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Dados comprovam que 2025 foi mesmo o terceiro ano mais quente de sempre

Registos europeus revelam que o planeta ultrapassou, pela primeira vez, durante três anos seguidos, o limiar crítico de 1,5 graus face à era pré-industrial. “A atmosfera está a enviar-nos uma mensagem”, alertam peritos.

18:53
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O ano passado foi o terceiro mais quente desde que há registos, confirmando uma tendência de aquecimento que já não deixa margem para dúvidas. Os dados divulgados pelo programa europeu Copernicus mostram que 2025 ficou apenas 0,01 graus abaixo de 2023 e 0,13 graus abaixo de 2024, o ano mais quente de sempre. Mas mais do que as temperaturas anuais, é a tendência que preocupa, já que pela primeira vez o planeta enfrenta três anos seguidos acima do limite de 1,5 graus previsto no Acordo de Paris.

De acordo com o conjunto de dados ERA5, a temperatura média global em 2025 situou-se 1,47 graus acima do período de referência de 1850–1900. Embora ligeiramente inferior ao valor recorde de 2024, o resultado mostra que os últimos 11 anos foram os mais quentes alguma vez observados. A estimativa atual do aquecimento global de longo prazo ronda já os 1,4 graus e coloca o mundo perto do limite estabelecido no Acordo de Paris. De acordo com os especialistas, ao ritmo atual, esse limiar poderá ser atingido ainda antes do final desta década.

Para Laurence Rouil, diretora do Copernicus Atmosphere Monitoring Service no European Centre for Medium-Range Weather Forecasts, os dados atmosféricos não deixam espaço para ambiguidades. “Os dados de 2025 traçam um retrato claro: a atividade humana continua a ser o principal motor das temperaturas excecionalmente elevadas que estamos a observar”, sublinha. A responsável lembra que as concentrações de gases com efeito de estufa aumentaram de forma contínua na última década e avisa que “a atmosfera está a enviar-nos uma mensagem, e temos de a ouvir”.

O aquecimento observado resulta da combinação entre o aumento constante das emissões de gases com efeito de estufa e temperaturas anormalmente elevadas à superfície dos oceanos. Em 2025, os trópicos registaram valores ligeiramente mais baixos do que nos dois anos anteriores, mas, ainda assim, várias outras regiões fora dos trópicos foram muito mais quentes do que a média, com a Antártida a registar o ano mais quente de sempre e o Ártico o segundo mais quente.

Metade das áreas terrestres do planeta sentiram forte stress térmico (temperaturas sentidas acima dos 32 graus) durante mais dias do que o normal, um fenómeno que a Organização Mundial da Saúde identifica como a principal causa de mortes associadas a eventos meteorológicos extremos. Em zonas secas e ventosas, como partes da Europa e da América do Norte, o calor extremo agravou incêndios florestais, com efeitos severos na qualidade do ar e na saúde pública.

“O facto de os últimos 11 anos terem sido os mais quentes de que há registo é mais uma prova da trajetória clara para um clima cada vez mais quente”, afirma Carlo Buontempo. O diretor do Copernicus Climate Change Service considera que “vamos ultrapassar o limite do Acordo de Paris” e que “a escolha que temos agora é como gerir esse excesso inevitável e as suas consequências para as sociedades e os ecossistemas”.

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