“Este início de 2026 ficará para sempre marcado na memória de todos nós como o ano em que fomos confrontados com um comboio de tempestades que atravessou o país, que deixou um rasto de destruição”, começou por dizer Diana Ramos na abertura da Grande Conferência Negócios Sustentabilidade 20|30, dedicada ao tema “Clima, tecnologia e geopolítica. Que caminhos?”. Para a diretora do Negócios, estes eventos meteorológicos extremos foram um aviso sobre a importância da preparação do país, que não pode ser ignorado. Em tom de desafio, a conferência deste ano quis ser deliberadamente provocadora e trazer ao debate vozes que desafiam o caminho já percorrido. “A paralisia não é uma opção”, sublinhou, acrescentando que “as empresas que se preparem hoje serão certamente aquelas que melhor vão vencer o amanhã”.
Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais - este ano Capital Europeia da Democracia -, argumentou que a sustentabilidade deixou, há muito, de ser uma ambição e é hoje uma vantagem competitiva concreta no acesso das organizações ao financiamento. “O capital não vai apenas onde existem boas intenções. O capital vai para onde existem metas mensuráveis, trajetórias claras e riscos mitigados”, afirmou. O município, lembrou o autarca, tem no horizonte a curto prazo atingir a neutralidade carbónica já em 2030, mas também alcançar a meta de 100% de energia renovável nos edifícios municipais até ao final de 2029.
O presidente lembrou ainda o papel central das autarquias neste processo de transição e defendeu que é nestes organismos que “há mais proximidade, onde existe mais confiança”. “É sempre onde começa, mas também onde acaba a transição energética”, afiançou.
Ausente por motivos de agenda, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, fez questão de participar através de uma mensagem gravada, na qual reforçou a urgência da transição e o novo contexto geopolítico. “Mais do que nunca, temos de tornar Portugal mais independente, do ponto de vista da energia e das matérias-primas críticas, mais sustentável e mais resiliente face a várias crises, sejam estas naturais ou estratégicas”, afirmou. A governante destacou ainda que Portugal atingiu 80,7% de incorporação renovável na produção nacional, colocando o país em primeiro lugar na União Europeia, mas deixou um aviso claro sobre os limites da estratégia atual. “Já não basta mitigar. É preciso investir na adaptação”.
