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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 28 de Junho de 2006 às 13:59

Assim vai Portugal

Um perfume de Mundial anda no ar. À medida que o campeonato progride e a selecção portuguesa se mantém em jogo, a aragem que sopra da Alemanha contagia o clima nacional.

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Nada de que não se estivesse à espera. À semelhança do que aconteceu em 2004, dá a sensação de que o país partiu prematuramente para férias. Entre pontes, feriados e santos populares, houve um adeus colectivo até Setembro.

Como acontece sempre que a matéria é futebol, desenvolvem-se opiniões apaixonadas. Alguns intelectuais, quais irredutíveis gauleses, lastimam a incorrigível propensão da malta para vibrar com os passes e as peripécias de dois grupos de 11 rapazes num campo relvado, o efeito distractivo e o aproveitamento que dessa pulsão é feito por quem nos governa; os outros, a enorme maioria, embarca no furor das multidões.

Por estas alturas mesmo os mais indiferentes ao futebol têm dificuldade em resistir ao contágio. Valha a verdade que um Mundial de futebol é um mega-evento desportivo que tem, entre outras, a virtude de trocar as voltas aos dados adquiridos da ordem internacional, o que lhe confere um carácter exótico. A principal potência futebolística, o Brasil, não faz parte do grupo de poderosos do Mundo; os Estados Unidos estão longe de integrar a primeira liga, como ainda recentemente se viu; a Europa, que está em perda na frente da globalização, resiste no futebol com alguns dos principais «players»; e a nível dos países emergentes vão os africanos à frente dos asiáticos, exactamente o inverso do que se passa na realidade económica mundial.

Com Portugal em jogo e com a imprevisibilidade própria do desporto rei a dominarem as atenções, nem se percebe por que não aproveita o Governo este «vacatio» para anunciar medidas polémicas. Com a ordem informativa nacional completamente dominada pela agenda do Mundial, numa lógica que ultrapassa muitas vezes os limites do bom senso, teria garantido a menor repercussão possível. Imagine-se, por exemplo, o impacto que teriam os encerramentos das maternidades se não tivessem coincidido com o primado da futebolândia.

Mas a agenda de comunicação de José Sócrates prossegue implacável. Depois da banda larga na segunda-feira, ontem o feito do dia foi o lançamento da caixa postal electrónica, a concretização de uma medida aprovada em Conselho de Ministros em Abril passado. Apesar do diploma referir explicitamente a garantia de concorrência entre todos os operadores, o Governo associou-se ao mais alto nível à apresentação da ViaCTT, um caixa postal electrónica a que todos os portugueses poderão aceder gratuitamente, e que será utilizada para a comunicação entre os cidadãos, a administração pública e as empresas aderentes (12 por agora, entre as quais a EDP e a PT).

ViaCTT é um inovador serviço dos Correios de Portugal e representa o cumprimento de uma promessa governamental. Mas embora não sejam muito evidentes as vantagens que proporciona em relação a outra caixa de correio electrónico teve direito a uma apresentação presidida pelo próprio primeiro--ministro, como medida emblemática do Simplex e do Plano Tecnológico. Mais um caso de desproporção entre o acto e o seu significado.

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