pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque
Manuel Esteves - Editor Executivo mesteves@negocios.pt
10 de Junho de 2018 às 23:00

A kryptonite da geringonça

O novo PSD de Rui Rio está a desfazer a argamassa da geringonça. Podendo governar ao centro, António Costa vira costas à esquerda e espera que cometa erros que lhe devolvam os votos que tanto precisa para chegar à maioria absoluta.

Esqueça os professores, esqueça o Código do Trabalho, esqueça a descentralização. A geringonça sempre foi imune aos choques ideológicos entre os partidos que a compõem. O que levou a actual solução governativa à sua maior crise de sempre chama-se Rui Rio. O presidente do PSD é a kryptonite da geringonça que foi feita para combater uma direita radical e não sabe lidar com um PSD dialogante.

A aliança com o Bloco de Esquerda e o PCP está em crise porque o PS percebeu que já não precisa da esquerda para governar. Dito de outra forma, António Costa já não precisa de governar à esquerda para mandar no país. À sua direita, poucochinho à direita, tem agora um partido liderado por um homem pragmático como ele, bem mais moderado do que o seu antecessor, e que está pronto a dialogar e a construir pontes com o PS. Na descentralização, na promoção da natalidade ou na lei de bases da Saúde.

O acordo de concertação social em torno das alterações à lei laboral só foi possível graças a Rui Rio. Foi o presidente social-democrata quem deu confiança a Vieira da Silva para ir descosendo o pacote laboral que antes preparara com Bloco e PCP, aproximando-se assim dos patrões. Porque António Costa e Vieira da Silva sabiam que o PSD de Rui Rio estaria sempre disponível para viabilizar no Parlamento medidas acordadas com as confederações patronais, ao contrário de Passos Coelho que chocou o país e os patrões ao inviabilizar no Parlamento um acordo de concertação social que compensava as empresas pelo aumento do salário mínimo.

Já aqui se escreveu que a eleição de Rui Rio foi a primeira pedra do bloco central. O líder do PSD sabe que a melhor forma de enfraquecer a geringonça, de lhe corroer a argamassa, é namorando o PS em vez de o atacar. Perante isto, Costa ajustou a sua estratégia: daqui em diante, governará ao centro, encostando-se quando necessário ao PSD e ficando à espera que Bloco e PCP se enterrem sozinhos. Ignorados, os dois partidos tenderão a radicalizar o seu discurso, deixando fugir o eleitorado mais moderado – que quer conquistas concretas e não conflitualidade – para o PS. Com sorte, perdem mesmo a cabeça e antecipam eleições, entregando de bandeja a maioria absoluta a Costa.

No meio de tanta táctica e jogo de cintura, sobressai a fina ironia de ver o partido (PSD) que venceu as eleições em 2015 acabar a viabilizar, no final da legislatura, o governo do partido (PS) que ficou em segundo lugar. Esta suprema humilhação política só é possível porque não foi Rio quem venceu as eleições.

Ver comentários
Ver mais
Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.