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Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Portugal quer formar 100 mil trabalhadores de PME em inteligência artificial

O ministro da Economia anunciou, durante a sessão de encerramento, um programa de formação e lembrou que “a competitividade das empresas vai depender da IA”. Castro Almeida defendeu ainda que a transição energética deve ser a base de um novo ciclo industrial português.

19:00
Ministro da Economia, Castro Almeida, anuncia formação em IA para PMEs em Portugal
Ministro da Economia, Castro Almeida, anuncia formação em IA para PMEs em Portugal Fernando Costa
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Manuel Castro Almeida sublinhou que a competitividade futura de Portugal dependerá da capacidade das empresas, em especial das PME, de integrarem a inteligência artificial, a transição energética e a inovação como fatores centrais de resiliência económica.

Manuel Castro Almeida não tem dúvidas de que o futuro da competitividade portuguesa passa, inevitavelmente, pela inteligência artificial. E o Estado não pode ficar à espera que o mercado resolva o problema sozinho, sobretudo nas pequenas e médias empresas, sublinhou durante a sessão de encerramento da Grande Conferência Negócios Sustentabilidade 20|30, dedicada ao tema “Clima, tecnologia e geopolítica. Que caminhos?”.

“A competitividade das empresas portuguesas vai depender fortissimamente do grau de envolvimento que tiverem com a Inteligência Artificial (IA)”, afirmou o ministro da Economia e da Coesão Territorial. Reconhecendo que as grandes empresas já estão a agir, Castro Almeida lembrou que “há muitas empresas que não estão despertas para o assunto” e para a importância que a tecnologia terá no seu futuro.

A resposta do Governo é um programa de formação em larga escala, “na ordem dos 100 mil trabalhadores de pequenas e médias empresas”, que permita “abrir o caminho” dentro das organizações. O objetivo não é tanto formar especialistas nestas ferramentas, mas sobretudo despertar curiosidade nas equipas. “Que leve os trabalhadores das pequenas e médias empresas a ficarem curiosos, despertos e a começarem a utilizar e, cada vez mais, a utilizarem da melhor maneira a IA”.

Choques externos e fragilidade territorial

As tempestades do início do ano e as tensões geopolíticas “criaram um contexto marcado por forte incerteza e imprevisibilidade” e, perante esta realidade, Castro Almeida garantiu que há “uma responsabilidade inequívoca que cabe aos Estados” para “reforçar continuamente a resiliência das pessoas, das empresas e dos territórios”.

Para lá dos momentos difíceis, Castro Almeida aproveitou a oportunidade para assinalar que Portugal exportou mais de 133 mil milhões de euros em bens e serviços, registou investimento historicamente elevado e viu o número de desempregados inscritos nos centros de emprego cair 9,7%. “O dinamismo e a estabilidade da economia portuguesa têm sido reconhecidos internacionalmente, quer em publicações de referência, quer pelas principais agências de rating”, destacou.

A energia deixou de ser apenas um fator de custo. É um fator decisivo de localização industrial, de competitividade externa e de soberania económica. Manuel Castro Almeida, Ministro da Economia e da Coesão Territorial

Porém, o sucesso da economia dependerá, cada vez mais, da sua capacidade de adaptação e da velocidade da transição energética, área em que Portugal tem uma posição favorável. No primeiro trimestre do ano, as renováveis asseguraram cerca de 80% do consumo de eletricidade. Mas, apontou Manuel Castro Almeida, “o problema é que a eletricidade representa menos de 20% do consumo de energia”.

Para o Governo, transição energética e reindustrialização, em setores onde é mais difícil eletrificar, são dois lados da mesma moeda. “A energia deixou de ser apenas um fator de custo. É um fator decisivo de localização industrial, de competitividade externa e de soberania económica”, apontou.

A transição energética não pode ser encarada como um processo desligado da reindustrialização. Deve constituir a base de um novo ciclo industrial mais competitivo, mais tecnológico, mais sustentável. Manuel Castro Almeida, Ministro da Economia e da Coesão Territorial

“A transição energética não pode ser encarada como um processo desligado da reindustrialização. Deve constituir a base de um novo ciclo industrial mais competitivo, mais tecnológico, mais sustentável”, reiterou, lembrando que, para financiar essa transformação, foram mobilizados mais de 830 milhões de euros no âmbito do Portugal 2030.

IFIC com procura que superou a oferta

Um dos mecanismos menos conhecidos é o Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade, embora os números mostrem que a procura é elevada. “Foram quase 5 mil candidaturas, com um investimento total de cerca de 2,4 mil milhões de euros”, partilhou, reconhecendo que “apenas pudemos satisfazer uma parte pequena das intenções de investimento”.

O instrumento nasceu de uma reprogramação do PRR, com verbas de investimentos públicos que foram redirecionadas para o setor privado, corrigindo um desequilíbrio que o ministro assumiu de forma direta. O PRR “sempre esteve muito mais virado para o Estado, para investimentos públicos e pouco para investimentos privados”, disse.

Por outro lado, a fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia com a Agência Nacional de Inovação, que deu origem à nova Agência para a Investigação e Inovação, foi apresentada como resposta a “este velho problema de que se ouve falar há dezenas de anos, da dessincronia entre a universidade e as empresas”. Aproximar estes dois mundos e garantir que colaboram para criar conhecimento e colocá-lo ao serviço da economia deve, defende, ser uma prioridade, porque “não podemos desperdiçar aquela investigação que possa traduzir-se em faturas”.

Todo este caminho, rematou, é crucial para preparar o país para momentos difíceis e reforçar a sua resiliência a choques económicos, sejam eles de origem externa ou climática, como o comboio de tempestades do início do ano.

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