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Germano Oliveira 29 de Outubro de 2009 às 15:55

Ele sentiu falta de Bill Gates até ter vingado nas escolas

Hoje, é assim: liga-se o computador e, segundos depois, temos o mundo inteiro ali dentro - e como é tudo tão simples. Mas este homem viveu na idade da pedra informática e aprendeu no mundo das empresas o que aconteceu. "O maior sucesso de Bill Gates foi...

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Vítor Barbosa começou por se dedicar ao desenvolvimento e comercialização de "software". Hoje, o negócio é o mobiliário escolar.


Hoje, é assim: liga-se o computador e, segundos depois, temos o mundo inteiro ali dentro - e como é tudo tão simples. Mas este homem viveu na idade da pedra informática e aprendeu no mundo das empresas o que aconteceu. "O maior sucesso de Bill Gates foi tornar as pessoas burras." E isto é um elogio (a fortuna do senhor da Microsoft confirma isso mesmo).

Vítor Barbosa, que comanda actualmente a nortenha Nautilus, aprendeu tudo isto há muito tempo. É ele o homem que viveu nessa era em que não havia Windows e é dele o elogio a Bill Gates. E é por tudo isto que esta é uma história de um homem que empreende.

Estávamos na viragem da década de 80, já com os anos 90 a entrarem pelo calendário. Vítor Barbosa era um dos muitos alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), ele que chegou a pensar ser arquitecto. "Entrei para arquitectura, mas só estive lá um ano - foi um engano. Pensava que era um curso mais técnico, mas era puramente artístico. As aulas eram na Faculdade de Belas-Artes. Quando vi que fui parar lá por engano, fui para engenharia, para não ter mais surpresas", conta.

É precisamente enquanto está na FEUP, onde se licenciou em 93/94, que percebeu como é boa esta nova era dos computadores. Em conjunto com um amigo, Vítor Barbosa fundou a Cateto, tinha o próprio 19 anos. Em plena Rua da Constituição, no Porto, montou a que diz ter sido "a primeira firma do Porto de CAD - desenho assistido por computador".

E ele, em conjunto com o amigo, fez na casa dos 20 anos o que muitos não fazem numa vida: vendeu um negócio de sucesso. É que a aventura foi tão bem-sucedida que a Cateto acabou por ser comprada. Tudo isto numa altura em que se usava computadores em que o MS-DOS é que era. "Era preciso saber mais de 400 comandos de cor. Não se fazia nada sem se saber isto tudo. O nosso computador, que hoje seria coisa de museu, custou mais de dois mil contos", relembra Vítor Barbosa. E, de seguida, vem o tal elogio a Bill Gates. "O maior sucesso dele foi tornar as pessoas burras. Antes, tínhamos que saber programar. Hoje em dia, uma pessoa não precisa de saber quase nada e vai por ali fora", argumenta.

Madeira no fim
Logo após esta primeira experiência empresarial, que deu para encaixar algum dinheiro e para perceber como é que Bill Gates entrou nesta conversa, seguiu-se nova aventura nestas lides do empreendedorismo.

Mais uma vez, Vítor Barbosa juntou-se a um amigo e criaram uma empresa virada para a construção de "webpages". "O primeiro 'site' da Renault em Portugal foi feito por nós", diz. "Estávamos os dois no terceiro ano, numa época em que não havia Internet Explorer e em que as linguagens informáticas não eram nada do que são hoje", refere.

Ao invés da Cateto, esta aventura teve um final menos rentável - mas por opção própria. O amigo de Vítor Barbosa era da Madeira e quis regressar a casa, o que levou ao encerramento da empresa. E, entretanto, Vítor Barbosa acabou o curso - era tempo de outras aventuras.

Questão: onde foi parar este homem que começou pelo desenho assistido por computador? Ao mobiliário escolar. Em 1999, Vítor Barbosa acabou por assumir a liderança de uma empresa quase falida - a Nautilus, que produzia mobiliário doméstico.

A empresa, fundada em 1996 e localizada nas imediações do Porto, estava em vias de encerrar. Vítor Barbosa, que estava por essa altura numa empresa da área do mobiliário escolar, deixou-se seduzir pelo desafio de salvar a Nautilus. Em 1999, assumiu a liderança da empresa e, nesse mesmo ano, houve lucro. O negócio mudou - a Nautilus passou para o sector do mobiliário escolar e deixou a área mais doméstica - e hoje vende mais de 30% da produção lá fora.

Mas nem tudo é perfeito. É verdade que Vítor Barbosa já não precisa de saber mais de 400 comandos do MS-DOS de cor, mas deixou quase de ter tempo para férias. Mas, para este problema, não há Bill Gates que o salve - são as vicissitudes de quem empreende.




Bilhete de Identidade

Nome: Nautilus

Sede: Gondomar (Porto)

Ano de criação: 1996

Nº de trabalhadores: 70

Volume de negócios: 12 milhões de euros (objectivo para 2009)






Escola tecnológica
Após a entrada de Vítor Barbosa e da sua equipa em 1999, a Nautilus tem crescido cerca de 30% ao ano. O segredo tem estado na forma como a tecnologia tem sido aliada ao mobiliário escolar. Por exemplo, um dos produtos da empresa é um secretária de sala de aula que tem um computador embutido - pode funcionar como uma secretária normal ou, uma vez colocado o dispositivo em acção, um mini-centro informático. Outro produto, sustentado numa componente mobiliária, é um suporte integrado com computador, quadro interactivo e projector de vídeo. Por outro lado, a empresa também tem uma vertente de "software", através da qual liga os diversos dispositivos da sala de aula entre si, para que o professor possa controlar na sua secretária o que se vai passando. No ano passado, a empresa facturou cerca de cinco milhões de euros e o objectivo para este ano é chegar aos 12 milhões. "Neste momento, temos uma carteira de encomendas já superior a este valor", avança Vítor Barbosa.
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