteceu ao longo dos anos e permite uma imagem tão focada quanto possível desta parte da História recente de Portugal. Ainda por cima está muito bem escrito.

Gosto
Da candidatura portuguesa do fabrico de chocalhos a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, que já obteve parecer positivo da comissão internacional de especialistas do organismo.

Não gosto
Do exagero de comentários por gente impreparada e da subalternização de notícias e factos na cobertura que as TV fizeram dos atentados em Paris.

Ver
António Costa Pinheiro, falecido em Outubro passado, foi um dos grandes artistas portugueses, injustamente pouco conhecido entre nós. Na apresentação de uma exposição que reúne oito dezenas das suas obras, e que está na Galeria São Roque até final de Dezembro, o ensaísta e especialista em arte contemporânea Bernardo Pinto de Almeida manifestou a sua estranheza em não se ter feito nos últimos anos, em Portugal, nenhuma grande exposição retrospectiva do trabalho de Costa Pinheiro que permitisse a divulgação e compreensão da sua obra pelos públicos mais recentes. Em 1958 Costa Pinheiro fundou, com René Bertholo, Lourdes Castro, João Vieira, José Escada, Gonçalo Duarte, Jon Voss e Christo, o grupo KWY, que marcou uma época. Trabalhou em Paris e, sobretudo, em Munique. Apesar de estadas regulares em Portugal, foi na Alemanha que acabou por viver muitos anos, e foi lá que mais regularmente expôs. Agora a Galeria São Roque mostra obras feitas entre 1955 e 1985, e tem o título "Imaginação e Ironia". Este é também o título do livro agora editado em português pela primeira vez, e que foi originalmente publicado na Alemanha em 1970, com arranjo gráfico do autor. A edição respeita o design gráfico da edição original alemã, que foi premiada pela Fundação Erika-Reuter Lemforde. Galeria São Roque, Rua de S. Bento 269.

Arco da velha
Centenas de candidatos no exame para a carta de condução pagaram cinco mil euros para passar no teste - eram apetrechados com uma microcâmara na lapela para se poder visualizar, a partir do exterior, o exame que surgia nos ecrãs dos computadores do local dos exames e os candidatos recebiam, através de um sistema de comunicação por auriculares, as respostas certas dadas por especialistas que estariam numa carrinha estacionada perto - ao todo o esquema terá rendido um milhão de euros.

Ouvir
Tori Amos começou a sua carreira musical em 1988 e tem duas dezenas de álbuns na sua discografia. O seu maior sucesso foi o álbum "Little Earthquakes", de 1992, que vendeu mais de cinco milhões de exemplares. Depois desta sua fase mais popular tornou-se numa cantora de culto, muitas vezes trabalhando a solo com o seu piano. Em 2014 o seu album "Unrepentant Geraldines" mostrou como com o passar do tempo ela tem sabido desenvolver a sua criatividade. Em 2013 lançou-se na criação de uma peça teatral musicada, "The Light Princess", estreada nesse ano no Reino Unido. A música é de Tori Amos, as palavras foram escritas com Samuel Adamson. Depois das apresentações ao vivo, Tori Amos empenhou-se em fazer a gravação em estúdio de toda a banda sonora, num processo longo que demorou 11 meses e que envolveu, além da orquestra, um conjunto de 26 actores que interpretararm 33 canções - duas são interpretadas por ela própria - "Highness in the Sky" e "Darkest Hour", e o resultado é um duplo CD. Tori Amos descreve a peça como um conto de fadas contemporâneo que fala dos problemas actuais dos adolescentes e das suas relações com os adultos. Amos compara-o, na temática e nas reacções que tem tido do público, a "Little Earthquakes". A experiência era arriscada mas a legião de fãs de Amos ficará surpreendida, mas não desiludida, com este trabalho.

Provar
A minha família é originária do distrito de Portalegre, de maneira que as minhas memórias gustativas são muito marcadas pela região - do queijo aos enchidos, passando pela doçaria de terras como Nisa, Alpalhão e Amieira do Tejo. Esta região tem ainda muitos pequenos produtores, quase artesanais, e algumas instalações mais industriais. Muitas vezes é difícil encontrar nas grandes superfícies produtos regionais de pequenos produtores - e desta vez consegui descobrir bem no centro de Lisboa um sítio dedicado ao que de melhor há para oferecer no Alto Alentejo. Chama-se "O Cocho - Mercearia Alentejana" e fica na Rua de S. Bento 239, um pouco acima do Clube Nacional de Natação. Na página www.facebook.com/ocochomerceariaalentejana pode seguir-se o que vai surgindo por lá. Numa visita recente comprei o excelente Bolo Finto (na imagem), oriundo da Urra, Portalegre, uma massa bem temperada com erva doce. Cortado em fatias fica excelente em torradas. Mas o Cocho tem produtos de várias regiões do Alentejo e não apenas na área do petisco - lá se podem encontrar mantas tradicionais, pequenas peças de mobiliário e artesanato. Fiquei cliente.

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