Apesar da escalada dos preços, BCE mantém taxa de juro inalterada em 2%
A decisão era esperada pelo mercado, que antecipa agora que o banco central liderado por Christine Lagarde suba os juros em junho.
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As taxas de juro na Zona Euro vão manter-se inalteradas. A decisão anunciada esta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) alinha com a expectativa dos mercados financeiros, à medida que o grupo liderado por Christine Lagarde avalia a dimensão do choque energético causado pela guerra no Irão.
"O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje manter as três taxas de juro diretoras do BCE inalteradas", anunciou, em comunicado, após o encontro de dois dias de política monetária. A taxa de referência, a aplicável aos depósitos, fica em 2%, um nível em que está desde junho de 2025. Já a taxa de refinanciamento fica em 2,15% e a aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,4%.
"Embora a informação que tem vindo a ser disponibilizada esteja globalmente em consonância com a anterior avaliação do Conselho do BCE das perspetivas de inflação, os riscos em sentido ascendente para a inflação e em sentido descendente para o crescimento intensificaram-se", alertou a autoridade monetária.
Esta quinta-feira de manhã, o Eurostat deu a conhecer uma estimativa preliminar que indica que a taxa de inflação homóloga na Zona Euro terá acelerado para 3,4% em abril. Tal como tinha acontecido no mês de março (o primeiro de conflito no Médio Oriente), o aumento dos preços dos combustíveis explica esta subida. No entanto, os analistas têm indicado que o BCE estará à espera de avaliar a dimensão do choque, sendo apontada a possibilidade de subida de juros em junho.
"Quanto mais tempo durar a guerra e os preços dos produtos energéticos se mantiverem elevados, mais forte será o provável impacto na inflação em geral e na economia", adverte ainda o BCE, garantindo que "permanece bem posicionado para navegar a atual incerteza" já que a Zona Euro entrou neste período de subida acentuada dos preços dos produtos energéticos com a inflação em torno do objetivo de 2% e "a economia revelou resiliência nos últimos trimestres".
O BCE considera que as expectativas de inflação a mais longo prazo continuam bem ancoradas, não obstante o aumento significativo das expectativas de inflação nos horizontes mais curtos. "O Conselho do BCE acompanhará de perto a situação e seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação apropriada da política monetária", acrescenta.
(Notícia atualizada às 13:25 horas)