Professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, geofísico e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), Filipe Duarte Santos é uma das principais referências portuguesas na área das alterações climáticas e da sustentabilidade. Ao longo de várias décadas, o seu trabalho contribuiu para aproximar o conhecimento científico da decisão pública, num domínio em que a qualidade da informação, a antecipação dos riscos e a capacidade de adaptação são cada vez mais determinantes para empresas, cidades, governos e cidadãos.
O seu percurso académico e científico cruza diferentes áreas do conhecimento, da física à geofísica, das alterações globais às políticas de desenvolvimento sustentável. Foi review editor do 5.º Relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, o IPCC, uma das principais referências científicas internacionais sobre clima.
A atribuição do Prémio Personalidade não esteve sujeita a candidatura. As nomeações foram feitas pelo júri e a escolha coube aos presidentes de júri das várias categorias, reconhecendo um percurso que vai além da carreira académica. A distinção valoriza também o papel desempenhado por Filipe Duarte Santos na construção de uma consciência pública sobre os impactos das alterações climáticas, a necessidade de políticas de adaptação e a urgência de integrar a sustentabilidade nas decisões económicas. Numa edição marcada pelo tema “Clima, tecnologia e geopolítica. Que caminhos?”, o prémio sublinhou a importância da ciência como base para responder aos grandes desafios ambientais e sociais.
Trabalho da APAV distinguido pelo júri
A edição deste ano incluiu outra distinção especial atribuída pelo júri do Prémio Nacional de Sustentabilidade. O Prémio ONG foi entregue à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). A associação presta apoio moral, social, jurídico e psicológico, promovendo informação, atendimento personalizado e encaminhamento das vítimas, num trabalho que cruza intervenção social, proteção de direitos e colaboração com entidades públicas e privadas. Em média, a APAV apoia cerca de 16 mil a 18 mil pessoas por ano, tendo atingido em 2025 um novo máximo, com 18.549 vítimas apoiadas. A violência doméstica continua a ser o principal crime reportado à instituição, representando cerca de 74% dos crimes acompanhados. A maioria das vítimas apoiadas é do sexo feminino, embora a associação tenha também vindo a reforçar o apoio a homens, crianças, jovens e pessoas idosas. Para quem precisa de ajuda ou quer reportar uma situação, a APAV disponibiliza a Linha de Apoio à Vítima 116 006, gratuita e confidencial.
Cidades pelo Clima e a cooperação territorial
O Prémio Parcerias, uma nova categoria desta edição, distinguiu a iniciativa Cidades pelo Clima. Trata-se de uma rede colaborativa que junta municípios e comunidades intermunicipais comprometidos com a neutralidade climática. A iniciativa nasceu da participação de 20 municípios e comunidades intermunicipais portuguesas na Missão Europeia “100 Cidades Inteligentes e com Impacto Neutro no Clima até 2030”, procurando acelerar a ação climática local através de cooperação técnica, partilha de conhecimento e desenvolvimento de soluções conjuntas.
A rede trabalha em áreas como energia, edifícios, mobilidade, remoção de carbono e contratos climáticos das cidades, cruzando ainda temas como financiamento climático e participação cidadã. Ao atribuir este prémio, o júri valorizou a capacidade da Cidades pelo Clima para transformar objetivos de descarbonização em ação concreta no território, articulando municípios, entidades públicas, academia e parceiros técnicos num desafio que exige escala, coordenação e execução.
