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Alexandra Machado amachado@negocios.pt 18 de Agosto de 2014 às 20:15

Carta a Ricardo Salgado

Estou a escrever-lhe porque continuo sem perceber como se chegou a este ponto. E escrevo-lhe em nome de muita gente que foi enganada.

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Pela minha parte estou a salvo do banco mau e até nem tenho nada no Novo Banco. Não era accionista do BES. Nem cliente, sequer.

 

Diz não ser pivô desta crise, porque estava mais gente da família envolvida nos negócios. Verdade. Mas a confiança que se tem num banco é necessariamente diferente da que se tem de ter num hotel. Os bancos têm de ser confiáveis. E o BES tinha essa confiança. O fim da confiança num banco confiável mina tudo à sua volta. Já devia saber disso. E não há nada que possa justificar este fim. Nada. Os accionistas perderam o capital investido. Faz parte das regras, dizem. Mas, como já escrevi, não sei se teve vagar para ler, faz também parte das regras não ocultar informação relevante num aumento de capital, feito um mês antes da queda do BES.

 

Como faz parte das regras saber-se que um produto que tem maiores taxas de juro comporta maiores riscos. Mas quem ficou em causa não foram só os investidores. É quem dá a cara todos os dias pelo BES ou, agora, pelo Novo Banco. Os trabalhadores. São estes que agora têm de responder aos clientes. E justificar o injustificável. E explicar que o Novo Banco é seguro. Que não devem resgatar o dinheiro. Que os depósitos ficaram salvaguardados. Mais do que os accionistas, mais do que os clientes são eles que se sentem traídos. E são trabalhadores do banco...

 

Diga-lhes agora que não é o pivô desta crise. Como antes lhes dizia para venderem aos balcões dívida do GES ou acções do próprio BES. Eles, sim, é que estão no olho do furacão!

 

Despeço-me agora porque tenho outras cartas para escrever.  

 

Jornalista

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