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Ricardo Leal dos Santos 09 de Janeiro de 2006 às 13:59

Uma típica noite de Dakar!

A sétima etapa foi de tal forma preenchida com os mais variados incidentes que não resisto a deixar a parte competitiva para a próxima crónica e dar a conhecer ao leitor do Jornal de Negócios o que significa fazer um Dakar sozinho!

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Assim, na passada sexta-feira, a sétima etapa levava os concorrentes de Zouerat a Atar, num total de 521 quilómetros, por entre pistas de dunas e porções de pista repleta de pedras. As coisas corriam bem para mim, pois fiz o percurso até ao CP1 juntamente com Miguel Barbosa, até que chegámos a um local com vários concorrentes atascados. Como os vi antecipadamente, pelo que optei por sair da pista e seguir em paralelo. O problema é que nesse local já lá estava um piloto em apuros, por sinal o Luís Costa! Ou seja, demoramos duas horas em entreajudas para podermos sair dali os dois, o que conseguimos com grande esforço e com a ajuda de um Bowler que por ali passou. Não tendo o meu Mitsubishi bloqueio de diferencial, as quatro rodas têm de estar em contacto com o chão para poder sair, o que não acontecia.

Infelizmente, no stress de sair dali o mais depressa possível, esqueci-me de recolher um dos macacos hidráulicos e arranquei-o! Um problema que me pode afectar de futuro?

Posto isto, continuei a minha prova? pelo menos até aterrar de um salto num tufo gigante de ‘herbe à chameaux’, onde fiquei com o carro preso! Mais tempo perdido para tentar sair dali, desta vez com a ajuda de um concorrente espanhol meu conhecido e que, por sorte, passou pelo local naquele momento. Depois de mais uns quantos atascansos, a noite caiu rapidamente e dei por mim numa verdadeira ‘plantação’ de carros e camiões, com muitos concorrentes parados nas dunas. Uma vez mais, tive que tomar rapidamente uma decisão e optei por fugir aos trilhos e atacar uma duna paralela, onde se encontrava um carro médico.

O problema é que o carro estava colocado paralelamente à duna e quando tentei passar entre esta e o jipe, o meu carro descaiu e embati no jipe dos médicos! Ninguém se magoou, foi apenas um ‘encostar’, mas lá tive eu que sair de novo e voltar a cavar para poder continuar. Com a ajuda dos médicos, consegui tirar o meu carro e quando já estava cá fora a apanhar o material utilizado, olho para o meu carro? e vejo-o a andar sozinho! Não tinha travado o Mitsubishi e ainda corri para me tentar atirar para o interior, mas com medo de levar com outro concorrente em cima, no topo de uma duna e de noite, deixei-o ir e vi-o a parar? contra o jipe dos médicos, mais uma vez!

Depois, foi seguir caminho até ao acampamento, com cuidado para não furar pois o embate anterior tinha rebaixado o guarda-lamas e tive mesmo que parar para o afastar dos pneus. No fundo, uma típica noite do Dakar e que veio reforçar a seguinte ideia: participar a solo até nem é difícil. Sempre que tenho problemas, tenho outros 20 ‘colegas’ a passar pelo mesmo?

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