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Emissões de gases com efeito de estufa aumentam na Europa

Para atingir as metas de 2030, será necessário mais do que duplicar os progressos anuais, revela novo relatório da Agência Europeia do Ambiente.

Sónia Santos Dias 25 de Novembro de 2022 às 09:46
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Após um longo período de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) na Europa, a recuperação económica após os períodos de confinamentos ligados à COVID-19 conduziu a um aumento das emissões, em especial no setor dos transportes, da indústria e do aprovisionamento energético, de acordo com o relatório "Tendências e Projeções na Europa em 2022", publicado nesta quinta-feira pela Agência Europeia do Ambiente (AEA).

Para atingir as metas mais ambiciosos em matéria de clima e energia para 2030 será necessário mais do que duplicar os progressos anuais na implantação das energias renováveis, na redução do consumo de energia e nas emissões de gases com efeito de estufa, acrescenta a análise.

Com uma crise energética iminente e, em especial, um preço elevado do gás, o setor do aprovisionamento energético assistiu a uma transição parcial para combustíveis de maior intensidade carbónica, enquanto o forte crescimento das energias renováveis observado nos últimos anos perdeu ritmo em 2021. Para contrariar esta evolução, a AEA refere que é fundamental que as decisões do presente em matéria de infraestruturas energéticas tenham em conta o objetivo de neutralidade climática do futuro, por forma a evitar efeitos de dependência do carbono.

"Serão necessárias medidas críticas nos próximos meses e anos para garantir que os Estados-Membros da UE possam pôr em prática planos ambiciosos de redução das emissões para cumprir as metas climáticas da UE", referiu Hans Bruyninckx, diretor executivo da AEA, em comunicado. No entanto, acrescentou, "embora neste inverno seja necessário tomar medidas a curto prazo para aumentar o aprovisionamento energético, estes investimentos não devem amarrar a Europa a muitos mais anos de dependência dos combustíveis fósseis. A poupança de energia e o reforço das fontes de energia renováveis são fundamentais não só para fazer face à crise energética imediata, mas também para alcançar a neutralidade climática».

De acordo com os dados preliminares comunicados pelos Estados-Membros da UE, em 2021 as emissões de gases com efeito de estufa aumentaram 5% em relação a 2020, incluindo a aviação internacional. As emissões, continuam, contudo, abaixo do nível pré-COVID de 2019.

As estimativas apontam para um aumento do consumo de energia em 2021 em comparação com 2022, tanto para o consumo de energia primária (6%), como para o consumo da energia final (5%). O consumo de energia primária mede a procura de energia, enquanto que o consumo de energia final corresponde à energia que os utilizadores finais efetivamente utilizam.

Os dados preliminares indicam que a quota-parte do total das fontes de energia renováveis no consumo de energia em 2021 na Europa se manteve em 22%, interrompendo o forte crescimento dos últimos anos. Tal pode ser explicado pelas contribuições menos importantes da energia eólica e hidroelétrica em 2021, juntamento com os ressaltos do consumo de energia.

A AEA adverte que, nos próximos anos, será necessário manter níveis substanciais de redução das emissões para se alcançar a neutralidade climática a longo prazo.

Recorde-se que a meta de redução para 2030 está estipulada em pelo menos 55% das emissões de GEE em comparação com os níveis de 1990.

Para atingir o objetivo de 55% de emissões líquidas de GEE até 2030, as emissões terão de diminuir 134 milhões de toneladas de dióxido de carbono (Mt de equivalente CO2) por ano, em média, em relação aos níveis estimados em 2021. Isto representa mais do dobro da redução média anual realizada entre 1990 e 2020. Todos os setores devem intensificar significativamente os esforços de redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Além disso, será necessário aumentar a remoção de CO2 através do uso do solo, da alteração do uso do solo e das florestas, invertendo a atual tendência de decréscimo dos sumidouros de carbono na UE.

Ao mesmo tempo, o consumo de energia deve diminuir substancialmente nos próximos anos — para atingir o objetivo recentemente proposto para 2030. No quadro do REPowerEU, as poupanças anuais de energia no período 2022-2030 devem mais do duplicar.

O mesmo se aplica às energias renováveis: desde 2005, a quota-parte das energias renováveis no consumo final bruto de energia da Europa aumentou, em média, 0,8 pontos percentuais por ano. Este número deverá aumentar para 2,5 pontos percentuais por ano até 2030, para se conseguir cumprir o objetivo de aumento de 45% de energias renováveis proposto no REPowerEU.

Ao nível dos Estados-Membros, embora tenham sido realizados progressos substanciais, o relatório destaca que as atuais políticas e medidas não são suficientes para atingir os objetivos ambiciosos em matéria de clima e energia. Até meados de 2023, os Estados-Membros apresentarão os seus projetos de atualização dos planos nacionais em matéria de energia e clima.

 

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