O financiamento sustentável ainda está longe de ser uma realidade generalizada no tecido empresarial português, aponta um estudo do ISQ e da UHY. Segundo os autores, que apresentam o documento esta quarta-feira, apenas uma pequena fração das empresas conhece bem estes instrumentos e são menos ainda as que o utilizam de forma efetiva.
De acordo com o Conhecimento e Impacto dos Instrumentos de Financiamento Sustentável nas Empresas Portuguesas, apenas “38% das empresas afirmam estar familiarizadas com o conceito de finanças sustentáveis”, com claras assimetrias entre organizações de diferentes dimensões. Enquanto “55% das grandes empresas indicam conhecer o tema”, esse valor desce para 33% nas pequenas empresas e para apenas 27% nas microempresas.
A distância entre conhecimento e prática é ainda mais expressiva, uma vez que “apenas 5% das empresas indicaram já ter recorrido a instrumentos de financiamento sustentável”, ou seja, uma em cada 20. Esta percentagem confirma a reduzida penetração destes mecanismos no tecido empresarial nacional. Mesmo entre as que afirmam conhecer o conceito, a adoção efetiva permanece residual.
Entre os principais obstáculos identificados, o estudo aponta “o desconhecimento dos instrumentos disponíveis e das suas vantagens”, a “complexidade legislativa e carga burocrática elevada” e a “falta de conhecimento técnico por parte da gestão de topo e das equipas financeiras e de sustentabilidade”. Estas barreiras são particularmente penalizadoras para as PME, que têm habitualmente menos recursos técnicos e financeiros para cumprir os requisitos associados.
Nos poucos casos em que o financiamento sustentável foi utilizado, os instrumentos mais comuns foram "green bonds" ou "green loans", referidos por 42% das empresas, seguidos dos Sustainability-Linked Bonds ou Loans, com 33% das respostas. A esmagadora maioria das empresas que acedeu a este tipo de financiamento mobilizou montantes relativamente reduzidos – em 73% dos casos, sobretudo entre micro e pequenas empresas, recorreram a valores até cinco milhões de euros.
Mais de “60% das empresas consideram o financiamento sustentável mais acessível e vantajoso do que o financiamento tradicional”, apontando benefícios como a “melhoria da imagem institucional”, a “redução de custos” e o reforço da estratégia ESG. Ainda assim, o estudo sublinha que estes ganhos estão fortemente associados ao nível de conhecimento prévio das empresas.
O documento mostra ainda que apenas “5% das empresas planeiam adotar ou expandir o financiamento sustentável no curto prazo” e 11% no médio prazo, embora 21% “manifestem interesse em aprofundar o tema”.