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Fórum Económico Mundial identifica mais de 50 oportunidades de investimento sustentável

Relatório aponta para até 8,79 biliões de euros por ano em receitas e poupanças até 2030, defendendo que proteger a natureza já é uma questão de negócio.

19 de Março de 2026 às 21:57
Fórum Económico Mundial de Davos
Fórum Económico Mundial de Davos Sean Kilpatrick AP
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Há muito capital a financiar atividades que degradam ecossistemas e muito pouco a apoiar soluções que os protegem ou regeneram. É deste desfasamento que parte o novo relatório do Fórum Económico Mundial, que identifica mais de 50 oportunidades de investimento com potencial para gerar até 8,79 biliões de euros por ano em receitas empresariais e poupanças de custos até 2030. O estudo, desenvolvido com a Oliver Wyman, sustenta que a transição para uma economia positiva para a natureza já não deve ser vista apenas como uma agenda ambiental, mas também como uma oportunidade económica com escala.

 lembra que, em 2023, foram investidos 6,35 biliões de euros em atividades nocivas para a natureza, muito acima dos 191,5 mil milhões de euros aplicados em soluções baseadas na natureza, sobretudo ligadas à conservação. Quando se olha apenas para o setor privado, o desequilíbrio é ainda mais evidente: 4,26 biliões de euros financiaram atividades prejudiciais aos ecossistemas, enquanto apenas 20 mil milhões de euros foram canalizados para soluções deste tipo. Para os autores, esta diferença representa “simultaneamente um profundo risco sistémico e uma oportunidade económica perdida”.

“Temos de transitar para um sistema económico que gere prosperidade dentro dos limites planetários”, afirma Sebastian Buckup, diretor-geral do Fórum Económico Mundial. Já Derek Baraldi, responsável de finanças sustentáveis da organização, aponta que, “no essencial, este é um desafio de alocação de capital”.

O estudo analisou cerca de 250 atividades empresariais e selecionou mais de 50 oportunidades em 13 setores com capacidade para contribuir para travar e inverter a perda de natureza até 2030. Entre os exemplos apontados estão a agricultura de precisão, os fertilizantes sustentáveis, a reciclagem de baterias, a reutilização de calor em centros de dados, a gestão industrial da água, a reciclagem de resíduos de construção e os cimentos e betões sustentáveis. Segundo o relatório, estas soluções podem reduzir a pressão sobre solos, água e recursos, enquanto geram novas receitas, cortam custos operacionais ou mitigam risco.

Os autores sublinham ainda que estas oportunidades não se limitam a projetos de conservação ou restauro ambiental fora da cadeia de valor. Pelo contrário, estão ligadas às operações e cadeias de abastecimento das próprias empresas, com aplicações concretas em setores como agricultura, energia, mineração, construção, tecnologia, transportes e têxtil. O objetivo é mostrar que a transição positiva para a natureza pode sair do campo da intenção e entrar no centro da atividade económica.

Para o Fórum Económico Mundial, o desafio agora é acelerar o financiamento e dar às instituições financeiras instrumentos para apoiar esta mudança. O relatório propõe cinco prioridades, entre elas reforçar a literacia sobre natureza, usar melhor os dados já existentes, inovar nos produtos financeiros e construir coligações entre empresas, investidores, setor público e filantropia. Existe, aponta-se, um “pipeline significativo de oportunidades comerciais” e, com o capital certo, a proteção da natureza pode deixar de ser encarada como custo e ser vista como vantagem competitiva.

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