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A árvore certa no sítio certo pode reduzir riscos climáticos

Nova plataforma gratuita cruza espécies autóctones com localização e resiliência a fenómenos extremos para apoiar municípios, empresas e cidadãos.

28 de Abril de 2026 às 14:30
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As tempestades que atingiram Portugal em fevereiro voltaram a expor a fragilidade do país e mostraram que muitos territórios continuam pouco preparados para fenómenos climáticos extremos. Cheias, deslizamentos de terra e danos em infraestruturas sublinham agora a importância da gestão da floresta para ajudar a mitigar riscos.

É neste contexto que surge a Radici, uma nova plataforma online, gratuita e de acesso livre, desenvolvida pela NBI – Natural Business Intelligence, que procura traduzir conhecimento científico em decisões práticas sobre o que plantar em cada zona do país. A ferramenta permite selecionar o distrito, concelho ou freguesia e consultar espécies autóctones presentes nessa localização, as suas características ecológicas e o respetivo grau de resiliência face a fenómenos extremos.  

A lógica passa por apoiar a escolha da espécie certa para o sítio certo como uma decisão estratégica, que pense em como árvores e arbustos ajustados ao solo e ao clima podem ajudar a fixar terrenos, reduzir o risco de cheias, resistir melhor a secas e incêndios e contribuir para paisagens mais resilientes.

O objetivo, refere a empresa, é perceber se “esta árvore é mesmo indicada para este território”. Ao tornar essa informação acessível, a intenção passa por evitar escolhas mal fundamentadas, reduzir desperdício de recursos e aumentar a eficácia de intervenções de arborização, restauro ecológico ou recuperação de áreas afetadas por incêndios e tempestades.

“Temos o conhecimento e sentimos a responsabilidade de partilhar este conhecimento”, aponta Nuno Gaspar de Oliveira. O CEO da NBI explica que “a Radici é a nossa forma de contribuir para que todos tenham acesso – de um decisor público a um cidadão – à informação necessária para tomar decisões fundamentadas sobre o que plantar em determinada localização, cuidando melhor do território e reforçando a sua resiliência”.

A plataforma pode ser usada por municípios no planeamento de infraestruturas verdes e estratégias de arborização, por empresas com intervenção no território, por proprietários privados ou por cidadãos que pretendam tomar decisões mais adequadas nos seus terrenos. Pode ainda servir de base de apoio a candidaturas a financiamento e ao cumprimento de requisitos associados a políticas europeias de restauro da natureza.

A proximidade da época de incêndios dá nova urgência ao problema. Depois das tempestades, milhares de árvores caídas e material vegetal acumulado transformaram-se em carga combustível em zonas florestais, levando o Governo a criar uma estrutura específica para acelerar limpezas, remover material e reabrir acessos antes do verão. A gestão do território e a escolha das espécies podem ajudar a preparar o país, mas também a controlar riscos a longo prazo.

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