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Ricardo Leal dos Santos 16 de Janeiro de 2006 às 13:59

Terminou a aventura

Caros leitores do Jornal de Negócios, o Euromilhões Lisboa-Dakar 2006 chegou ao fim! Foram 15 dias de muito cansaço, ao longo de mais de nove mil quilómetros e oito países que atravessei, sempre sozinho, pois competi na categoria solo. Fui o único piloto

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Mas, antes de mais, esta foi a primeira vez que participei ao volante de um verdadeiro carro de competição. Senti-me sempre à vontade ao longo da prova e, com o passar das etapas, a minha habituação à pilotagem e maior experiência para poder aproveitar todas as potencialidades do Mitsubishi Pajero DiD permitiu-me imprimir um rimo mais consentâneo com o que sou capaz de fazer. Aliás, acabei mesmo penalizado em termos da classificação geral devido a alguns azares. Houve, primeiro, o caso das penalizações por não passar nos WPO na oitava etapa, segunda a organização, sendo que duas delas são injustas pois tratou-se da má inserção do código no GPS. Depois, os inúmeros atascanços dos quais tive que me desenvencilhar sozinho, perdendo qualquer coisa como seis horas, devido também ao facto do meu carro não possuir bloqueio de diferencial. Por isso, se retirarmos essas 10 horas do meu tempo final daria uma posição cerca de 10/12 lugares acima.

Até Dakar, ou seja em cerca de nove mil quilómetros, mudei dois jogos de pastilhas de travões, uma embraiagem no dia de descanso (por precaução), tive um furo e utilizei apenas oito pneus e mudei os dois braços da suspensão. Para além disso, cheguei ao final com os quatro cantos do carro amolgados? mas por obra e graça de vários azares! Primeiro, foi quando me esqueci de travar o carro depois de ter sido forçado a parar. Seguiu-se um toque quando o Nuno Inocêncio me ajudava a sair de um buraco, uma pancada no veículo dos médicos quando tentava transpor uma duna e, finalmente, quando o Thierry Magnaldi me atingiu por detrás quando me tentava ultrapassar.

Desde pancadas de adversários, camiões em sentido contrário a 120 km/h, pilotos a pé a correrem nas dunas para se colocarem à frente do meu carro, ajudas mútuas com outros pilotos, nomeadamente, portugueses, barulhos estranhos no interior do carro, um macaco hidráulico partido quando arranquei sem dar conta? enfim! São tantos os episódios que só com o passar dos dias é que me será possível lembrar-me de todos.

Nos últimos dias comecei a andar mais depressa e a fazer muitas ultrapassagens. Sei que posso andar depressa e provei isso mesmo nesta edição. Para além disso, andar a solo é mais do que uma aventura. Este resultado muito positivo deixa-me confiante para um futuro próximo, quando tiver um carro ainda mais competitivo. Nessa altura, acredito plenamente ser capaz de terminar muito melhor classificado, provavelmente entre os 10 primeiros. Até lá, obrigado pelo vosso apoio!

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