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Manuel Castelo Branco - Advogado
28 de Junho de 2012 às 20:32

"Your Majesty, there is no second!"

Segundo Paulo Bento, "fizemos um campeonato extraordinário". Com todo o respeito, acho que não e sugiro que a partir de agora adoptemos o lema "there is no second" como "soundbyte" da campanha do Mundial.

Foi esta a resposta que a Rainha Victoria ouviu de um dos seus súbditos quando, em 1851, quis saber qual o veleiro que tinha cortado a linha de chegada depois do América na regata que a partir de então passou a ser conhecida por America’s Cup.

Vem isto a propósito de futebol, ou melhor, desse fado a que nós portugueses nos achamos irremediavelmente condenados, que sublimamos sempre com a "vitória moral" ou a " imerecida derrota" e justificamos com a "falta de sorte", ou com o "fomos roubados".

O que se passou antes, durante e depois da nossa derrota frente à Espanha, é bem o exemplo disso.

Antes do Campeonato começar, Cristiano Ronaldo disse claramente aquilo que pareceria óbvio a toda a gente: íamos à Ucrânia e à Polónia para ser campeões!

Cristiano Ronaldo, que aos 11 anos se despediu da família para iniciar em Lisboa o seu projecto de ser o melhor profissional do Mundo, sabe que ser segundo é ser o primeiro dos últimos. Com a ajuda do Sporting, de Ferguson, de Carlos Queiroz e, agora, de Mourinho sacrificou-se e formatou-se para ser um campeão. Foi-o por onde passou, com excepção da sua selecção nacional.

Contudo outros, com a responsabilidade do planeamento, da estratégia, da motivação e das escolhas, seguiram a velha e cautelar atitude de ambicionar pequenino, para não criar grandes expectativas e proteger a saída, não fossem as coisas correr mal. O objectivo era sobreviver ao grupo da morte e, depois, chegar tão longe quanto possível. Assim como quem, tendo de atravessar um rio a nado, se propõe nadar enquanto puder!

Sou um apaixonado pelo futebol e desde há muitos anos que me habituei a seguir os jogos nacionais e internacionais nos canais de televisão ingleses, Sky, BBC e ITV. Gosto da forma desportiva e competente como os seus comentadores permanentes e os convidados analisam os jogos, os seus intervenientes e os seus "fait divers".

Impressionou-me que fossem esses comentadores, designadamente os da BBC, quem mais apostou no valor da selecção portuguesa e mais dificuldade teve em entender porque razão um conjunto de predestinados jogava com tanto medo de jogadores e equipes manifestamente inferiores. E até diziam, com algum humor, que seria bom para o espectáculo se Portugal sofresse cedo um golo, pois a partir daí libertar-se-ia em Ronaldo, Nani, Moutinho, Coentrão e Pepe todo o seu talento e hábito ganhador.

Esses 4 comentadores da BBC, com Gary Linneker a desempenhar também o papel de pivot, empataram os prognósticos para o resultado com a Espanha: dois apostaram claramente em nós, os outros dois com alguma dúvida em Espanha.

Ao intervalo eram todos unânimes: Portugal podia vencer, estava a jogar com personalidade e ambição (se bem que tivesse de ter mais atenção ao meio campo onde claramente Meireles e Veloso não acompanhavam a qualidade dos outros jogadores); a Espanha estava cansada, desorientada e com medo dos Portugueses.

O que aconteceu nas cabinas durante o intervalo a BBC não sabia. Mas bastaram uns minutos de jogo para se perceber que de lá regressou uma selecção Espanhola transformada pelo grande del Bosque e uma selecção Portuguesa cuja ambição passou a ser chegar ao prolongamento e, depois, aos penáltis se entretanto não ocorresse um milagre de S. Cristiano.

Para grande embaraço e surpresa de quem tinha apostado em nós tudo se desmoronou então: Casillas era um espectador, Rui Patrício salvou dois golos "à Casillas", o tal árbitro até foi simpático fazendo vista grossa a um atraso de Pepe e os portugueses desorientados, desmotivados, com os "bofes de fora" (apesar dos dois dias adicionais de descanso) e a precisar de urgentes substituições que quando foram feitas já de pouco serviam.

Depois vieram os penáltis. Estavam os meus gurus a discutir se o Ronaldo deveria ser o primeiro, o segundo ou o terceiro (a partir daí não há a garantia que "seja chamado a converter") quando, "surprise", nos damos conta que ele seria o quinto!

Porquê? "Tem a haver com uma questão de opção e estratégia. Não há que lamentar nada", respondeu Paulo Bento ao Diário de Notícias. Eu arriscaria que o lamentam profundamente o Bruno Alves, os adeptos Portugueses, dezenas de milhões de telespectadores, milhares de operadores de cinema e fotógrafos e, claro, os meus gurus.

Que concluir? Pois, segundo Paulo Bento, "fizemos um campeonato extraordinário".

Com todo o respeito, acho que não e sugiro que a partir de agora adoptemos o lema "there is no second" como "soundbyte" da campanha do Mundial.

Uma selecção recheada de alguns dos melhores jogadores do mundo (e que até poderia ter mais ), com condições de trabalho invejáveis e que é a única que, desde o ano 2000, atingiu 3 meias finais e uns quartos-de-final nos Campeonatos Europeus, só teria feito "um campeonato extraordinário" se o tivesse ganho.

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