pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Omnibus alivia regras, mas maioria das empresas quer continuar a reportar sustentabilidade

Mesmo fora do perímetro da CSRD, muitas organizações veem os dados ESG como ferramenta de gestão de risco, investimento e relação com investidores, aponta novo estudo.

13 de Março de 2026 às 21:02
Estudo revela interesse contínuo em relatórios de sustentabilidade, mesmo com regras mais flexíveis
Estudo revela interesse contínuo em relatórios de sustentabilidade, mesmo com regras mais flexíveis DR
  • ...

O alívio regulatório trazido pelo pacote Omnibus não está a provocar uma debandada no reporte de sustentabilidade, antes pelo contrário. De acordo com um  da consultora Osapiens, 90% das empresas que ficaram fora do âmbito formal da CSRD dizem que vão manter ou até expandir essa prática, sinal de que o reporte ESG está a deixar de ser visto apenas como uma obrigação legal.

O relatório, baseado num inquérito a 403 decisores seniores no Reino Unido, França, Benelux, Alemanha, Áustria e Suíça, mostra que 24% dos inquiridos ficaram excluídos das obrigações formais após a simplificação da legislação, mas também que 90% esperam reforçar o investimento em ferramentas e automação para sustentar o reporte nos próximos 12 meses.

Segundo o estudo, o reporte de sustentabilidade continua a ser valorizado porque ajuda as empresas a identificar riscos, a responder a investidores e a sustentar decisões operacionais e estratégicas. Quase metade dos inquiridos aponta como principal vantagem a “melhor visibilidade” sobre riscos climáticos, da cadeia de abastecimento e operacionais, enquanto 43,8% destacam o reforço da confiança dos investidores e a capacidade de responder a pedidos de informação ESG com dados auditáveis.

Há, aliás, uma ligação cada vez mais estreita entre sustentabilidade e finanças. Nove em cada dez organizações dizem que o reporte de sustentabilidade já está parcial ou totalmente integrado com o reporte financeiro, o que ajuda a explicar porque é que tantas empresas optam por continuar este caminho mesmo quando a pressão regulatória abranda.

Andreas Rasche, professor na Copenhagen Business School, defende que a simplificação regulatória não elimina a lógica de fundo do reporte. “Estar fora do âmbito da CSRD não significa estar fora do âmbito dos riscos sociais e ambientais”, afirma no relatório, sublinhando que a questão central para as empresas passou a ser perceber “como a informação de sustentabilidade continua a apoiar a tomada de decisão, a gestão de risco e a credibilidade” num contexto regulatório mais incerto.

Na entrevista que acompanha o estudo, o especialista diz que a sustentabilidade é “resiliência de longo prazo, gestão de risco e investimento estratégico”. Por isso, defende, as empresas “precisam de pensar para lá do compliance” e ligar a sustentabilidade ao negócio e à estratégia de longo prazo.

Ainda assim, o mesmo relatório identifica um “paradoxo da sustentabilidade” que aponta que, embora a maioria queira continuar a reportar, 84% dos inquiridos acreditam que a redução do escrutínio regulatório acabará por traduzir-se em menos recursos internos dedicados a essa tarefa. Entre as principais barreiras surgem as restrições orçamentais, a fragmentação de dados por diferentes sistemas e a falta de integração tecnológica.

Para Andreas Rasche, este é precisamente o teste decisivo do pós-Omnibus e avisa que “a ação voluntária sem uma justificação clara não se sustentará por si própria”. Se as empresas já não podem usar apenas o cumprimento legal para justificar o reporte, terão de explicar internamente para que serve.

Mais notícias