Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Paulo Carmona 20 de Julho de 2020 às 19:00

O nosso Houdini à prova

Como fará o nosso Houdini, António Costa, para aplicar reformas de troika contra o seu eleitorado? A bonomia continuará? As vacas magrinhas também voarão? Pedro Nuno Santos aguentará? Rio permanecerá amigo e disponível? Isto promete…

  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...

A FRASE...

 

"Sindicato diz que adesão à greve no Hospital de Braga é de 90%"

Diário do Minho, 20 de julho de 2020

 

A ANÁLISE...

 

O ministro das Infraestruturas diz que tem estudos a confirmar que o vírus não se propaga em transportes públicos cheios, a ministra da Saúde não quer concordar. Esses estudos devem permitir também aos alunos frequentar salas de aula bem menos apinhadas que a linha de Sintra. O inefável Mário Nogueira diz que os professores não concordam, com medo do bicho ou de dar aulas. O SNS quase fechou para quem não tem covid. A Ordem dos médicos fala em 3,9 milhões de consultas e 93 mil cirurgias adiadas, das quais 1900 oncológicas urgentes, com risco mortal. Não há números sobre o aumento de mortalidade associada a estes adiamentos, mas não deve ser menor que a associada ao covid-19.

Um denominador comum, o aumento da desigualdade. Anos de cativações nos transportes, com supressão de composições e manutenção, deu em que não há mais comboios disponíveis. Pobre, sem viatura própria, arrisca o covid, ou morre à fome. O ensino público, refém de Nogueira, quer evitar aulas presenciais, mesmo sabendo que ir à escola é essencial para alunos mais desfavorecidos. Com dinheiro pode optar por um mais cuidadoso ensino privado. E na saúde, quem é funcionário público ou tem seguro de saúde, evita os adiamentos e recorre ao privado. Um país mais desigual, resultado das cativações de socialistas. A troika e os PEC de Sócrates levaram as gorduras, Centeno a carne, e ficámos com o osso à mostra. Tudo menos violentar o eleitorado natural da esquerda. No hospital de Braga, agora público, começaram as greves…

Uma grande crítica aos bónus dos CEO é a sua fixação no curto prazo. Se reduzir a manutenção e a publicidade da empresa pode fazer um brilharete nos resultados desse ano e no bónus atribuído, hipotecando o futuro de outros. Não está muito longe do que aconteceu em Portugal.

Entretanto vai chegar dinheiro dos repugnantes, mas com condições de reformas. Aquelas, necessárias para a competitividade e atratividade da economia, que ficaram por fazer ou foram revertidas. Como fará o nosso Houdini, António Costa, para aplicar reformas de troika contra o seu eleitorado? A bonomia continuará? As vacas magrinhas também voarão? Pedro Nuno Santos aguentará? Rio permanecerá amigo e disponível? Isto promete…

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias