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Pedro Santana Lopes 30 de Julho de 2020 às 09:40

Novas anormalidades

Na União Europeia há entrega de parcelas de soberania por causa da necessidade de dinheiro que não seriam aceites em nenhum Tratado, em circunstâncias comuns.

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Tem-se falado muito de novas normalidades. Confesso que tenho encontrado, sobretudo, novas anormalidades.

 

Não é só em Portugal, é um pouco por todo o mundo. Desde a política à economia passando por instituições religiosas e indo até ao desporto. Deparamo-nos com uma série de situações, comportamentos, declarações, ausências, decisões absolutamente surpreendentes.

 

Um dos grandes riscos da pandemia é esse: o de normalizar anormalidades.

 

Assiste-se a um pouco de tudo com atitudes ou palavras que noutros tempos teriam provocado consequências graves para os seus autores. E o problema é que, por vezes, o exemplo vem de onde não devia vir.

 

A pandemia vai justificando saltos tecnológicos e jurídicos que não seriam aceites em situação pré-pandemia. Na União Europeia há entrega de parcelas de soberania por causa da necessidade de dinheiro que não seriam aceites em nenhum Tratado, em circunstâncias comuns. Todos temos a sensação de que está em curso uma revolução no relacionamento entre os cidadãos, os Estados e os poderes mundiais, nomeadamente no controle a que os indivíduos ficam sujeitos.

 

Blockchain, criptomoedas, moedas digitais, reconhecimentos faciais, análises fisiológicas, serviços e pagamentos, comunicações, transportes, fontes de energia, organização social, papel, plástico, digital, aplicações, inteligência artificial, robots, foguetões para Marte de países árabes... A tudo vamos assistindo todos os dias. Já nem estranhamos que só por mandares uma mensagem a uma pessoa, haja alguém algures no mundo que logo te sugira uma nova ligação com alguém que talvez conheças.

 

A privacidade digital é só uma das componentes dos novos combates que os seres humanos vão travar com os novos poderes que emergem. Terão responsabilidade nas lavagens cerebrais a que temos sido submetidos? Farão parte do condicionamento subjugante que abra caminho para o total controle tecnológico? Há quem diga que sim. Convém que estejamos bem atentos, independentemente da faixa geracional de cada um. As novas normalidades que tragam progresso com liberdade e justiça, são sempre bem vindas. Anormalidades são sempre o que são, especialmente se pisarem as liberdades.

 

Advogado

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