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Serra da Estrela ganha novo selo da UNESCO e reforça estatuto internacional

A montanha passa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, juntando esta classificação ao reconhecimento como Geopark Global da UNESCO, obtido em 2020.

19:48
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A Serra da Estrela voltou a entrar no mapa mundial da UNESCO. O território passou a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, uma distinção aprovada a 5 de junho, no Paraguai, durante a 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera.

A decisão dá novo peso internacional à maior montanha de Portugal continental e reforça a ideia de que a Serra da Estrela é mais do que uma paisagem de neve, turismo e pastorícia. O território é descrito como espaço de encontro de biodiversidade, comunidades locais, economia de montanha e com capacidade de adaptação às alterações climáticas.

A nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange mais de 2.372 quilómetros quadrados e inclui os seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela: Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã. No centro da classificação está um território que reúne 30 habitats protegidos pela Diretiva Habitats da União Europeia, espécies endémicas, ecossistemas de montanha e mosaicos agroecológicos.

A reserva fica organizada em três zonas. A Zona Núcleo, com mais de 212 quilómetros quadrados, concentra os valores naturais mais sensíveis. A Zona Tampão, com mais de 679 quilómetros quadrados, funciona como área de proteção e mediação ecológica. Já a Zona de Transição, que representa 62% da reserva, ocupa mais de 1.480 quilómetros quadrados e é dedicada às atividades humanas sustentáveis.

É nesta última dimensão que a distinção ganha particular relevância, já que as Reservas da Biosfera não são apenas espaços de conservação fechados sobre si próprios. Estes territórios procuram testar formas de conciliar proteção da natureza, desenvolvimento local, educação ambiental e valorização das comunidades que vivem no território.

A candidatura foi promovida pela AGE – Associação Geopark Estrela, com coordenação científica de Helena Freitas, professora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra. 

Com esta aprovação, a Serra da Estrela passa a somar duas designações UNESCO no mesmo território, depois de ter sido classificada, em julho de 2020, como Geopark Global UNESCO. Agora junta-lhe o estatuto de Reserva da Biosfera, com os dois reconhecimentos a serem geridos de forma integrada, numa lógica de governança conjunta e de melhor utilização dos recursos humanos, financeiros e materiais.

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