Apesar do ruído político em torno da transição climática, os dados continuam a mostrar que as empresas, nomeadamente as das principais economias do G7, não estão a abandonar o objetivo da neutralidade carbónica. Pelo contrário, 83% dos líderes empresariais inquiridos pela BSI dizem estar comprometidos com o objetivo de atingir emissões líquidas nulas até à meta nacional do seu país, enquanto 76% consideram importante manter o ritmo neste caminho. As conclusões são do relatório "G7 Net Zero Temperature Check: Business Insights 2026", baseado num inquérito a mais de sete mil líderes empresariais dos sete países do grupo, realizado em fevereiro deste ano.
O estudo mostra, porém, que esta agenda de descarbonização está a ser encarada cada vez mais como uma questão de resiliência, gestão de risco, continuidade operacional e competitividade. “As empresas continuam empenhadas e proativas no que toca à descarbonização, mas estão cada vez mais a olhar para estes esforços através do prisma da resiliência, em vez de os verem apenas como uma questão de benefício ambiental”, lê-se na introdução do relatório.
Segundo a BSI, 61% dos líderes dizem que a sua empresa alterou, nos últimos 12 meses, a forma como promove ou comunica as ações ligadas ao net zero em resposta ao ceticismo climático que tem dominado a política e os media. A organização chama a este fenómeno “climate-coding”, definido como uma forma de enquadrar sustentabilidade e net zero em temas mais amplos, como a eficiência, robustez das cadeias de abastecimento ou a preparação para choques futuros. “Chamamos a esta prática ‘climate-coding’, uma ferramenta de comunicação para apoiar a compreensão, o envolvimento e a adesão às iniciativas de net zero e sustentabilidade”, refere o estudo.
A abordagem económica é cada vez mais presente, com três em cada quatro inquiridos a afirmar que “os riscos económicos de não fazer a transição para o net zero são maiores do que os riscos da própria transição”. Aliás, a mesma proporção de participantes acredita que o net zero vai trazer novos mercados e mais oportunidades de inovação. Além disso, 73% consideram que, se os concorrentes abrandarem, a continuação do seu esforço poderá traduzir-se numa vantagem competitiva.
Ainda assim, há desafios que continuam a preocupar as empresas, nomeadamente o custo, que surge como a barreira mais citada à ação, mencionado por 26% dos líderes, seguido da falta de financiamento para investir em tecnologia verde (25%) e da escassez de competências e conhecimento (23%). Ao mesmo tempo, 76% dizem que a incerteza política em torno do net zero dificulta o investimento com confiança, e apenas 55% acreditam que as metas nacionais são alcançáveis.
O relatório mostra ainda que só 14% das empresas suspenderam metas e apenas 13% abandonaram objetivos, estando a maioria a recalibrar planos e calendários, mas não a mudar de direção. “Mesmo que a minha empresa não venha a cumprir as metas de net zero, continua a ser importante dar prioridade à descarbonização”, defendem 78% dos inquiridos.
“Os acontecimentos geopolíticos recentes tornaram particularmente evidente a necessidade de segurança energética e o papel importante desempenhado pelas energias renováveis e de baixo carbono”, afirma Susan Taylor Martin. A CEO da BSI acrescenta que “muitos líderes empresariais já pensam desta forma e reconheceram que o custo de não investir no net zero pode ameaçar as suas operações no longo prazo”.