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Sérgio Figueiredo - Jornalista. Primeiro diretor da edição diária em papel do Jornal de Negócios
03 de Março de 2004 às 13:26

Lebre por gato

Dezassete anos depois, Barroso decidiu vestir a pele de analista de mercado e reinventar, em sentido inverso, a cena do “gato por lebre” de Cavaco. A bolsa não mexeu. Questão de confiança.

O mercado de capitais valorizou 45% neste último ano. E isto não é uma bolha especulativa. Acontece devido aos investidores estarem a ganhar confiança. Estas três afirmações pertencem ao primeiro-ministro de Portugal, foram ontem produzidas no Porto, e dão que pensar.

Uma por uma. O principal índice da bolsa subiu efectivamente quase 50% de Março a Março e isso é um facto. É, porventura, a única coisa que não se discute. A partir daí, esta escalada da praça portuguesa é explicada de várias formas, com vários tons, e este comportamento está longe de receber um único e exclusivo julgamento.

O Jornal de Negócios e o seu site Negocios.pt têm, aliás, dado ampla cobertura a este fenómeno. Estamos a empenhar uma importante parte da nossa equipa e recursos, na tentativa de ajudar à explicação sobre a natureza desta subida, sobre o seu significado e, por conseguinte, sobre a sustentabilidade das bases deste movimento.

Durão Barroso é mais peremptório. Não é bolha especulativa. É o reflexo de uma confiança que cresce entre os investidores. Pode ser.

Também já é consensual, nós próprios temos divulgado estatísticas e análises que comprovam que há mais investimento e mais investidores a mexerem-se diariamente no nosso mercado de capitais.

Sinal dessa confiança é a própria valorização do índice, que mais não é que o reflexo de que há mais gente a querer comprar títulos cotados do que aqueles que os querem vender. Então, em quem confia esta gente toda?

Uma vez mais, a certeza do primeiro-ministro. Nas correcções macroeconómicas. Na aceleração das reformas económicas de que o país necessita. No Código do Trabalho.Na baixa do IRC. Na criação da Reserva Fiscal para o Investimento. Entre outras.

Dezassete anos depois, Durão Barroso decidiu vestir a pele de analista do mercado de capitais e reinventar, em sentido inverso, a cena do “gato por lebre” de Cavaco. Só que, ao contrário de então, a bolsa não se mexeu. O primeiro-ministro grita “buy” e os investidores desta vez não se entusiasmaram.

Uma questão de confiança, certamente. É isso que diz um amplo estudo, também ontem difundido pelos jornais, sobre as confianças e as desconfianças dos portugueses. E os políticos são o grupo profissional pior classificado. Concluir que a populaça não confia nos políticos não é, infelizmente, um dado surpreendente.

Mas, indo lista acima, já é chocante verificar que outras profissões a nossa sociedade tem em melhor conta: taxistas, vendedores de automóveis, árbitros de futebol, consultores financeiros. É uma visão tenebrosa.

Um taxista no aeroporto da Portela, um vendedor de automóveis bezuntado de brilhantina, um árbitro de futebol a viajar para o Brasil com bilhetes emitidos por um clube – e, ainda assim, com melhor reputação que umdeputado!!!?

Durão Barroso está, tem-no demonstrado desde que lidera o Governo, muito acima da média de uma classe que os portugueses teimam em desacreditar. Mais do que qualquer outra. Incluindo os jornalistas. Não lhe chega.

Por isso, é melhor não arriscar prognósticos sobre a bolsa. Pode dar gato!

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