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As lições de Podrick para quem gere profissionais que não podem baixar os braços ou parar

"Um dia, quando voltarmos ao normal…" - talvez seja este um dos lugares mais comuns do nosso quotidiano de confinamento, mas cumpre-nos perceber que o normal, nunca será a realidade que conhecemos antes.

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"Um dia, quando voltarmos ao normal…" - talvez seja este um dos lugares mais comuns do nosso quotidiano de confinamento, mas cumpre-nos perceber que o normal, nunca será a realidade que conhecemos antes. Sobretudo, nada será igual no mundo da gestão das pessoas e, entretanto, as próprias pessoas, as entidades empregadoras e até os negócios, reconfiguram-se e posicionam-se em terrenos que ainda ninguém percebeu muito bem como se definirão. Talvez possamos dividir o mundo atual em dois grandes grupos – os que continuam e os que abrandam ou param. Relativamente às empresas, pode esta divisão ser abissal e talvez o raciocínio deva ser "que negócio posso fazer com a estrutura que tenho" e nem tanto "no atual negócio, esta estrutura está sobredimensionada" – a reinvenção dos negócios, a cocriação e o intra-empreendedorismo nunca tiveram tanto significado, e essa poderá ser uma parte da moldura para ultrapassar os efeitos negativos desta pandemia, de que já ninguém tem dúvidas. Mas interessa aqui ver o lado das pessoas, e estas deveriam valer pelo que são e não só pelo que fazem, quando é imperativo que o façam.

 

Retoma-se uma personagem secundária - Podrick Paine da "Guerra dos Tronos". Nas primeiras temporadas, o discreto e subserviente escudeiro cumpria as suas tarefas, mantinha-se na sua condição de sobrevivência, embora deixasse sempre revelar esperança e ambição de ter uma "posição melhor". Só durante a "Batalha da Água Negra", e após ter salvo a vida ao seu senhor, viu o seu valor reconhecido e a frase "Nunca houve escudeiro mais leal" fez eco. Nas temporadas seguintes, revela até ser "um talento" em alguns domínios, mas é já como escudeiro de Lady Brienne de Tarth, que Pod assume uma importante missão, se revela ágil na aprendizagem, na adaptação e determinante em grandes façanhas. De quase insignificante, Pod encontra o seu espaço para ser uma peça importante e para cumprir a sua missão. Mas a vida não é ficção… não é, mas por vezes a ficção representa tão bem a vida, que quase parece ser a própria. Porquê esta invocação para se falar dos profissionais que não param? Porque eles são um pouco a representação de Podrick. Falamos de médicos, enfermeiros, paramédicos, bombeiros, jornalistas, farmacêuticos, agricultores, motoristas, trabalhadores de limpeza, de recolha de lixo, dos serviços de água, luz e gás, de forças militares, paramilitares e de segurança, … de todos aqueles que por missão ou porque simplesmente têm de assegurar a subsistência – sua e das suas famílias, não param. De muitos com quem conversei por estes dias, grande parte aceita e conforta-se com o reconhecimento, com as palmas, os posts, os comunicados das empresas, e alguns prémios e incentivos, mas deixam escapar o amargo (e o perigo) das poucas condições de segurança para fazer o trabalho e para "voltar à família", de que se sentem "braços" e não pessoas, de propostas desonestas e de alguma decadência (por exemplo, estender horário sem remuneração) ou mesmo de "não ter um espaço para descansar" ou de sentir culpa por trocarem EPI’s (Equipamento de Proteção Individual) – como manda o protocolo, e saberem que não existem mais. Tantos destes profissionais reivindicam há anos melhores condições de trabalho, e tantas vezes se viram socialmente criticados. Tantos têm hoje de viver numa mudança permanente e rápida, diária por vezes, e nem sempre apoiados ou preparados. Sobretudo para estes que não querem, ou não podem parar, quem  os gere deve perceber – e agir em conformidade, que a vida "não é dia sim, dia não" e eles não são excecionais hoje, que precisamos deles – sempre o terão sido, só que isso não se pode reconhecer quando outros valores e necessidades são mais prementes. Mais ética ao reconhecer e valorizar as pessoas, ensina-nos Podrick.

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